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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

AA é + que parar de beber

O alcoolismo é, sem dúvida alguma, a mais mal interpretada e mal compreendida doença em todo o mundo. É a única doença da qual homens e mulheres sofrem e cuja natureza é tal que ela convence essas mesmas pessoas de que não estão doentes. É exatamente por isso que tem causado mais problemas, mais sofrimento, mais miséria do que qualquer outra doença da qual a humanidade já tenha sofrido. Jamais existiu uma só pessoa que, tendo vivido neste mundo, quisesse ser alcoólatra.                                                                                                                  Bill C. (Juiz) NY.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

REUNIÃO TEMÁTICA NO GRUPO DE AA EM ITAPOÃ



Favor divulgar.



--
Alcoólicos Anônimos
Grupo em Itapoã
Anexo a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Itapoã
Rua Curitiba, 560 - Itapoã, Vila Velha, ES. (próximo à praça Dom Cavati)
Reuniões: Quarta e Sexta feira - 19:30h
Caso não queira mais receber nosso e-mail, responda este e-mail com o assunto remover.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Espiritualidade das Tradições no Programa de A.A.


 
“Mesmo estando sóbrios há alguns anos, continuamos tendo boa disposição para colaborar nos Serviços de A.A.?”
Depois de conhecer a mensagem de AA, torna-se responsabilidade de cada um dos membros, entender que o grupo tem de sobreviver para que o doente em recuperação que lá se encontra não venha a perecer. E que assim possa proporcionar aos que ainda chegarão um dia, uma mensagem viva, fortalecedora, renovadora, cheia de amor e de gratidão!
AA é um programa espiritual e de vida! De uma nova vida! Não basta “botar a rolha na garrafa”. Requer dos seus membros o estudo e a prática dos princípios espirituais, para que continue havendo um verdadeiro compartilhar e Unidade!
Na Reflexão Diária do dia 20 de março - AMOR E TOLERÂNCIA – diz: “Nosso código é o amor e a tolerância pelos outros” - “Alcoólicos Anônimos, pág. 104”. Em seguida, comenta a leitura: “Descobri que preciso perdoar aos outros em todas as situações, a fim de manter um verdadeiro progresso espiritual. A importância vital do perdão pode não ter sido óbvia para mim à primeira vista, mas meus estudos me diziam que todo grande professor espiritual tinha insistido fortemente nisso. Devo perdoar as injúrias, não apenas por palavras, ou como formalidade, mas dentro do meu coração. Não faço isto por amor às outras pessoas, mas para o meu próprio bem. Ressentimento, raiva ou desejo de ver alguém punido, são coisas que apodrecem minha alma. Tais coisas me prendem a mais dificuldades. Elas me amarram a outros problemas que não têm nada a ver com meu problema original”.
A maioria de nós tem aprendido que a recuperação do alcoolismo não é uma dádiva para ser agarrada egoisticamente para si. Significa também responsabilidade por servir a outros, tanto dentro como fora de AA.
Através de nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo lá fora. Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos o fanatismo, a reforma e o paternalismo. Recusamos o dinheiro de caridade e decidimos viver à nossa própria custa. Procuramos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos por filiação, que nossa Irmandade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos mesmo entre nós, assuntos que dividem a sociedade: religião e política. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de AA para o doente alcoólico que deseja. E assim, para o nosso bem como Irmandade, deve continuar.
“Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos ter virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência tem ensinado que precisamos, se o AA quiser sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje!”
Graças ao Poder Superior, cada vez mais, os grupos de AA estão compreendendo que eles são entidades espirituais, e não pontos de organizações de negócios ou criados para outras finalidades, senão única, a de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
O passar dos anos nos tem trazido belíssimos princípios desta Sabedoria. Um dos mais preciosos reside exatamente na auto-sustentação que a Irmandade deve ter por seus próprios membros. Outro é a Prudência. Auto-suficiência e prudência juntas, mostram-nos que tudo podemos.
Ao longo de nossa vivência dentro de AA, verificamos que são inúmeras as dádivas que recebemos depois de sóbrios: um verdadeiro lar, o resgate de um nome, uma família, o recomeço de uma vida saudável e feliz! E, acima de tudo os bens espirituais que se traduzem no reencontro consigo mesmo! no amor por si, para consigo e para com os outros. Diante disto, que maneira mais original para uma retribuição? Muitos ainda desconhecem, mas é através do verdadeiro entendimento da auto-suficiência que tanto necessita a Irmandade, somada a Prestação de Serviços.
É muita vaidade e mesmo egoísmo, chegarmos no nosso grupo base, apenas para ouvir os depoimentos, dar alguns “desabafos”, ir embora muitas vezes antes do término da reunião ou então não participarmos dos problemas e das necessidades do Grupo!
É muito estranho, o grupo não ter literaturas para o ingressante. Não estar com a sua sala bem organizada e limpa. Não ter o seu Comitê de Serviços ou o Comitê Orientador. Não ter a sua autonomia bem alicerçada, por falta de Servidores de Confiança!
É difícil de se entender, a existência de um Órgão de Serviço, criado pelos Grupos para lhes servir e para fazer pelos grupos aquilo que os mesmos não podem, visto a sua primordial destinação e, logo em seguida, este Escritório de Serviços não poder executar suas ações pela falta de contribuições destes grupos que o criou e que está naquele local lhes servindo direta ou indiretamente, quase todos os dias.
Muitas vezes, quando são feitas referências ao AA e aos Serviços de AA numa Comunidade, tanto por membros AAs como por pessoas não AAs, o fato deveria contagiar a todos de orgulho e felicidade. Porém, também invariavelmente, se percebe que muitos poucos membros se interessam como aquilo foi feito ou o que se gastou para se fazer ou porque foi feito!
"Deus se interessa por nós, seres humano, quando realmente O buscamos”.
O ser humano tende a buscar felicidade de acordo com suas próprias fórmulas, transformando a vida em busca desenfreada de sucesso, prazeres e fugindo dos seus medos.
Ao longo desse processo, sofre e faz sofrer. Libertar-se desse ciclo escravizante significa tornar-se mais livre e mais feliz.
Deus nos faz mais fortes com cada vitória. É mais ou menos como uma vacina: Ele nos dá pequenas doses para não pegarmos a doença e de uma forma constante e gradual, aumentar nossa resistência. Às vezes somos postos à prova, quando desafiamos os nossos Princípios...
Ocasiões para refletir se tornam necessárias. É aí onde nós encontramos as luzes dos princípios que norteiam nossas vidas dentro e fora de AA. Isto deveria ser entendido como fatores de grande importância, principalmente se levarmos à sério e com bastante fé!
Fé é a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém.
A fé se relaciona com os verbos acreditar, confiar ou apostar. Ter fé é nutrir um sentimento de afeição, ou até mesmo amor, pelo que acredita, confia e aposta. A fé não é baseada em evidências físicas, reconhecidas pela comunidade científica. É um sentimento nutrido em relação a uma pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião, uma crença popular e até um conjunto de regras, princípios ou tradições.
A fé se manisfesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais e a motivos nobres ou estritamente pessoais. Pode estar direcionada a alguma razão específica ou mesmo existir sem razão definida.
A fé emotiva é aquela que vem de imediato. Acontece ali, na hora, levada pela emoção. Já a fé racional age com a razão, levando o indivíduo a ter esperança. E com esperança se adquire Amor e com amor você demonstra gratidão e com gratidão se pratica a doação!
Para se exercitar a espiritualidade das Tradições é preciso ter estas noções que abordaram sobre a fé. Se não for assim, você não aceita e até poderá criticá-la ou mesmo desprezá-la!
É oportuno mencionar o que disse Santa Terezinha de Jesus: “Onde tem Amor, pondes amor e encontrarás mais Amor”, para agradecermos ao Poder Superior, Deus como O concebemos, pelas dádivas que todos nós temos recebido. E se isto foi e é possível é graças ao nosso respeito a espiritualidade de nossos princípios.
A espiritualidade das Tradições é real e precisa. É igual a espiritualidade dos Doze Passos. É igual a espiritualidade dos Doze Conceitos para os Serviços Mundiais. Resta-nos descobri-la a cada dia, exercitá-la e respeitá-la incondicionalmente, tanto por nós quanto pelo nosso próximo, mesmo que não esteja tão próximo!
Que o Poder Superior nos Abençoe!!!
CAMPOS S./Brasília-DF

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Parar de beber é fácil: DIFÍCIL É NÃO VOLTAR A BEBER


" PARAR DE BEBER É FÁCIL "

Dr. Eduardo Mascarenhas  (Psicanalista )
Parar de beber é tão fácil que não há alcoólatra no mundo que não tenha parado de beber dezenas de vezes. Algumas delas - é verdade - duram não mais que uma tarde ou uma noite. Nesse período, contudo, o alcoólatra jurou a si próprio que jamais voltaria a beber.
Geralmente essas decisões solenes de se manter afastado do copo vêm pela manhã seguinte de algum imenso pileque. A cabeça ainda está zonza, dói tanto que parece que há um martelo batendo no crânio; a boca está amarga e seca, o estômago em brasa, o corpo todo intoxicado. Nesse estado típico de uma "ressaca", vão reaparecendo, aos poucos, as lembranças da noite anterior: os vexames, as inconveniências, os despautérios. Acrescenta-se à ressaca física, a ressaca moral. Isso quando ressurgem as lembranças, pois muitas vezes o alcoólatra enfrenta a terrível angústia de não se lembrar de nada do que fez - o famoso "branco".
De tantas ressacas e vexames, o alcoólatra pára de beber por meses e até por anos. Que alívio! parece que não padece mais daquela terrível compulsão. Nem sente mais vontade de beber: vai às festas e nem se liga no garçom. Sinceramente, não sente mesmo mais falta da bebida. Nem sonha mais com ela...
Ora, com justa razão imagina-se curado. Não é mais alcoólatra. É uma pessoa como outra qualquer.

DIFÍCIL É NÃO VOLTAR A BEBER

Embalado nessa crença, estabelece a taxativa distinção: "beber é uma coisa, ser alcoólatra, outra".
Por via das dúvidas, contudo, não convém arriscar. Nada de whisky, vodca, conhaque ou cachaça. Ele já sofreu demais e respeita o álcool. Agora, um chopinho gelado - só um - ou um gole de vinho branco, também geladinho, não há de fazer mal a ninguém;
De fato, nada acontece. Naquele dia. Naquele dia seguinte, porém. à mesma hora, ele se lembra do dia anterior. E, pela primeira vez, volta a sentir uma vontadezinha de beber. Tenta se controlar. Aí vem aquelas ideias que até parecem sopradas por Satanás: "Mais um golinho não vai fazer mal! Hoje só. Amanhã você pára de vez. Só para matar a saudade!"
Talvez tome mais uma bebidinha, talvez não tome, mas recomeça a tortura: a vontade de beber volta e a luta contra ela leva-o à exaustão; até nos sonhos ele está bebendo ou louco para beber e já acorda pensando nisso. Sua vida se reduz a isso.
Nesse estado, a mente lhe propões um pacto: "Volte a beber, mas só à noite. Com moderação. E só bebidas fraquinhas, ou bebidas fortes com muito gelo e soda, em dose bem diluída, para render e não dar pileque". Ás vezes ele tolera esse pacto por alguns dias. Mas a vontade de beber não se modera nem se sacia. Manifesta-se cada vez com mais força. Aí ele volta a beber com a mesma fúria de antes. Talvez até com fúria maior, para ir à forra de todo aquele período em que não bebeu. Bebe tudo que bebia antes, mais tudo que deixou de beber.
Procura médicos e hospitaliza-se. Toma todo o tipo de remédio. Desintoxica-se, descansa a cabeça. Se tem dinheiro, vai ao psicanalista.
Mas nada resolve. Novamente pára um tempo de beber, para depois voltar ao álcool com voracidade redobrada.

Dr. Eduardo Mascarenhas ( Psicanalista )
Que o PS conceda-nos infinitas 24 Hs. SÓ POR HOJE!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Fugir da armadilha do "SE"

Fugir da armadilha do "SE" -  Cap.25 Viver sóbrio
Complicações emocionais com pessoas não são a única maneira de vincular perigosamente a nossa sobriedade a algo estranho. Alguns de nós temos a tendência de colocar outras condições à nossa sobriedade, mesmo sem intenção.
Um membro de A.A. diz: "Nós, bêbados (*)", somos gente muito cheia de "se". Quando bebíamos, usávamos uma porção de "se" como usávamos de bebidas alcoólicas. Mitos de nossos devaneios começavam assim: "Se ao menos..." e estávamos sempre dizendo que não nos teríamos embriagado "se" alguma coisa ou outra tivesse acontecido ou que não teríamos problemas com a bebida "se"ao menos..."

(*) Alguns de nós do A.A. referimo-nos a nós mesmos como "bêbados", não importa há quanto tempo não bebamos. Outros preferem o termo "alcoólicos". Existem bons motivos para ambos. "Bêbado" é sempre alegre, tende a desinflar o ego, relembra-nos de nossa tendência para a bebida. "Alcoólico" é igualmente honesto, embora mais significante e mais adequado à noção atualmente bastante difundida e aceita que alcoolismo é uma enfermidade perfeitamente respeitável e não um desregramento intencional.
Todos nós acrescentávamos ao "se" as nossas próprias explicações (desculpas?) para nossas bebedeiras. Cada um de nós pensava: eu não estaria bebendo assim...
Se não fosse minha mulher (marido, namorada ou namorado)... se tivesse mais dinheiro e menos dívidas.., se não fossem todos esses problemas de família..., se eu não estivesse sob tanta pressão..., se tivesse um emprego melhor ou uma casa melhor para morar..., se as pessoas me compreendessem..., se este mundo não fosse tão nojento..., se todo mundo não esperasse que eu bebesse..., se não fosse a guerra (qualquer guerra)..., e assim por diante, indefinidamente.
Recapitulando esse modo de pensar e o comportamento daí resultante, verificamos, agora, que estávamos deixando que circunstâncias alheias a nós controlassem muito de nossas vidas.
Quando paramos de beber, muitas dessas circunstâncias retornam aos devidos lugares em nossas mentes. A nível pessoal, muitas delas realmente se tornam claras tão logo nos iniciemos na sobriedade; e, algum dia, começamos a ver o que podemos fazer com as outras. Enquanto isso nossa vida fica muito, mas muito melhor mesmo, na sobriedade, não importa o que possa acontecer.
Mas, então, depois de certo tempo da sobriedade, chega, para alguns de nós, um belo dia em que a nova descoberta nos dá um verdadeiro tapa na cara. O mesmo modo de pensar, cheio de "se" dos nossos tempos de bêbados, sem que os sintamos, penetrou em nossa vida de abstenção. Inconscientemente, colocamos condições á nossa sobriedade. Começamos a pensar que a sobriedade é ótima, "se" tudo for bem, "se" nada der errado.
Com efeito, estamos ignorando a natureza bioquímica imutável de nossa enfermidade. O alcoolismo não respeita "se" nenhum. Ele não se afasta nem por uma semana, por um dia, por uma hora sequer, deixando-nos não-alcoólicos e capacitados a beber outra vez em alguma ocasião especial ou por um motivo extraordinário nem mesmo por uma única comemoração em toda a vida ou se estivermos presos de enorme dor; nem se chover canivetes ou se as estrelas caírem. O alcoolismo para nós é incondicional, não admitindo a dispensa por preço nenhum.
Pode levar um pouco de tempo fazer penetrar essa convicção até a medula de nossos ossos. E, ás vezes, não reconhecemos as condições que, inconscientemente, vinculamos à nossa recuperação até algo sair errado, sem culpa intencional de nossa parte. E então, de súbito, eis a coisa. Não estávamos contando com "este" acontecimento.
A vontade de beber é natural em face de um desapontamento chocante. Se não conseguimos o aumento, a promoção ou emprego com que estávamos contando; se nossa vida amorosa anda atrapalhada; se alguém nos trata mal..., aí podemos ver que, durante todo o tempo, estivemos confiando em que as circunstâncias nos ajudariam a querer permanecer sóbrios.
Em algum lugar, escondida num remoto cantinho de nossa massa cinzenta conservamos uma pequenina restrição à condição para nossa sobriedade. E ela só estava esperando para atacar. Nós íamos todos felizes, pensando: "Sim, a sobriedade é uma beleza, e tenciono conservá-la". Nem sequer ouvíamos a sussurrada restrição: "Isto é, se tudo correr como eu quero."
Esses "se" estão além de nosso controle. Temos de permanecer sóbrios, não importa como a vida nos trata, não importa... se os não-alcoólicos apreciem a nossa sobriedade a despeito de tudo o mais, não dependente de pessoa alguma, nem sujeita a quaisquer circunstâncias ou condições.
Freqüentemente, temos verificado que não podemos ficar sóbrios por tempo suficiente só por causa da mulher, do marido, dos filhos, do namorado (ou namorada), dos pais, dos outros parentes, de um amigo; nem por causa de um emprego; nem para agradar o patrão (ou o juiz, o médico, o credor); nem por causa de ninguém mais, a não ser nós mesmos.
Vincular nossa sobriedade a qualquer pessoa (mesmo a outro alcoólico recuperado) ou a qualquer circunstância é insensato e perigoso. Quando pensamos: "Ficarei sóbrio "se"..." ou "Não beberei por causa de..." (preencha com qualquer motivação diferente de nosso próprio desejo de recuperar-nos e de gozar de boa saúde), involuntariamente começamos a beber tão logo a condição ou a pessoa mude. E qualquer uma delas pode variar a qualquer momento. Independente, não-afiliada a qualquer outra coisa, nossa sobriedade pode crescer bastante para nos capacitar a enfrentar as circunstâncias e as pessoas. E, como você verá, começaremos a gostar também dessa sensação.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

ROTATIVIDADE NO SERVIÇO: CHAVE PARA O NOSSO FUTURO.

 

Rotatividade no serviço: chave para o nosso futuro
Dr. Oscar Rodolpho Bittencourt Cox
Ex Presidente da Junta de Serviços Gerais do Brasil


Quando os veteranos perceberam a finitude da vida do Ser Humano e a grandiosidade daquilo que casualmente ocorreu entre dois bêbados, ou seja, a possibilidade de deixarem de beber, identificaram um sério problema existencial para a continuação daquilo que descobriram.
Bill e Dr. Bob, considerados co-fundadores da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, nos primeiros momentos foram buscar outros bêbados e Bill mostrou a eles a possibilidade de formar uma cadeia de reabilitados diante da doença do alcoolismo.
Alcoolismo, doença secular, sem solução plausível e que agora no século XX começou a ser interrompida no seu processo destruidor. Os números e estatísticas mostram a extensão deste mal e quando o câncer surgiu no corpo do Dr. Bob, levando-o a falecer em novembro de 1950, percebeu-se que o processo de recuperação dos alcoólicos não podia ser interrompido.
A estrutura de A.A, nos primórdios apresentava duas Áreas de atuação que corriam em paralelo, isto é, sem contato uma com a outra. A primeira, formada pelos Grupos, vivenciando o programa e a segunda, pelos amigos de A.A. que orientavam e, juntamente com os co-fundadores, administravam a Irmandade (Fundação do Alcoólico, criada em maio de 1938 – futuros Custódios Não Alcoólicos).
Ocorreu então, historicamente, um processo dirigido por Bill W. de aproximação para que os grupos apreendessem estes amigos, esta administração e juntos assumissem o comando do processo. Deste modo a finitude humana não mais teria influência sobre o destino de A.A. podendo se esperar a perenidade desta recuperação tão inovadora e espetacular em que pessoas doentes pudessem assumir a própria responsabilidade sobre sua saúde e vida.
A ameaça à saúde do Dr. Bob o, talvez, poder moderador, junto à impulsividade de Bill W., levou a que em 1950 ocorresse a 1ª Convenção Internacional em Cleveland (julho 1950) com a anexação das Tradições ao programa. É em abril de 1951, após a 1ª Conferência de Serviços Gerais, que começa um período experimental de cerca de cinco anos, unindo os Custódios de A.A. com a Irmandade como um todo.
Deste primeiro encontro houve uma caminhada contínua até 1955, quando em Saint Louis, Bill W. se retira da direção de A.A. e os Grupos passam a assumi-la. Nesta época, já eram conhecidos pela Irmandade os Passos da Recuperação (1939) e as Tradições (1946).
Surge então, a necessidade do treinamento, da preparação de novos líderes em A.A.. Pessoas que pelo amor e gratidão à sua recuperação, desejam participar da manutenção do processo que um dia as salvou. Em Alcoólicos Anônimos se dá o nome de -APADRINHAMENTO EM SERVIÇO. Apadrinhar quer dizer compartilhar erros e acertos e deixar que o apadrinhado caminhe ao lado. Para tal, tenho que estar aberto e desapegado para estender a mão.
A partir de 1962, quando surgem os Conceitos, o 4° nos informa: "A participação é a base da harmonia".
A estrutura em serviço através do Manual sugere uma série de encargos e períodos para exercê-los. Surge daí, como conseqüência, a necessidade de um grande número de membros serem apadrinhados nos encargos o que inexoravelmente só é possível com grande oferta de pessoas e logicamente: ROTATIVIDADE.
A ROTATIVIDADE EM SERVIÇO necessita de muitos servidores novos chegando, apadrinhados pelos veteranos, que passando pelos encargos, não mais os ocupam, mas que, presentes, estimulam e criam novas lideranças.
Para isto, membros de A.A., precisam aprender a AMAR.
AMAR É PERMITIR QUE O OUTRO SEJA ELE, AO MEU LADO.
A ROTATIVIDADE NÃO É DESCARTAR.
A ROTATIVIDADE POSSIBILITA APRENDER A AMAR.
A ROTATIVIDADE POSSIBILITA CONVIVER COM AS DIFERENÇAS.
A "ROTATIVIDADE – CHAVE PARA O FUTURO" é um grande desafio para Alcoólicos Anônimos porque exige pré-requisitos fundamentais: a TRANSFORMAÇÃO DO MEDO PESSOAL em relação à doença e de si mesmo (distonia) numa entrega e confiança a um Poder Superior.
SÓ O PODER SUPERIOR RETIRA O MEDO HUMANO
Daí, o cidadão poder exercer A PRÁTICA DO AMAR.
Outro requisito fundamental: temos que confessar que não sabemos AMAR e pedir ajuda para o aprendizado.
Um terceiro quesito é o desapego. O desapego a coisas e pessoas é possível quando entro no processo do autoconhecimento em que os referenciais externos eu próprio os desloco para dentro de mim. São meus valores que passam a me orientar. Deixo o perfeccionismo, pois não tenho mais que agradar pessoas para que elas me amem. Deixo de ser condicionado pelos outros e passo a ter meus próprios pontos de referência através dos sentimentos. Posso acertar como errar. Acredito ser uma pessoa.
Devido a estas dificuldades, o animal-homem (Homo sapiens) quando em grupo confiável tende biologicamente a defender um corporativismo cada vez mais conservador e conseqüentemente destruidor.
O grupo defende o membro deste grupo e este protege o grupo e assim, o conjunto (membro/grupo), agindo com esse poder, atropela o direito do indivíduo, o direito das minorias em particular. Este mesmo indivíduo, fora do grupo, apresentará um discurso que não condiz com sua conduta quando no grupo.
Este aspecto biológico é combatido pela ROTATIVIDADE e daí o título: CHAVE PARA O FUTURO pois, será graças a ela que OS PRINCÍPIOS serão preservados. Daí, o recém-chegado ao grupo ser o mais importante na reunião.
Esta visão é extremamente revolucionária para a humanidade. Estamos moldando, na visão de Bill W., um novo Homem em recuperação e mais espiritualizado.
Toda empresa e A.A. têm o seu lado empresarial. A.A. é uma grande editora, que tende a proteger, como toda empresa, sua condição de sobrevivência empresarial, quando ameaçada. Mas como A.A. possui o lado tradicional (o mais importante), será a ROTATIVIDADE a sua grande protetora. Ela deve ser almejada, tendo como única autoridade a consciência de grupo, facultando o não temer os novos servidores em potencial, seus novos desafios de cada vez mais abrir toda a estrutura em todos os níveis de serviço, do grupo aos comitês da Junta, onde todo alcoólico em recuperação deve e pode circular apadrinhado e apadrinhando. Na Junta urge a presença de membros de A.A. de todas as áreas presentes aos Comitês de Assessoramento e em especial:
CAC: COMITÊ DE ASSUNTOS DA CONFERÊNCIA;
COC: COMITÊ DE ORGANIZAÇÃO DA CONVENÇÃO.
Cientificamente, o exercício prolongado e repetitivo, relativamente passivo, onde a falta de renovação existe, (como exemplo podemos citar: espetáculos, televisão, leitura de jornais e revistas de conteúdo superficial) provocam rapidamente o tédio e a aversão. No nosso caso, serviços e grupos "quase parando", maratonas repetitivas e intermináveis são os exemplos. Estas atividades assim postas não estimulam suficientemente nosso organismo.
A Psicologia Industrial nos mostra que a produção de um empregado é melhor e sua motivação é mais elevada quando lhe confiam um trabalho no qual pode exercer certa medida de iniciativa e de criatividade e, sobretudo, quando lhe é permitido completar uma parte significativa e unificada deste trabalho ao invés de confiá-lo à repetição mecânica de gestos minuciosamente medidos.
Resumindo, eis a importância sob um outro aspecto da ROTATIVIDADE.
Há muitos anos o G.S.O. (General Service Office) adotou o conceito da ROTATIVIDADE nos encargos do pessoal de A.A.
Para o conhecimento e exercício de todos os encargos da estrutura de A.A. há, portanto, necessidade de estar ao lado da experiência e da vivência de erros e acertos. Isto é a ROTATIVIDADE DINÂMICA onde o apadrinhamento não pode ser capenga porque o alcoólatra não se estruturou no AMAR, não foi orientado a aprender a AMAR: a ser ele e, logicamente, não sabe o que fazer. Podemos chamar de um "EGOÍSMO ENVERGONHADO".
Do exposto acima é que provém a queixa comum da falta de servidores, permanecendo as mesmas pessoas em serviço apenas mudando de encargos.
Este movimento rotatório dos mesmos servidores é movimento de morte, porque não havendo "sangue novo", o corporativismo cresce e a desconfiança acompanha, logo acabando em fechar a mão de A.A.
A Irmandade morre.
O membro de A.A. deve aprender e exercitar o pertencer. Daí, repetindo o título: ROTATIVIDADE NO SERVIÇO: CHAVE PARA O NOSSO FUTURO.
Este é, portanto, um grande desafio para Alcoólicos Anônimos.
Estes comentários devem ser exaustivamente praticados e não devemos fugir do conflito. Temos que aprender a conviver com as diferenças. E é isto a prova maior de AMOR, de entrega ao PODER SUPERIOR.
Eis um grande desafio proposto para Alcoólicos Anônimos a partir desta Conferência.
Estejamos desarmados, com mente aberta e boa vontade para discutir o melhor para Alcoólicos Anônimos.
Para todos nós, uma boa Conferência.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Como podemos manter o A. A. simples?

Como podemos manter o A. A. simples?

Este número da Grapevine (revista de Alcoólicos Anônimos dos Estados Unidos) chegará às mãos de seus leitores em julho, o mês em que celebramos o vigésimo quinto aniversário de A. A. em Long Beach, Califórnia. Cruzaremos um novo portal para o nosso futuro. Nos alegraremos ao pensar nas dádivas e nas maravilhas do ontem. E voltar a consagrar a realizar a imensa promessa do amanhã, sem dúvida consideramos nossa posição atual. Conseguimos manter “A. A. simples” ou inadvertidamente, cometemos algum erro?
Ao refletir sobre estas questões, comecei a considerar nossa estrutura básica: aqueles princípios, relações e atitudes que formam a substância de nossos Três Legados de Recuperação, Unidade e Serviço. Em nossos Doze Passos e Doze Tradições, encontramos vinte e quatro princípios bem enunciados. Em nosso Terceiro legado se incluem os estatutos para serviço mundial que prevê a existência de milhares de representantes de serviços gerais, centenas de membros de comitês locais, oitenta delegados da Conferência de Serviços Gerais, junto com o pessoal de nossa Sede, especializados em assuntos legais, financeiros, de Relações Públicas e de publicações e seus ajudantes. Nossos serviços de Grupo e de área contribuem ainda mais para esta aparente complexidade.
Na primavera passada, completaram-se 22 anos do estabelecimento de nossa junta de custódios para o A. A. no seu todo. Até aquele momento, não havíamos tido princípios enunciados nem serviços especiais. Não havíamos sequer sonhado com os Doze Passos. E quanto às Doze Tradições, basta dizer que éramos uns quarenta membros com apenas três anos de experiência. Assim que não tínhamos muito que fosse “tradicional”. A. A. era composto dois Grupos pequenos um de Akron e outro em Nova Iorque. Éramos uma família muito íntima. O Dr. Bob e eu éramos os “papais”. Naqueles dias, se fazia o que nós dizíamos. As salas de reuniões eram as salas de estar de nossas casas. A vida social se desenvolvia ao redor dos cafés nas mesas de nossas cozinhas. O alcoolismo se considerava, certamente, como uma enfermidade mortal. A honradez, a confissão, a reparação dos danos, o trabalho com outros e a orientação eram a única fórmula para nossa sobrevivência e desenvolvimento. Esses eram anos sem complicações, de facilidade. Não havia necessidade da máxima: “Mantenham-no simples”. Não podíamos ter sido menos complicados.
O contraste entre então e agora é impressionante. Para alguns de nós é horripilante. Portanto, perguntamos: “Terá seguido o A. A. a advertência do Dr. Bob de mente-lo simples?” Como poderíamos enquadrar os Doze Passos, as Doze Tradições, a Conferência de Serviços Gerais e Convenções Internacionais de hoje com nosso A. A. original de “cafés e bolos”?
Para mim, não me parece difícil fazê-lo. A simplicidade autentica de hoje se encontra, creio eu, em qualquer princípio, prática e serviço que sirvam para assegurar para sempre nossa harmonia e eficácia geral. Portanto, foi melhor anunciar claramente nossos princípios do que deixá-los em termos vagos; melhor classificar suas aplicações do que deixá-las indefinidas; melhor organizar nossos serviços do que deixá-los ao azar ou não ter nenhum método para realizá-los.
Um retorno à época da mesa da cozinha não nos daria a desejada simplicidade. Só poderia significar a irresponsabilidade, a discórdia e a ineficácia em grande escala. Imaginem: não haveria princípios orientadores bem definidos, não haveria literatura, nem salas de reunião, nem apadrinhamento planejado, nem direção estável, não haveria relações bem estabelecidas com os hospitais, nem saudáveis Relações Públicas, nem serviços locais ou mundiais. Voltar a essa época de simplicidade dos dias do passado seria tão absurdo como vender o volante, o depósito de gasolina e os pneus do carro da família. O carro seria sem dúvida uma coisa simples – eu não teria que comprar gasolina ou pagar os consertos. Mas nosso carro não andaria. A vida familiar apenas se poderia considerar mais simples; logo porém ficaria confusa e complicada.
Uma anarquia exposta de A. A., animada unicamente pelo espírito de “reunamo-nos”, simplesmente não nos basta para os Aas de hoje. O que em 1938 dava bons resultados para uns quarenta membros não vai funcionar para os 200.000 Aas de 1960. Nossa maior grandeza, e por conseguinte, nossas maiores responsabilidades constituem a diferença entre a infância de A. A. e a sua maioridade. Nos demos conta de como seria idiota tentar recuperar a simplicidade que conhecíamos em nossa infância para desta forma evitar a simplicidade com a qual sempre temos que enfrentar para “mantê-lo simples” hoje. Não devemos atrasar o relógio nem devemos tentar fazê-lo.
A história da evolução de nossas idéias a respeito da “simplicidade para hoje” é fascinante. Por exemplo: chegou a hora em que tivemos que codificar – ou organizar, se assim o preferem – os princípios básicos que havia, surgido de nossa experiência. Colocou-se muita resistência à essa idéia. Muitos membros expressavam a firma convicção de que, com a publicação dos Doze Passos estava-se complicando o muito simples (ainda que algo confuso) programa de recuperação transmitido por palavras. Dizia-se que “estávamos atirando a simplicidade pela janela”. Mas não era assim. É só perguntar-se, “Onde se encontraria hoje o A. A. sem os Doze Passos?” Só Deus sabe o bem que se fez com a enumeração precisa e a publicação destes princípios em 1939. A codificação simplificou muito a nossa tarefa. Quem pode dizer o contrário agora?
Em 1945, elevou-se o clamor parecido quando enunciaram-se claramente nas Doze Tradições de A. A. sólidos princípios para vier e trabalhar juntos. Nos parecia muito difícil chegar a um acordo a respeito. Não obstante, quem pode dizer agora que as Tradições complicaram nossas vidas? Ao contrário, estes princípios tão claramente definidos simplificaram grandemente a tarefa de manter a unidade. E para nós, os Aas, a unidade é uma questão de vida ou morte.
O mesmo aconteceu em todas as partes com nossos serviços ativos, especialmente os serviços mundiais. Quando se criou nossa primeira junta de custódios de A. A., havia graves inquietações. As pessoas sentiam-se muito alarmadas porque esta operação supunha certos trâmites legais, certas questões de autoridade e de dinheiro e algumas transações comerciais. Dizíamos alegremente que A. A. havia “separado completamente o material do espiritual”. Portanto, produziu-se uma grande emoção quando o Dr. Bob e eu propusemos os serviços mundiais; quando insistimos que estes serviços tinham que estar encabeçados por uma junta permanente; e ainda quando dissemos que havia chegado o momento de que – pelo menos nessa esfera – teríamos que colocar o material a serviço do espiritual. Alguém que tivesse experiência teria que tornar à direção, e teria que haver gasolina no depósito de A. A.
A medida que nossos custódios e seus colegas começaram a levar nossa mensagem para todo o mundo, pouco a pouco nossos temores começaram a desaparecer. A. A. não se havia tornado mais complicado. Havia se simplificado. Podiam perguntar a qualquer um das dezenas de milhares de alcoólicos e seus familiares que estavam chegando ao A. A. graças aos nossos serviços mundiais. Suas vidas sem dúvida haviam sido simplificadas. E, em realidade, as nossas também.
Quando em 1951 reuniu-se pela primeira vez a nossa Conferência de Serviços Gerais, voltamos a conter a respiração. Para alguns estes acontecimentos significavam um desastre total. Agora as brigas e as politicagens seriam a norma. Nossos piores traços de caráter tomariam a dianteira. A serenidade de nossos custódios e de todos os demais se veria transtornada (como as vezes de fato aconteceu). Poriam se obstáculos à nossa grandiosa espiritualidade e à terapia de A. A. Alguns se embebedariam por esse motivo (e de fato, alguns o fizeram). Mais forte do que nunca se ouvia gritar: “Pelo amor de Deus, mantenham-no simples!” Alguns membros protestavam. “Por que o Dr. Bob, Bill e os custódios não podem continuar dirigindo estes serviços? Essa é a única forma de mantê-lo simples”.
Porém, poucos sabiam que o Dr. Bob estava doente de morte. Ninguém parou para pensar que em breve só restariam um punhado de pioneiros; e que também estes não tardariam em desaparecer. Os custódios se encontrariam muito afastados e desconectados da Irmandade a qual serviam. O primeiro grande vendaval os poderia derrubar. A. A. sofreria um ataque do coração. Quase com total certeza o resultado seria um colapso irreparável.
Portanto, nós Aas tivemos que tomar uma decisão: O que seria realmente o mais simples?
Conseguiríamos estabelecer essa Conferência de Serviços Gerais, apesar de seus gastos e perigos particulares? Ou ficaríamos em casa de braços cruzados, esperando as funestas conseqüências de nosso temor e nossa insensatez? Nos perguntávamos, o que seria melhor a longo prazo, e, portanto, o mais simples? Como revela nossa história, nos colocamos em ação. A Conferência de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos acaba de celebrar sua décima reunião. Com toda certeza sabemos que este instrumento consolidou nossa unidade e assegurou a recuperação de milhares de alcoólicos enfermos que ainda estão por vir.
Por conseguinte, creio que temos mantido a fé. Na minha opinião, foi agindo da maneira como temos feito que conseguimos que o A. A. seja verdadeiramente simples. Pode ser que alguns ainda nos perguntem: Não estaremos nos afastando de nossa Tradição original segundo a qual “A. A. como tal, nunca deverá ser organizado?” Absolutamente, não.
Não estaremos “organizados” enquanto não criarmos um governo; enquanto não dissermos quem deve ou não ser membro; enquanto não autorizarmos nossas juntas e comitês de serviços a impor castigos por falta de afinidade, por não contribuir com dinheiro ou por mau comportamento. Eu sei que cada AA em seu coração compartilha a convicção de que nunca poderá acontecer nenhuma dessas coisas. Simplesmente organizados, nossos princípios para que se possam entender melhor, e continuarmos organizando assim nossos princípios com a finalidade de poder fazer uma transfusão do sangue vital de A. A. aos que sem ele morreriam. Nisto consiste exclusivamente a “organização” de A. A. Nunca poderá haver mais. Uma pergunta para terminar: “Terá desaparecido do mundo de A. A. a época de café e bolos de amizades íntimas porque nós estamos modernizando?”

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Venha nos visitar e compartilhar conosco...


 
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
GRUPO EM ARAÇÁS
Rua Caracas, 103 - Araçás - Vila Velha - ES - CEP: 29103-540
Reuniões: Segunda, terça, quarta e sexta 19:30h.
(Próximo ao Maderauto Material de Construção)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Reuniões no Grupo em Itapoã - Vila Velha - ES



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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Uma aula de espiritualidade

VIVÊNCIA
REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS - Nº 65 - MAI/JUN 2000
Uma aula de espiritualidade
Foi como se eu tivesse realmente "pronto" - no quarto ano de A.A. - para ler o texto do filósofo norte-americano William James, considerado o "pai da moderna psicologia". Li Variedades da Experiência Religiosa como quem estuda: com cuidadosa atenção e anotando passagens importantes num bloco de papel. Como não encontrei uma edição em português, recorri a um volume em espanhol, numa biblioteca pública, e isso por si só tornou minha leitura ainda mais atenta.
Foram muitas e gratíssimas as surpresas. A experiência foi notável, não só por confirmar para mim aspectos da espiritualidade que eu já havia percebido, por meio da prática do programa de A.A. - a exemplo da consideração do autor de que "Deus é real desde o momento em que produz efeitos reais", mas também porque me abriu novas e valiosas perspectivas de crescimento espiritual, ao esclarecer sensações que já tinham me assaltado mas que não conseguia identificar com clareza. Caso desta passagem:
"A prece ou a comunhão íntima com o espírito transcendental - seja 'Deus' ou 'lei' - constitui um processo onde o fim se cumpre realmente, e a energia espiritual emerge e produz resultados precisos, psicológicos ou materiais, no mundo fenomenológico.".
Ao final da leitura sobrou para mim uma certeza: a de que o crescimento espiritual constante poderá me conduzir a um estado em que minhas preces deixem de ser meramente súplicas (como foram até agora e acredito que assim continuarão por tempo indeterminado) e assem a representar um estado mais elevado, em que eu possa louvar e amar a Deus como Ele merece ser louvado e amado - para que a semente de Sua presença dentro de meu próprio espírito possa se tornar plenamente efetivada.
Confesso que, de início, não achava que fosse ler o livro inteiro, mas apenas dois dos 20 capítulos, os que tratam da conversão (que eu entendo como despertar espiritual). Findos os dois capítulos (cada capítulo corresponde a cada uma das 20 conferências realizadas por James na Universidade de Edimburgo, na Inglaterra, entre 1901 e 1902), compreendi que tinha aberto uma arca de tesouro, passando a devorar tudo.
Há no livro um aspecto que, logo de saída, me fisgou: a generosidade do mestre, que não dá um passo sem relatar detalhadamente casos verídicos (alguns envolvendo alcoólicos), além de citar bastante outros autores e pesquisadores - como é o caso destas palavras , creditadas ao professor Leuba, contemporâneo seu e também precurssor da psicologia da religião:
"Deus não é conhecido, não é compreendido, é simplesmente utilizado, às vezes como provedor material, às vezes como suporte moral, às vezes como amigo, às vezes como objeto de amor. Se demonstrar sua utilidade, a consciência espiritual não exige mais nada.
Existe Deus realmente?
O que é?, são perguntas irrelevantes.
Não é a Deus que encontramos na análise última dos fins da espiritualidade, mas sim a vida, maior quantidade de vida, uma vida mais ampla, mais rica, mais satisfatória. O amor à vida, em qualquer e em cada um de seus níveis de desenvolvimento, é o impulso religioso".
Outra citação, creditada pelo autor a Frederic Myers: "Se perguntarmos a quem dirigir a prece, a resposta (curiosamente, é certo...) há de ser isso não tem demasiada importância; a prece não é uma coisa puramente subjetiva, significa um incremento real da intensidade de absorção de poder espiritual - ou graça -, mas não sabemos suficientemente o que ocorre no mundo espiritual, para saber como atua a prece, quem toma conhecimento dela, ou por que tipo de canal é outorgada a graça".
James também afirma que "o ponto religioso fundamental é que na prece e energia espiritual - em outros momentos adormecida - torna-se ativa e realmente se efetua uma obra espiritual de algum gênero". Ele constatou, em suas extensas pesquisas sobre homens e mulheres que conseguiram despertar seu íntimo espiritual , que "o novo ardor que acende o peito dessas pessoas consome, com seu fulgor,as inibições inferiores que antes as perseguiam e imuniza-as da porção vil de suas naturezas. A magnanimidade, antes impossível, agora parece fácil; os convencionalismos insignificantes e os vis incentivos, antes tirânicos, agora não mais as subjugam".
Muito antes da fundação de A.A., James já utilizava palavras muito familiares a todos nós, membros da Irmandade: "O despertar espiritual pode advir por um crescimento gradual ou abruptamente (por crisis), mas em qualquer desses casos parece ter chegado 'para ficar'...". Citando Starbuck, outro contemporâneo seu, James comenta que o efeito do despertar espiritual consiste em proporcionar "uma mudança de atitudes com relação à vida, que é constante e permanente, ainda que os sentimentos flutuem...".
Essa singela colocação, "ainda que os sentimentos flutuem", produziu em mim um efeito balsâmico. É que durante um bom período de minha recuperação pessoal, vivia com medo de que minhas oscilações emocionais constituíssem um grande risco. É certo que preciso continuar muito atento a meus altos e baixos emocionais, mas o fato é que tal reflexão veio confirmar o que eu já vinha percebendo há algum tempo. Ou seja, que, como ser humano, estou sujeito a uma certa gangorra de sentimentos, que nem sempre, contudo, leva a uma recaída alcoólica.
Um pouco mais de esclarecimento, sobre os meus temores de recaída, chegou-me com essa reflexão: "Enquanto a nova influência emocional não alcançar um tom de eficácia determinante, as mudanças que produz são inconstantes e volúveis e o homem volta a recair em sua atividade original.
Mas quando uma emoção nova consegue uma certa intensidade, atravessa-se um ponto crítico, conseguindo-se uma revolução irreversível equivalente à produção de um novo estado natural".
E é muito significativo que, 35 anos antes da fundação de A.A., William James, confrontando o "santo" (para o autor, santa é toda pessoa com faculdades espirituais fortes e desenvolvidas) e o "homem forte" (refere-se ao conceito de super-homem, de Nietzche), tenha escrito: "(...) No entanto, é possível conceber uma sociedade imaginária na qual não caiba a agressividade mas sim apenas a simpatia e a justiça - qualquer pequena comunidade de verdadeiros amigos conduz a essa sociedade. Quando consideramos abstratamente esta sociedade, ela seria, em grande escala, o paraíso, já que cada coisa boa se produziria sem nenhum desgaste. O santo se adaptaria perfeitamente a essa sociedade.
Suas maneiras pacíficas seriam positivas para seus companheiros e não haveria ninguém que se aproveitasse de sua passividade. Portanto, o santo é, abstratamente, um tipo de homem superior ao 'homem forte', porque se adapta a essa sociedade mais elevada concebível, sem depender para nada o fato desta sociedade vir a se concretizar ou não jamais". Impossível não fazer uma analogia com A.A.
Nessa altura de minha programação pessoal, estou amplamente convencido de que a vasta literatura de A.A. é mais do que suficiente para minha recuperação constante - só por hoje.
Lendo o livro de William James , pude sentir uma enorme satisfação também pelo fato de estar bebendo das águas de um dos regatos dos quais Bill W. se serviu. E uma grande necessidade de compartilhar minha experiência com os leitores da revista.
Vinte e quatro horas a todos.
Juan, São Paulo/SP
Vivência nº 65 - maio/junho 2000

domingo, 20 de janeiro de 2013

Amor incondicional


Tenho 38 anos de idade e sou uma mulher negra e alcoólica.
Tenho escutado nas salas, pessoas relatarem que no momento em que entraram na primeira reunião, sabiam que faziam parte dali, mas isto não aconteceu comigo. Fui à primeira reunião de A.A. sozinha, após trinta dias num centro de tratamento. Entrei, peguei uma xícara de café e me sentei. Estavam lá três ou quatro homens brancos conversando em pé. Nenhum deles percebeu a minha presença. Outro homem entrou e começou a relatar aos outros a respeito de seu dia de trabalho. Não creio que ele tenha reparado em mim e começou a falar em um colega de trabalho referindo-se a ele como um "crioulo". Não é necessário dizer como me senti. Agarrei-me na cadeira e li a Terceira Tradição, que estava na parede, e nos diz que o único requisito para ser membro de A.A. é o desejo de parar de beber. Ela não diz nada sobre sexo, raça, religião, idade, etc., e senti que, acima de tudo, eu tinha o desejo de não beber.
Todos os tipos de idéias malucas me vieram à mente. Sou da cidade de New York e desde criança ouvia todo tipo de historias de horror sobre as pessoas do sul. Eu não sabia se seria enforcada numa árvore ou coisa pior. O que realmente sabia, é que não desejava me deter diante de nenhum obstáculo para permanecer sóbria. Portanto, mesmo apavorada, fiquei naquela reunião. Ao final, todos se deram às mãos, rezando o Pai Nosso e cantaram.
Algum tempo depois, um daqueles homens que estavam presentes em minha primeira reunião, introduziu-me no serviço de A.A. e eu consegui amar a todos eles, mesmo àquele que teve a atitude discriminatória. Hoje sinto que faço parte de A.A. Fiz desse grupo a minha família. Todos demonstraram um amor incondicional por mim e nenhum repara na minha cor. Amadrinho diversas mulheres brancas e sou secretária do grupo. Aprendi duas lições naquele primeiro dia:
1) Alguns de nós são mais doentes do que os outros, mas somos todos filhos de Deus, com o direito de acertar e de errar;
2) Irei sempre acolher um recém-chegado com amor e carinho, pois sei como alguém se sente ao chegar à ultima casa do último quarteirão e não ser bem-vindo.
Portanto, se você é um iniciante, tem problema de bebida e não se sente fazendo parte, continue retornando, pois A.A. de fato funciona.


N. Charleston Carolina (USA)
VIVÊNCIA N°. 27 JAN/FEV. DE 1994

sábado, 19 de janeiro de 2013

Mente aberta: caminho para a sanidade

 

 

Em busca da fé perdida!a saida

Quando procurei me aproximar do 2º Passo enfrentei um dilema bastante sério: - "Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade."

Ao ler o passo e a mensagem que ele trazia dizendo que somente um "Poder Superior" poderia resolver minha obsessão pelo álcool, fiquei extremamente desapontado.

Eu já não acreditava mais na existência de Deus. Eu me enquadrava na situação daqueles que já tiveram fé e a perderam.

O alcoolismo desenvolveu dentro de mim um enorme preconceito contra a religião e seus adeptos. Por isso no início de minha caminhada em A.A. se algum companheiro tivesse tentado me impor alguma religião eu estaria fora das reuniões, pois não conseguia encontrar uma fé que funcionasse para mim.

No meu tempo de ativa fui um líder religioso. Tive uma igreja aos meus cuidados e fui pregador da palavra de Deus.

Nessa época eu acreditava que por ser muito religioso Deus resolveria meu problema de alcoolismo. Mas aí veio a derrota.

Cheguei a pregar a palavra de Deus em púlpito, totalmente embriagado.

A igreja me expulsou e não permitiu mais que eu pregasse.

Alguns membros da igreja julgavam que eu tivesse uma legião de demônios junto de mim.

Veio então a derrota total e conseqüentemente cai nas sarjetas.

Eu me encontrava completamente desnorteado, quando alguns companheiros de A.A. tentaram me ajudar dizendo-me que eu deveria ter a mente aberta e humildade, pois assim eu seria novamente conduzido à fé . E que eu não faltasse às reuniões de A.A., pois com certeza, Deus me ajudaria e me devolveria à sanidade.

Mas o que realmente me libertou de todos os traumas religiosos foi justamente uma carta que recebi de uma companheira da cidade de Campinas/SP., quando eu me correspondia com a "RIS" ( Reunião de Internacionalista e Solitários).

Ela me enviou uma reportagem que saiu no jornal onde contava a incrível história de um garotinho que permaneceu agarrado a um toco de árvore dentro de um rio por três dias esperando socorro de seu pai.

Eles estavam pescando e foram acometidos por uma forte tempestade.

O pai do garoto não conseguindo trazê-lo devido à forte correnteza ordenou que ele se agarrasse àquele toco e não o largasse por nada.

Quando o garoto foi encontrado pelos policiais levaram-no ao hospital e tendo alta os repórteres lhe perguntaram se ele não teve medo de morrer.

O garoto com um grande sorriso no rosto respondeu que não, pois tinha certeza que seu pai voltaria para salvá-lo.

Estou no programa de de A.A. há oito anos e meio, e sóbrio.

Segurei no galho e não o larguei por nada. Consegui me encontrar com Deus na forma que eu O concebo.

Hoje tenho uma fé que funciona! Hoje sei que esteja onde eu estiver, aconteça o que acontecer haja o que houver, nunca mais estarei sozinho!

Garcia/Ribeirão Preto/SP
Revista Vivência - Matéria do Mês - Edição 112

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Espiritualidade em A.A.

 

O que é espiritualidade?

Certa vez fizeram esta pergunta ao Dalai-Lama e ele deu uma resposta extremamente simples “Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”. Não entendendo direito, alguém perguntou novamente: mas se eu praticar a religião e observar as tradições, isso não é espiritualidade? O Dalai-Lama respondeu. Pode ser espiritualidade, mas, se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade.

Parece-me que o principal a ser retido desse pequeno diálogo com o Dalai-Lama, é que espiritualidade é aquilo que produz dentro de nós uma mudança. O ser humano é um ser de mudanças, pois nunca está pronto, está sempre se fazendo, física psíquica, social e culturalmente. Mas há mudanças e mudanças. Há mudanças que não transformam nossa estrutura de base. São superficiais e exteriores, ou meramente quantitativas.

Já a Espiritualidade em A.A., é algo muito sublime, o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave, o meio de que A.A. dispõe em nosso preparo para a recepção dessa dádiva, está na prática dos Doze Passos de nosso programa. Portanto, procedamos a um rápido levantamento do que temos tentado fazer até aqui.

O Primeiro Passo nos revelou um fato surpreendentemente paradoxal: descobrimos que éramos totalmente incapazes de nos livrar da obsessão pelo álcool até que admitíssemos nossa impotência diante dele. No Segundo Passo vimos que já não éramos capazes de, por nossos próprios meios, retornar à sanidade, e que algum Poder Superior teria que fazê-lo por nós, para que pudéssemos sobreviver. Em conseqüência, no Terceiro Passo, entregamos nossa vontade e nosso destino aos cuidados de Deus, na forma em que o concebemos.
A título provisório, aqueles de nós que eram ateus ou agnósticos descobriram que o nosso Grupo ou AA no todo, poderia atuar como Poder Superior. A partir do Quarto Passo começamos a procurar dentro de nós as coisas que nos haviam levado à bancarrota física, moral e espiritual e fizemos um corajoso e profundo inventário moral. Em face do Quinto Passo decidimos que apenas fazer um inventário não seria suficiente, sabíamos que era necessário abandonar nosso funesto isolamento com nossos conflitos e, honestamente, confiá-los a Deus e a outro ser humano. No Sexto Passo, muitos dentre nós recuaram pela simples razão de que não desejavam a pronta remoção de alguns defeitos de caráter dos quais ainda gostavam muito, sabíamos, porém, todos, da necessidade de nos ajustar ao princípio fundamental deste passo, portanto decidimos que embora tivéssemos alguns defeitos de caráter que ainda não podíamos expulsar, devíamos de todos os modos abandonar nossa obstinada e revoltante dependência deles. Dissemos, “Talvez não possa fazer isso hoje mas, pelo menos, posso parar de protestar. Então no Sétimo Passo, rogamos humildemente a Deus que, de acordo com as condições reinantes no dia do pedido e, se esta fosse a Sua vontade, nos libertasse de nossas imperfeições. No Oitavo Passo, continuamos a limpeza de nosso interior, pois sabíamos que não só estávamos em conflito conosco, como também com pessoas e fatos do mundo em que vivíamos. Precisávamos começar a restabelecer relações amistosas e, para esse fim, relacionando as pessoas que havíamos ofendido, nos propusemos, com disposição, a remediar os males que praticamos. Prosseguimos nesse desígnio no Nono Passo, reparando diretamente junto às pessoas atingidas, os danos que causamos, salvo quando disso resultassem prejuízos para elas ou outros. No Décimo Passo, havíamos iniciado o estabelecimento de uma base para a vida cotidiana, conhecendo claramente que seria necessário fazer de maneira contínua o inventário pessoal, admitindo prontamente os erros que fôssemos encontrando. No Décimo Primeiro Passo, vimos que, se um Poder Superior nos havia devolvido à sanidade e permitido que vivêssemos com relativa paz de espírito num mundo conturbado, valia a pena conhecê-lo melhor, através do contato mais direto possível, ficamos sabendo que o uso persistente da oração e da meditação abria, de fato, o canal para que, no lugar onde havia existido um fio de água, corresse um caudaloso rio que levava em direção ao indiscutível poder e a orientação segura de Deus, tal como estávamos podendo conhecê-lo, cada vez melhor.

Assim, praticando esses passos, experimentamos um despertar espiritual e a espiritualidade em AA sobre o qual não nos restava a menor dúvida, e agora, o que diremos do Décimo Segundo Passo? A energia maravilhosa que ele desencadeia e a ação pronta pela qual leva nossa mensagem ao próximo alcoólico sofredor, e que finalmente convertem os Doze Passos em ação sobre todas as nossas atividades é a recompensa, a magnífica realidade de Alcoólicos Anônimos, é comum em quase todos os membros de AA, a afirmação de que nenhuma satisfação é mais profunda e nenhuma alegria é mais intensa e duradoura do que um décimo segundo passo bem executado, contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados à medida em que passa das trevas à luz, suas vidas se tornando rapidamente cheias de propósito e sentido, famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável, e acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas vidas, são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando levamos a mensagem de AA ao irmão sofredor. Isto é espiritualidade em AA.

Agora, a maior pergunta que já fizemos: o que dizer da prática destes princípios em todas as nossa atividades? Temos condições para amar a vida em todos os seus aspectos com tanto entusiasmo quanto amamos aquela pequena parcela que descobrimos, quando tentamos ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade? Somos capazes de levar às nossas vidas em família, por vezes bastante complicadas, o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos nossos companheiros do grupo de AA? As pessoas de nossa família que foram envolvidas e até marcadas pela nossa doença, merecem de nós o mesmo grau de confiança e fé que temos em nossos padrinhos? Estamos prontos para arcar com as novas e reconhecidas responsabilidades que nos cercam? Além do mais, como podemos nos ajustar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Podemos aceitar a pobreza, a doença, a solidão e o luto com coragem e serenidade? A resposta de AA, a tais perguntas é: sim tudo isso é possível, se vivenciarmos os Doze Passos de AA. Isso é espiritualidade em AA. É mais maravilhoso ainda, sentir que não é necessário sermos especialmente distinguidos dentre nossos companheiros para podermos ser úteis e profundamente felizes. Muitos de nós podemos ser líderes proeminentes e nem querem ser, o serviço prestado com prazer, as obrigações cabalmente cumpridas, os reveses calmamente aceitos ou resolvidos com a ajuda de Deus, o reconhecimento de que, tanto no lar como fora dele, somos confrades num esforço comum, o bem compreendido fato de que, perante Deus, todos os seres humanos são importantes. A prova de que o amor, livremente oferecido, na certa traz um retorno total, a certeza de que não mais estamos isolados e sozinhos em prisões criadas pela nossa mente, a segurança de que não somos mais desadaptados, senão que nos integramos e fazemos parte do esquema de coisas criadas por Deus. Estas são as satisfações permanentes e legítimas de que fruímos de uma vida correta, que nenhuma pompa ou ostentação de riquezas materiais poderá suplantar, isto é espiritualidade em AA, é dar sem esperar nada em troca, é viver e deixar viver, isto é espiritualidade em AA.

Juracy M.   www.aaareadodf.org       Colaboração,  Grupo Carmo Sion de AA

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Convite para Temática



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ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
GRUPO ARAÇÁS
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Primeira Reunião do Grupo em Itapoã - Vila Velha - ES



Aos Companheiros, Companheiras, Amigos e Amigas de AA.
É com grande satisfação que convidamos para Primeira Reunião do
Grupo de Alcoólicos Anônimos em Itapoã, Vila Velha - ES.
Informamos ainda que em breve estaremos realizando uma Reunião de Informação ao Público.
Desde já agradecemos sua presença.
Serenidade e PAZ.