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terça-feira, 9 de julho de 2019

Experimente Alcoólicos Anônimos.



Mudança de personalidade


"Com freqüência se tem dito a respeito de A.A., que somente estamos interessados no alcoolismo. Isso não é verdade. Temos que vencer a bebida para continuarmos vivos. Mas quem quer que conheça a personalidade do alcoólico, através do contato mais direto, sabe que nenhum alcoólico verdadeiro pára completamente de beber sem sofrer uma profunda mudança de personalidade".
1940 - Bill W.


Tradução livre:
"A reclamação ou lamentação, traz a pobreza, enquanto a gratidão traz abundância"


sábado, 13 de janeiro de 2018

Ser abstêmio é pouco - Eduardo Mascarenhas

Ser abstêmio é pouco



Os Alcoólicos Anônimos (A.A.) e os Narcóticos Anônimos (N
A) vêem uma profunda diferença entre uma pessoa que simplesmente deixou de beber ou de usar drogas e uma outra que tenha ido mais fundo e conquistado um grau superior de moderação. Uma coisa é simplesmente se abster, outra é alcançar a sobriedade. Ser abstêmio é uma coisa. Ser sóbrio, outra.
O abstêmio é aquele que atingiu um nível inferior de convivência com sua compulsão. Ele conseguiu parar com o álcool ou as drogas, é verdade, mas não pacificou suas emoções.
Aqui cabe um esclarecimento sobre as compulsões ao álcool e às drogas, do ponto-de-vista dos grupos anônimos.
De acordo com eles, as causas dessas compulsões seriam desconhecidas. É como se existisse em certas pessoas uma voracidade específica ou, como já se disse aqui, um tubarão alcoólico ou drogado navegando em seus mares interiores. A simples presença do álcool ou das drogas o deixaria enlouquecido de desejo e, então, não haveria força de vontade humana capaz de contê-lo. Para conviver com ele, é decisivo não incitá-lo. Com o passar do tempo ele se aquieta, permanece adormecido e nem faz notar sua existência. O abstêmio chegou até aí.
Contudo ele não trabalhou sua personalidade ou suas emoções. Isso não quer dizer que fatores psicológicos possam gerar alcoolismo ou toxicomania. Já vimos que não. Essas compulsões são causadas por fatores desconhecidos e não por esse ou aquele tipo de personalidade ou emoção.
Entretanto, todos nós sabemos que certas emoções, certos modos de reação aos acontecimentos fazem determinadas personalidades ficarem completamente fora de si. Por exemplo, as emoções agressivas, as reações coléricas embriagam mais que o álcool, excitam mais que as drogas. Ou as oscilações descontroladas do humor, ora para cima, ora para baixo. Elas sacodem a pessoa por tudo quanto é lado. Num momento ela se sente eufórica, noutro, um trapo. Num dia a vida é bela e tudo vai dar certo; noutro a vida não vale a pena ser vivida. Pequenos motivos geram enormes reações. Tudo exagerado, desmedido, desenfreado.
Imaginem um abstêmio, naquele delicado equilíbrio, naquele fio de navalha que o separa de um recaída, em estados de tamanha turbulência!
Claro, se ele não fosse tomado pela compulsão química, essa turbulência não geraria senão mais turbulência. Ele apenas iria se atolando na neurose, não no álcool ou nas drogas. Todavia, se ele tem a compulsão, essa turbulência lhe poderá ser fatal.
É como se o seu tubarão, ao invés de incitado por "sangue" alcoolizado ou encharcado de drogas, fosse chocoalhado por águas abruptas e revoltas. Ele, que estava adormecido, provavelmente despertará. E tome recaída.
Emoções e personalidades turbulentas não causam dependência química. Mas favorecem recaídas.
Por isso há necessidade de ultrapassar a simples abstinência e atingir graus mais elevados de sobriedade. Tubarões não incitados, em águas serenas ou de movimentos harmônicos, aquietam-se mais permanentemente...


* Dr. Eduardo Mascarenhas ( Psicanalista )






terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A historia de AA em poucas palavras!

Veja a verdade!






AA é + que parar de beber

O alcoolismo é, sem dúvida alguma, a mais mal interpretada e mal compreendida doença em todo o mundo. É a única doença da qual homens e mulheres sofrem e cuja natureza é tal que ela convence essas mesmas pessoas de que não estão doentes. É exatamente por isso que tem causado mais problemas, mais sofrimento, mais miséria do que qualquer outra doença da qual a humanidade já tenha sofrido. Jamais existiu uma só pessoa que, tendo vivido neste mundo, quisesse ser alcoólatra.                                                                                                                  Bill C. (Juiz) NY.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

BOA VONTADE: A CHAVE DO SUCESSO

 


Mesmo estando em recuperação há algumas 24 horas, sentia que a programação de A.A. ainda não estava presente em minha vida, pois eu acordava pela manhã mesmo sem ressaca há vários anos, reclamando:  Nossa já é hora de levantar, passou tão rápido esta noite! Tenho que ir trabalhar mesmo?

Era assim que começava o meu dia e no decorrer deste, batia uma monotonia, uma tristeza sem explicação. Assim, eu ia levando, reclamando, me tornando sem perceber, um verdadeiro ranzinza.
Esta fase aconteceu após 3 anos em A.A., até que um “AAmigo”, certo dia me disse: -

  • Faça o 3º Passo;
  • entregue sua vida aos cuidados do seu Poder Superior;
  • mude seu foco;
  • comece a agradecer ajudando sem esperar retorno;
  • seja grato por acordar cedo e sem ressaca, pois que precisa acordar cedo é porque esta trabalhando e se tem um trabalho terá pão em sua mesa;
  • agradeça por estar em recuperação e que a programação está funcionando para você.

Aquelas palavras mudaram meu caminho!


Recordo-me quando eu estava no sanatório e que meu maior patrimônio eram minhas sandálias havaianas.
Bastou um pouco de boa vontade para eu encontrar a chave do sucesso!
Hoje acordo pela manhã e agradeço ao meu Poder Superior por estar em A.A., por estar sóbrio e com minha família.
Tenho um bom trabalho, voltei a estudar e sou saudável.
Agradeço ao A.A. e ao Poder Superior pela minha vida, pela minha felicidade.
Hoje sim, tenho prazer no trabalho, nos meus momentos de lazer com minha família, pois amo minha esposa e retribuo a força que ela me dá em minha programação. Amo meus filhos e isso companheiros é porque entreguei minha vontade e minha vida aos cuidados de um Poder Superior como O concebo.


Só Por Hoje! Funciona. Felizes 24 Horas de Sobriedade e Serenidade.
(Fonte: Revista Vivência – 113 – Mai./Jun. 2008 – Euler/Goiânia/GO)

Dr. Silkworth a respeito de Jesus Cristo

 

Capa do livro "Silkworth: The Little Doctor Who Loved Drunks"

By Dale Mitchel (Hazelden-Pittman 2002)

Dr. Silkworth a respeito de Jesus Cristo
Os praticantes dos Doze Passos que estudam o Livro Azul de A.A. estão, é claro, familiarizados com o mentor médico de Bill Wilson, Dr. William Duncan Silkworth. Bill o chamava do bom pequeno doutor que amava os bêbados. Silkworth, um psiquiatra, tinha tratado milhares de alcoólicos e era diretor do Towns Hospital em New York, onde Bill tinha várias vezes buscado ajuda. Apesar de que o Dr. Silkworth tenha explicado a doença do alcoolismo para Bill, este continuou a beber até encontrar seu padrinho Ebby Thacher, que tinha se recuperado através do programa espiritual do Grupo Oxford. Ebby tinha também ido à Missão de Recuperação do Calvário, mantida pela Igreja Episcopal do Calvário do Reverendo Dr. Sam Shoemaker em New York; e Ebby lá fez sua opção por Cristo. Wilson foi para lá com o mesmo propósito e, de acordo com uma conversa que o autor manteve com a viúva do Dr. Shoemaker (Helen Smith Shoemaker), Bill Wilson fez sua opção por Cristo na Missão de Recuperação. Bill permaneceu bêbado por alguns dias e então foi ao Towns Hospital e de novo buscou a ajuda do Dr. Silkworth. E foi durante essa internação, que Bill conheceu os passos de mudança de vida do Grupo Oxford, e teve sua experiência de iluminação, relatou-a para o Dr. Silworth, e ouviu do Dr. Silkworth, que para ele (Bill) seria melhor apegar-se ao que lhe acontecera. Silkworth posteriormente foi chamado para escrever o capitulo “Opinião do Médico” que abre o texto básico do Livro Azul. O retrato de Silkworth no Passar Adiante de A.A., a biografia da vida de Bill.
Pouco antes de sua morte, o autor passou uma hora com o Dr. Norman Vincent Peale, amigo de A.A., o Reverendo Sam Shoemaker, e Bill Wilson. O Dr. Peale falou-me das conversas que tivera com Bill Wilson à respeito da conversão de Bill. No entanto, até 1997, não tive notícias do relato de Peale acerca do Dr. William Duncan Silkworth. Pode ser encontrado no livro de Norman Vincent Peale, The Positive Power of Jesus Christ (O Poder Positivo de Jesus Cristo) [New York: Foundation for Christian Living, 1980], paginas 60-61. Aparece sob o título The Wonderful Story of Charles K.. (A Maravilhosa Estoria de Charles K.).
Charles, um homem de negócios de Virginia, tornou-se um bebedor contumaz; tanto que sentiu a necessidade de procurar ajuda, e rapidamente, pois sua vida estava desmoronando. Marcou uma consulta com o finado Dr. William Duncan Silkworth, um dos maiores experts em alcoolismo da nação, que trabalhava em um hospital publico de Nova Iorque (O Charles Towns Hospital). Recebendo Charles como paciente em sua clínica, o doutor administrou o tratamento por alguns dias, e então o chamou a seu consultório. Charles, disse ele, eu fiz tudo que é possível por você. Neste momento você está livre de seu problema. Mas há uma área em seu cérebro na qual você pode manter um resíduo, que eventualmente pode fazer com que você volte às bebidas. Gostaria de poder alcançar este local no seu inconsciente , mas droga, não tenho esta capacidade.
Mas doutor, exclamou Charles, o senhor é o mais capacitado médico neste campo. Quando o procurei, vim para o maioral. Se o senhor não pode me curar, então que pode faze-lo? O doutor hesitou por momentos, e então respondeu pensativamente, Há outro Doutor que pode completar essa cura, mas Ele é muito caro.
Está bem, disse Charles, Eu posso conseguir o dinheiro. Eu posso pagar seus honorários. Não posso voltar para casa antes de ficar curado. Quem é esse doutor aonde posso encontrá-lo?
Oh, mas esse Médico não é nem um pouco moderado nos custos, persistiu o Dr. Silkworth. Ele quer tudo o que você possui. Ele quer você, você por inteiro. Então Ele dá a cura. O preço é você por completo. Então acrescentou vagarosa e expressivamente, Seu nome é Jesus Cristo e tem seu Consultório no Novo Testamento e está à disposição a qualquer hora que você precisar Dele.
O Dr. Peale então descreve a recuperação de Charles através do poder de Jesus Cristo.


Esse artigo foi escrito por Dick B.
Para maiores informações históricas visite o site de Dick B.
http://www.dickb.com/ndex.shtml .

Contem 10 anos de pesquisas das origens bíblicas dos 12 Passos
Retirado com permissão de
http://silkworth.net/grapevine/grapevine traditions.html
Tradução: DS17AA Setor 05 Área RJ

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Parar de beber é fácil: DIFÍCIL É NÃO VOLTAR A BEBER


" PARAR DE BEBER É FÁCIL "

Dr. Eduardo Mascarenhas  (Psicanalista )
Parar de beber é tão fácil que não há alcoólatra no mundo que não tenha parado de beber dezenas de vezes. Algumas delas - é verdade - duram não mais que uma tarde ou uma noite. Nesse período, contudo, o alcoólatra jurou a si próprio que jamais voltaria a beber.
Geralmente essas decisões solenes de se manter afastado do copo vêm pela manhã seguinte de algum imenso pileque. A cabeça ainda está zonza, dói tanto que parece que há um martelo batendo no crânio; a boca está amarga e seca, o estômago em brasa, o corpo todo intoxicado. Nesse estado típico de uma "ressaca", vão reaparecendo, aos poucos, as lembranças da noite anterior: os vexames, as inconveniências, os despautérios. Acrescenta-se à ressaca física, a ressaca moral. Isso quando ressurgem as lembranças, pois muitas vezes o alcoólatra enfrenta a terrível angústia de não se lembrar de nada do que fez - o famoso "branco".
De tantas ressacas e vexames, o alcoólatra pára de beber por meses e até por anos. Que alívio! parece que não padece mais daquela terrível compulsão. Nem sente mais vontade de beber: vai às festas e nem se liga no garçom. Sinceramente, não sente mesmo mais falta da bebida. Nem sonha mais com ela...
Ora, com justa razão imagina-se curado. Não é mais alcoólatra. É uma pessoa como outra qualquer.

DIFÍCIL É NÃO VOLTAR A BEBER

Embalado nessa crença, estabelece a taxativa distinção: "beber é uma coisa, ser alcoólatra, outra".
Por via das dúvidas, contudo, não convém arriscar. Nada de whisky, vodca, conhaque ou cachaça. Ele já sofreu demais e respeita o álcool. Agora, um chopinho gelado - só um - ou um gole de vinho branco, também geladinho, não há de fazer mal a ninguém;
De fato, nada acontece. Naquele dia. Naquele dia seguinte, porém. à mesma hora, ele se lembra do dia anterior. E, pela primeira vez, volta a sentir uma vontadezinha de beber. Tenta se controlar. Aí vem aquelas ideias que até parecem sopradas por Satanás: "Mais um golinho não vai fazer mal! Hoje só. Amanhã você pára de vez. Só para matar a saudade!"
Talvez tome mais uma bebidinha, talvez não tome, mas recomeça a tortura: a vontade de beber volta e a luta contra ela leva-o à exaustão; até nos sonhos ele está bebendo ou louco para beber e já acorda pensando nisso. Sua vida se reduz a isso.
Nesse estado, a mente lhe propões um pacto: "Volte a beber, mas só à noite. Com moderação. E só bebidas fraquinhas, ou bebidas fortes com muito gelo e soda, em dose bem diluída, para render e não dar pileque". Ás vezes ele tolera esse pacto por alguns dias. Mas a vontade de beber não se modera nem se sacia. Manifesta-se cada vez com mais força. Aí ele volta a beber com a mesma fúria de antes. Talvez até com fúria maior, para ir à forra de todo aquele período em que não bebeu. Bebe tudo que bebia antes, mais tudo que deixou de beber.
Procura médicos e hospitaliza-se. Toma todo o tipo de remédio. Desintoxica-se, descansa a cabeça. Se tem dinheiro, vai ao psicanalista.
Mas nada resolve. Novamente pára um tempo de beber, para depois voltar ao álcool com voracidade redobrada.

Dr. Eduardo Mascarenhas ( Psicanalista )
Que o PS conceda-nos infinitas 24 Hs. SÓ POR HOJE!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Mente aberta: caminho para a sanidade

 

 

Em busca da fé perdida!a saida

Quando procurei me aproximar do 2º Passo enfrentei um dilema bastante sério: - "Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade."

Ao ler o passo e a mensagem que ele trazia dizendo que somente um "Poder Superior" poderia resolver minha obsessão pelo álcool, fiquei extremamente desapontado.

Eu já não acreditava mais na existência de Deus. Eu me enquadrava na situação daqueles que já tiveram fé e a perderam.

O alcoolismo desenvolveu dentro de mim um enorme preconceito contra a religião e seus adeptos. Por isso no início de minha caminhada em A.A. se algum companheiro tivesse tentado me impor alguma religião eu estaria fora das reuniões, pois não conseguia encontrar uma fé que funcionasse para mim.

No meu tempo de ativa fui um líder religioso. Tive uma igreja aos meus cuidados e fui pregador da palavra de Deus.

Nessa época eu acreditava que por ser muito religioso Deus resolveria meu problema de alcoolismo. Mas aí veio a derrota.

Cheguei a pregar a palavra de Deus em púlpito, totalmente embriagado.

A igreja me expulsou e não permitiu mais que eu pregasse.

Alguns membros da igreja julgavam que eu tivesse uma legião de demônios junto de mim.

Veio então a derrota total e conseqüentemente cai nas sarjetas.

Eu me encontrava completamente desnorteado, quando alguns companheiros de A.A. tentaram me ajudar dizendo-me que eu deveria ter a mente aberta e humildade, pois assim eu seria novamente conduzido à fé . E que eu não faltasse às reuniões de A.A., pois com certeza, Deus me ajudaria e me devolveria à sanidade.

Mas o que realmente me libertou de todos os traumas religiosos foi justamente uma carta que recebi de uma companheira da cidade de Campinas/SP., quando eu me correspondia com a "RIS" ( Reunião de Internacionalista e Solitários).

Ela me enviou uma reportagem que saiu no jornal onde contava a incrível história de um garotinho que permaneceu agarrado a um toco de árvore dentro de um rio por três dias esperando socorro de seu pai.

Eles estavam pescando e foram acometidos por uma forte tempestade.

O pai do garoto não conseguindo trazê-lo devido à forte correnteza ordenou que ele se agarrasse àquele toco e não o largasse por nada.

Quando o garoto foi encontrado pelos policiais levaram-no ao hospital e tendo alta os repórteres lhe perguntaram se ele não teve medo de morrer.

O garoto com um grande sorriso no rosto respondeu que não, pois tinha certeza que seu pai voltaria para salvá-lo.

Estou no programa de de A.A. há oito anos e meio, e sóbrio.

Segurei no galho e não o larguei por nada. Consegui me encontrar com Deus na forma que eu O concebo.

Hoje tenho uma fé que funciona! Hoje sei que esteja onde eu estiver, aconteça o que acontecer haja o que houver, nunca mais estarei sozinho!

Garcia/Ribeirão Preto/SP
Revista Vivência - Matéria do Mês - Edição 112

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Espiritualidade em A.A.

 

O que é espiritualidade?

Certa vez fizeram esta pergunta ao Dalai-Lama e ele deu uma resposta extremamente simples “Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”. Não entendendo direito, alguém perguntou novamente: mas se eu praticar a religião e observar as tradições, isso não é espiritualidade? O Dalai-Lama respondeu. Pode ser espiritualidade, mas, se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade.

Parece-me que o principal a ser retido desse pequeno diálogo com o Dalai-Lama, é que espiritualidade é aquilo que produz dentro de nós uma mudança. O ser humano é um ser de mudanças, pois nunca está pronto, está sempre se fazendo, física psíquica, social e culturalmente. Mas há mudanças e mudanças. Há mudanças que não transformam nossa estrutura de base. São superficiais e exteriores, ou meramente quantitativas.

Já a Espiritualidade em A.A., é algo muito sublime, o prazer de viver é o tema e a ação sua palavra chave, o meio de que A.A. dispõe em nosso preparo para a recepção dessa dádiva, está na prática dos Doze Passos de nosso programa. Portanto, procedamos a um rápido levantamento do que temos tentado fazer até aqui.

O Primeiro Passo nos revelou um fato surpreendentemente paradoxal: descobrimos que éramos totalmente incapazes de nos livrar da obsessão pelo álcool até que admitíssemos nossa impotência diante dele. No Segundo Passo vimos que já não éramos capazes de, por nossos próprios meios, retornar à sanidade, e que algum Poder Superior teria que fazê-lo por nós, para que pudéssemos sobreviver. Em conseqüência, no Terceiro Passo, entregamos nossa vontade e nosso destino aos cuidados de Deus, na forma em que o concebemos.
A título provisório, aqueles de nós que eram ateus ou agnósticos descobriram que o nosso Grupo ou AA no todo, poderia atuar como Poder Superior. A partir do Quarto Passo começamos a procurar dentro de nós as coisas que nos haviam levado à bancarrota física, moral e espiritual e fizemos um corajoso e profundo inventário moral. Em face do Quinto Passo decidimos que apenas fazer um inventário não seria suficiente, sabíamos que era necessário abandonar nosso funesto isolamento com nossos conflitos e, honestamente, confiá-los a Deus e a outro ser humano. No Sexto Passo, muitos dentre nós recuaram pela simples razão de que não desejavam a pronta remoção de alguns defeitos de caráter dos quais ainda gostavam muito, sabíamos, porém, todos, da necessidade de nos ajustar ao princípio fundamental deste passo, portanto decidimos que embora tivéssemos alguns defeitos de caráter que ainda não podíamos expulsar, devíamos de todos os modos abandonar nossa obstinada e revoltante dependência deles. Dissemos, “Talvez não possa fazer isso hoje mas, pelo menos, posso parar de protestar. Então no Sétimo Passo, rogamos humildemente a Deus que, de acordo com as condições reinantes no dia do pedido e, se esta fosse a Sua vontade, nos libertasse de nossas imperfeições. No Oitavo Passo, continuamos a limpeza de nosso interior, pois sabíamos que não só estávamos em conflito conosco, como também com pessoas e fatos do mundo em que vivíamos. Precisávamos começar a restabelecer relações amistosas e, para esse fim, relacionando as pessoas que havíamos ofendido, nos propusemos, com disposição, a remediar os males que praticamos. Prosseguimos nesse desígnio no Nono Passo, reparando diretamente junto às pessoas atingidas, os danos que causamos, salvo quando disso resultassem prejuízos para elas ou outros. No Décimo Passo, havíamos iniciado o estabelecimento de uma base para a vida cotidiana, conhecendo claramente que seria necessário fazer de maneira contínua o inventário pessoal, admitindo prontamente os erros que fôssemos encontrando. No Décimo Primeiro Passo, vimos que, se um Poder Superior nos havia devolvido à sanidade e permitido que vivêssemos com relativa paz de espírito num mundo conturbado, valia a pena conhecê-lo melhor, através do contato mais direto possível, ficamos sabendo que o uso persistente da oração e da meditação abria, de fato, o canal para que, no lugar onde havia existido um fio de água, corresse um caudaloso rio que levava em direção ao indiscutível poder e a orientação segura de Deus, tal como estávamos podendo conhecê-lo, cada vez melhor.

Assim, praticando esses passos, experimentamos um despertar espiritual e a espiritualidade em AA sobre o qual não nos restava a menor dúvida, e agora, o que diremos do Décimo Segundo Passo? A energia maravilhosa que ele desencadeia e a ação pronta pela qual leva nossa mensagem ao próximo alcoólico sofredor, e que finalmente convertem os Doze Passos em ação sobre todas as nossas atividades é a recompensa, a magnífica realidade de Alcoólicos Anônimos, é comum em quase todos os membros de AA, a afirmação de que nenhuma satisfação é mais profunda e nenhuma alegria é mais intensa e duradoura do que um décimo segundo passo bem executado, contemplar os olhos de homens e mulheres se abrirem maravilhados à medida em que passa das trevas à luz, suas vidas se tornando rapidamente cheias de propósito e sentido, famílias inteiras se reintegrando, o alcoólico sendo recebido alegremente em sua comunidade como cidadão respeitável, e acima de tudo, ver estas pessoas despertadas para a presença de um Deus amantíssimo em suas vidas, são fatos que constituem a essência do bem que nos invade, quando levamos a mensagem de AA ao irmão sofredor. Isto é espiritualidade em AA.

Agora, a maior pergunta que já fizemos: o que dizer da prática destes princípios em todas as nossa atividades? Temos condições para amar a vida em todos os seus aspectos com tanto entusiasmo quanto amamos aquela pequena parcela que descobrimos, quando tentamos ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade? Somos capazes de levar às nossas vidas em família, por vezes bastante complicadas, o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos nossos companheiros do grupo de AA? As pessoas de nossa família que foram envolvidas e até marcadas pela nossa doença, merecem de nós o mesmo grau de confiança e fé que temos em nossos padrinhos? Estamos prontos para arcar com as novas e reconhecidas responsabilidades que nos cercam? Além do mais, como podemos nos ajustar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Podemos aceitar a pobreza, a doença, a solidão e o luto com coragem e serenidade? A resposta de AA, a tais perguntas é: sim tudo isso é possível, se vivenciarmos os Doze Passos de AA. Isso é espiritualidade em AA. É mais maravilhoso ainda, sentir que não é necessário sermos especialmente distinguidos dentre nossos companheiros para podermos ser úteis e profundamente felizes. Muitos de nós podemos ser líderes proeminentes e nem querem ser, o serviço prestado com prazer, as obrigações cabalmente cumpridas, os reveses calmamente aceitos ou resolvidos com a ajuda de Deus, o reconhecimento de que, tanto no lar como fora dele, somos confrades num esforço comum, o bem compreendido fato de que, perante Deus, todos os seres humanos são importantes. A prova de que o amor, livremente oferecido, na certa traz um retorno total, a certeza de que não mais estamos isolados e sozinhos em prisões criadas pela nossa mente, a segurança de que não somos mais desadaptados, senão que nos integramos e fazemos parte do esquema de coisas criadas por Deus. Estas são as satisfações permanentes e legítimas de que fruímos de uma vida correta, que nenhuma pompa ou ostentação de riquezas materiais poderá suplantar, isto é espiritualidade em AA, é dar sem esperar nada em troca, é viver e deixar viver, isto é espiritualidade em AA.

Juracy M.   www.aaareadodf.org       Colaboração,  Grupo Carmo Sion de AA

domingo, 13 de janeiro de 2013

JANEIRO É TEMPO DE DAR O PRIMEIRO PASSO

” PRIMEIRO PASSO “

Por B.L, Manhattam, N.Y.(Publicado na Revista Grapevine)image

“Admitimos que éramos impotentes perante o álcool; que tínhamos perdido o domínio de nossas vidas”.
Antes de meu ingresso em A.A, eu tinha dado o Primeiro Passo lentamente através de um período de vários anos. Não foram as pessoas de A.A. as que me ajudaram nisto; foram todos aqueles não-alcoólicos que nunca compreenderam nem souberam tratar a mim e a minha enfermidade. Hoje, fazendo um retrospecto, estou agradecido pela sua rudeza, porque me forçaram a conhecer A.A, já lá se vai
vinte e cinco anos.
Esse vacilante passo inicial que dei para a recuperação em A.A. não se encontrava anotado realmente na Primeira das Doze pegadas que os membros pioneiros de A.A. haviam deixado para guiar-nos. Porém, antes de minha chegada a A.A., eu havia começado a dar-me conta de que minha maneira de beber estava me ocasionando problemas. Isto, certamente, era difícil de crer; conhecia muita gente bebedora que não se metia em problemas. É verdade que minha vida era desastrosa seqüência de dificuldades, mas argumentava comigo mesmo que a causa de tudo aquilo não podia ser a bebida. O destino, simplesmente, me havia tratado mal e por isto havia deteriorado minha família, minha vida amorosa, meu trabalho e as relações com meus chefes, minhas angústias econômicas, meus amigos, minha insônia, meu nervosismo.
Não obstante, continuava buscando desesperadamente provar que a bebida não era um problema para mim. Se eu era um fracasso com a bebida e não um êxito, não era por falta de intentos! Olhando para trás não se fazia tão difícil entender porque eu não podia (como outros não têm podido) aceitar minha incapacidade para beber, para a qual (a incapacidade) a adicção farmacológica é uma explicação simples. As recompensas, prazeres e gratificações da bebida eram tão extraordinárias! Beber era muito fácil. Sua ação era quase instantânea, anestesiando como por arte de magia, qualquer sensação de descontentamento. Era aceito socialmente. Toda minha vida social, todas as atividades que eu considerava divertidas, estavam acompanhadas invariavelmente pelo álcool.
A idéia de não beber era aterradora por ser desconhecida. Imaginava-me numa existência desprovida de graça, alegria e encanto. Deixar de beber significaria ter que me converter em um desses tipos rígidos, intolerantes e puritanos.
Para mim é muito importante recordar agora que toda minha vida estava comprometida, não somente os benefícios aparentes do álcool. O mentir aos outros e o permanecer submerso na autocomiseração eram hábitos que não me produziam temor porque os conhecia muitíssimo bem. Com eles me sentia mais cômodo e, em certos aspectos, até os considerava divertidos. Ademais, tinha permanentemente uma desculpa maravilhosa para justificar-me por meus feitos insanos: “Estava bêbado”.
Deixar de beber, então, parecia-me uma proposição desagradável e insuportável. E, além de tudo, talvez não fosse necessário fazê-lo, se conseguisse que as pessoas mudassem sua atitude para comigo, verdade?

Mas não. As pessoas não mudavam e, antes pelo contrário, pioravam. Minha família, em seu descontentamento, enfatizou que a fonte de todos os meus males era a bebida. Os amigos que expressaram preocupação e os chefes que me despediram ajudaram a conformar esta verdade. Pessoas desconhecidas e donos de bares que procuravam ajudar-me, diziam: “Você não deveria beber”. Um policial que me prendeu por desordem e embriaguez, um médico que me repreendeu pela minha maneira exagerada de beber, um dono de mercearia que me cobrou o que eu lhe devia, um operário que me retirou aos empurrões de uma taberna, todos eles ajudaram no ensino da lição.
Os reiterados fracassos em meu esforço solitário para “fazê-lo melhor”, foram criando um desespero interior que acabou por, finalmente, quebrantar meu falso raciocínio e meu orgulho. Alçado à borda da loucura, encontrei um artigo jornalístico sobre A.A.
Assim, ao primeiro dia em que telefonei para A.A., minha luta já não era tão intensa contra a enorme evidência de que o álcool era a causa do caos em que minha vida se encontrava. Eu havia admitido também, muito a contragosto, que não podia manejar a bebida.
É claro que minhas conclusões não eram necessariamente equivalentes a um diagnóstico científico do alcoolismo. Quaisquer médicos, conselheiros ou profissionais desta área que conheça a lista de sintomas do alcoolismo, elaborada pelo Dr. Jellinek, pode determinar corretamente se um determinado bebedor apresenta ou não os sintomas. Mas um diagnóstico efetuado por outra pessoa não constitui um passo para a recuperação do bebedor, a menos que ele mesmo dê o Primeiro Passo de A.A. Eu o dei cegamente ao início, e embora não o tenha feito da melhor forma, qualquer modo de começar é melhor do que nenhum. Nos anos subseqüentes dentro de A.A. encontrei através de meu esforço consciente e sistemático o caminho para entender e praticar todos os Passos, e eles reiteradamente adquirem em mim valores novos e surpreendentes.
Para mim, a parte mais árdua do Primeiro Passo está na implicação do fato de que minha vida havia se tornado ingovernável. Tendo os efeitos de minha vida alcoólica apenas superados, pude ver mais claramente que nunca o grau de desordem em que me encontrava, o prolixo trabalho de recuperação que me esperava, e compreendi que para permanecer sóbrio, teria que investir numa gigantesca tarefa de reabilitação pessoal em muitos aspectos que, pelo menos aparentemente, não estavam ligados ao álcool.
Em síntese, o praticar apenas um passo desde o tenebroso abismo do alcoolismo até a claridade da vida sóbria não me levaria muito longe. Seria suficiente para mim o vaguear por perigosos caminhos estreitos e atalhos, em vez de transitar pela ampla avenida do programa de A.A? Ou deveria escolher o caminho traçado pelas pegadas de todos os A.As. que me haviam precedido? A escolha era exclusivamente minha. Poderia seguir qualquer caminho, mas era necessário que me orientasse pelo caminho exato se, de fato, desejava chegar ao lugar onde se encontravam meus companheiros de AA. Posto que já havia praticado o Primeiro Passo, podia perfeitamente estacionar ali. Podia simplesmente deixar de beber, e ponto final. Podia contentar-me em apenas sobreviver, e aquietar-me como uma uva seca pelo resto de minha vida.
Transitar pelo caminho do programa pareceu-me muito difícil, até que alguém me disse:
“Caminha passo a passo”. De sorte que tomei a rota marcada pelas pegadas da esperança, a resolução e a ação. As pessoas que encontrava em minha volta eram sóbrias e alegres por estarem trilhando este mesmo caminho. Escutando atentamente suas histórias, ouvi algumas mais horripilantes que a minha; outras não eram tanto. Se me tornou evidente que todos aqueles alcoólicos haviam sentido em alguma oportunidade a mesma desesperança, os mesmos medos, dores e angústias que eu havia experimentado.
Também era óbvio que as pessoas com problemas alcoólicos similares aos meus, puderam sobrepor-se a eles e, ainda que parecesse inacreditável, rirem-se deles. Por outro lado, era evidente que aquelas pessoas tinham muito mais conhecimento acerca do alcoolismo do que eu. Eles sabiam que se tratava de uma enfermidade que podia enganar suas vítimas, e que o maior perigo residia no primeiro gole.
Eles tinham alguma informação, ou magia, ou segredo, ou poder dos quais eu carecia, mas que se os utilizasse poderia seguir adiante. Tinha que crer naquilo que via: que algum poder mais sábio, mais forte e maior que o meu poderia devolver-me à sanidade. Logo cheguei a uma decisão que sequer notei quando ocorreu: Tratar de praticar esse plano de A.A., ainda que em princípio não o compreendesse. Alguém disse que nesta atitude mostrava-se a ação de Deus. Como vi que outros incrédulos como eu também estavam se beneficiando, disse para mim mesmo que não perderia nada se tentasse.
Havendo começado com o Primeiro Passo, tenho dito que os demais Passos além de corretos são altamente benévolos. E ainda não conheço outras sugestões que sejam mais efetivas como programa de recuperação.

B.L., Manhattan, N.Y              Tradução: Edson H.            Colaboração, blog do Grupo Rosa Mística de AA

sábado, 12 de janeiro de 2013

Reflexão de 12 de Janeiro

 

ACEITANDO NOSSAS CIRCUNSTÂNCIAS ATUAIS46113558_1

 

Nosso primeiro problema é aceitar nossas circunstâncias atuais como elas são, a nós mesmos como somos e as pessoas em torno de nós momo elas são. Isto é adotar uma humildade realista, sem a qual não se pode nem mesmo começar a realizar progressos. Novamente precisamos voltar a este desagradável ponto de partida. È um exercício de aceitação que podemos praticar com vantagens todos os dias de nossas vidas.
Desde que evitemos, arduamente, tornar este levantamento realista dos fatos da vida em desculpas irreais para a apatia e o derrotismo, eles podem ser o alicerce seguro sobre o qual pode ser construídos uma saúde emocional aumentada e, portanto, o progresso espiritual.

NA OPINIÃO DO BILL 44 - Aceitação diária

 

Comentário de um Companheiro de AA

Quando estou tendo uma fase difícil para aceitar pessoas, lugares ou acontecimentos, volto a esta passagem, o que me alivia bastante do medo subjacente, em relação aos outros, ou às situações que a vida me apresenta. O pensamento me permite ser humano e não perfeito, e recobrar a minha paz de espírito.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Recair a seco e recair ativo


O adicto recai antes de recaír. Quando se diz que recaíu, já há algum tempo que a recaída se tinha efetivado mesmo que "a sêco".
Recaí-se numa atitude mental. Recai-se numa forma de viver. Recai-se no continuar mergulhado no mesmo ambiente de sempre. E isso tudo é a recaída. A retomada da dita adicção ativa, seja beber, seja internet a mais, seja jogo, ou sexo predatório ou manipulador... essa retoma é um detalhe.
A recaída acontece porque a adicção, qualquer adicção, é uma doença do âmago, do centro, em torno da qual a personalidade tendeu a desenvolver-se. Os valores, aquilo a que se dá importância, o tipo de pessoas que nos habituámos a validar... os nossos modelos, os pressupostos pelos quais guiámos toda a nossa vida, levaram-nos até ali. Até à perda de controle e à ingovernabilidade que fazem do adicto um adicto.
E é tudo isso que o prende à recaída. Não é o álcool. Não é a droga. O desmame químico faz-se relativamente rápido. A recaída não resulta da química apenas. É um conjunto coerente entre a química, a personalidade e o meio. E com estes três iguais, como podia o resultado ser diferente?
Prevenção de recaída é muito mais do que evitar o álcool. Evitar o computador ou o maço de cigarros.
Evitar é um eufemismo.
Prevenção de recaída é um exercício de auto-consciência que assusta o adicto de morte!! Alienar-se dessa auto-consciência foi tudo o que o adicto tentou fazer todo o tempo em que andou em adicção ativa. Esse entrar em contato com o espectro de emoções para um adicto não é como possa imaginar-se, não é um mero exercício de ponderação.
A constante exposição à alienação foi retirando a camada protetora que todos os humanos saudáveis desenvolvem através do contato consigo mesmo perante as muitas situações da vida. O adicto não tem essa camada protetora porque a descalibrou à força de tanto evitar.
Então é como um exame de consciência em carne viva. É um ato de coragem heróico.
Quando um adicto aceita ver-se com honestidade este faz mais do que a sociedade inteira costuma conseguir fazer, porque é um olhar sem proteção, é como uma alma despida.
É por isso que não se pode expôr toda esta enorme ferida ao ambiente corrosivo que começou por provocá-la.
É por isso que os grupos de 12 passos precisam ser sobretudo nutrivos e acalentadores. O adicto que aceita iniciar este processo está a escolher entre ter ou não anestesia para a maior aventura da sua vida. Só quem passa por isso pode ajudar, entender, validar e dar esperança e caminhos de consciência.
Só a consciência tem consciênca e essa é a consciência de grupo. Essa é a comunidade de que o adicto em recuperação precisa de se fazer rodear, sendo apadrinhado e tendo apoio 24h sobre 24h no início. Cada minuto doi, porque parece que é assim para a vida toda e ninguém aguentaría isso.
Então "só por hoje". Só hoje, é necessário manter alerta um exercício de observação sincero.
Só por hoje re-avaliar valores. Só por hoje pôr em causa aqueles que um dia pareciam ter valor mesmo enquanto íamos sendo destruídos por essas metas, esses referenciais.
Novos amigos, novos lugares, novas experiências, sem euforia, sem novas alienações alternativas. Sem fugir para adicção seguinte ou a seguinte a essa. Sem facilitismos perigosos, sem querer estar curado do dia para a noite.
Prevenção de recaída é para toda a vida.
Mas felizmente aprendemos juntos, que a vida toda, é só por hoje.
E hoje dá para aguentar. Pelo menos agora dá.

Colaboração Grupo Carmo Sion BH MG