CURTIR
sábado, 21 de setembro de 2019
AA e os Profissionais
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Informação sobre o AA - Simbolo e logo corretos
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Boletim Passe Adiante Área 33 - Completo
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Canela Verde - 40 Anos
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
AA Amor em Ação.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
78 anos de AA–Salvando vidas!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Alguns dias parecem ter bem mais que vinte e quatro horas
Era como ter que optar, naquele momento, entre beber e não beber. Difícil, não é? Voltar ao grupo era difícil. Significaria abaixar as armas e render-me e eu nunca havia me rendido antes. A insegurança era tamanha que decidi sair. Daria uma volta. As três horas da tarde saí sem destino. Andei pensando sobre ter que freqüentar reuniões periodicamente, com a palavra “incurável" ecoando em minha mente.
A tarde já não era tão ensolarada. Nas ruas tudo parecia tristeza cinza e eu andava com o temor que só o medo traz. Decidi ir ao centro. "Vou a uma reunião, ou não", questionei. Eu todo, dos pés até a cabeça era indecisão em pessoa andando indecisa. Passei por duas vielas, por algumas ruas, andei por uma avenida, atravessei um bairro residencial e, por fim, estava no centro da cidade.
Domingo à tarde poucos bares ficam abertos. Passei por um, por dois e pensei seriamente em acabar com tudo aquilo. Eu tinha algum dinheiro; era só entrar, pedir uma bebida e continuar na roda viva, na ciranda dos "des"prazeres. Mas, sem haver planejado, parei na porta do grupo. Por dois ou três segundos um argumento invadiu-me os espaços vazios. Foi como um relâmpago. Percebi que se não voltasse, depois eu diria que Alcoólicos Anônimos não funcionava, que eu já havia experimentado sem êxito e o medo novamente chegou.
Naquele momento ganhei um grande presente de mim mesmo: uma chance - era tudo o que eu precisava. A indecisão decidiu-se. Entrei. Ao subir as escadas, a falência tomou conta de mim: "É, eu preciso disso, senão morro sozinho na escuridão" murmurou aos meus ouvidos.
Entrei na sala, havia novos rostos. Pude sentir-me dentro de mim. Havia preenchido um lugar vazio que há muito me inundara. Enfim, eu estava de volta, novamente.
Só por hoje, continuo voltando.
Leuba
Vivência nº 44 Nov/dez 96 Colaboração, Grupo Carmo Sion de AA
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Alcoolismo e desempenho sexual
Ex-Diretor do Hospital Central da Polícia Militar
Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes
Na sociedade em que vivemos, o sexo não é completamente livre. Ele está limitado por uma série de censuras éticas, morais e sociais, que fazem com freqüência o desejo não se concretizar como ato sexual, ficando tudo apenas na vontade. Ocorre que estas censuras são anestesiadas pelo álcool etílico e é por isso que muita gente associa o exercício de sua sexualidade com a ingestão de bebidas alcoólicas.
Se isto é válido para quase todo o mundo, é muito mais ainda para o alcoólatra, que tem todo um passado ligado a um freqüente e intensivo consumo de bebida, sem falar no fato de que o álcool desencadeia nele uma fantasia de grandiosidade, na qual ele se julga atraente, quase irresistível e certamente o melhor amante do mundo. Freqüentemente um alcoólatra não consegue nem se lembrar de ter tido sexo, sem antes ter bebido álcool. Esta associação, válida por muitos anos, acaba profundamente marcada em seu subconsciente.
Por outro lado, a ingestão crônica de grandes quantidades de álcool por períodos prolongados de tempo, agride diretamente as glândulas sexuais, provocando sua atrofia; o álcool pode até aumentar o desejo, mas termina prejudicando o desempenho. Homens alcoólicos, em fase avançada da doença, diminuem progressivamente sua potência, perdem pêlos, às vezes apresentam até crescimento mais ou menos acentuado das mamas. Mulheres alcoólicas, podem perder suas características sexuais secundárias femininas, atrofiam suas mamas, vêem suas menstruações diminuídas ou ausentes, tornam-se estéreis. No fim da doença alcoólica, fica freqüentemente difícil distinguir, ao primeiro olhar, quem é homem, quem é mulher.
Por felicidade, este comprometimento das glândulas sexuais (testículo e ovário), não costuma ser definitivo, podendo o alcoólatra voltar à sua normalidade apenas parando de beber. Só que isto não acontece da noite para o dia, a agressão geralmente foi muito prolongada e durou muitos anos. A observação clínica mostra que o prazo de recuperação é variável, mas costuma oscilar entre 3 e 6 meses de abstinência. Reconheço que o problema é de difícil aceitação, para o doente: ao parar de beber, o alcoólatra pela primeira vez lúcido, depois de muito tempo, descobre estar impotente e se desespera. Três a seis meses é muito tempo, para quem deseja soluções rápidas. Todo o seu subconsciente associa sexo com álcool, faz parte de toda a sua vida sexual. Existe uma vozinha compulsiva dentro dele, dizendo que ele vai conseguir, se antes tomar uns goles. Tudo isto, mais a insegurança, os medos, o orgulho ferido, a revolta existentes neste período inicial de abstinência, levam com freqüência a uma recaída. É claro que voltar a beber não soluciona coisa alguma, só agrava o problema cada vez mais, mas não falta quem venda na rua todo o tipo de garrafadas, vinhos e tônicos (sempre contendo álcool), que falsamente prometem uma recuperação da potência. É importante que o alcoólatra seja alertado contra este canto de sereia, senão certamente irá recair.
A única possibilidade de recuperação física exige um período de abstinência um pouco mais prolongado e há que se ter a necessária paciência para esperar por ela. É claro que pode haver mais algum outro fator influindo, diabete ou lesão vascular, por exemplo, cujo tratamento depende de uma ida ao médico e de tratamento apropriado. O alcoólatra que esteja nesta situação não deve deixar de fazer um bom exame geral, para ver se não há outras doenças associadas.
Sexo porém não é só uma atividade física. Há todo um clima amoroso envolvido, uma sedução preliminar, que é da maior importância. Existem alcoólicos que nunca tiveram relações em toda a sua vida, sem antes beber, desde sua adolescência. Agora, homens maduros, vêem-se diante da perspectiva de fazê-lo sem álcool, como se fosse a primeira vez, como se tivessem de aprender como é que se faz para namorar.
Mesmo quando o alcoólico ainda conseguiu manter uma relação estável, os laços afetivos costumam estar severamente atingidos. Por exemplo, uma mulher não alcoólica, que vê seu companheiro chegar à noite bêbado, sujo, cheirando mal em casa, vomitando e depois desmaiando numa cama, tem todos os motivos para não gostar de fazer sexo com ele e sentir até repugnância física. De repente, este alcoólico diz para ela não estar mais bebendo, que está se recuperando, digamos, dentro de uma sala de Alcoólicos Anônimos. Provavelmente ela já ouviu muitas juras e promessas não cumpridas, tendo todo o direito de estar descrente de que desta vez é para valer, podendo ainda estar adoecida de raiva e ressentimentos, criando-se um clima absolutamente impróprio para qualquer relação amorosa. Também aí, só o tempo pode ajudar, à medida que a recuperação se torne mais consistente.
Em resumo: a sexualidade está prejudicada no alcoolismo por comprometimentos físicos, psíquicos e espirituais e só uma recuperação nestas três áreas, aliada ao fator tempo, pode levar novamente à normalidade.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
REUNIÃO TEMÁTICA NO GRUPO DE AA EM ITAPOÃ
--

Grupo em Itapoã
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
A Espiritualidade das Tradições no Programa de A.A.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
CURTA ESTA MENSAGEM
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Fugir da armadilha do "SE"
Fugir da armadilha do "SE" - Cap.25 Viver sóbrio
Complicações emocionais com pessoas não são a única maneira de vincular perigosamente a nossa sobriedade a algo estranho. Alguns de nós temos a tendência de colocar outras condições à nossa sobriedade, mesmo sem intenção.
Um membro de A.A. diz: "Nós, bêbados (*)", somos gente muito cheia de "se". Quando bebíamos, usávamos uma porção de "se" como usávamos de bebidas alcoólicas. Mitos de nossos devaneios começavam assim: "Se ao menos..." e estávamos sempre dizendo que não nos teríamos embriagado "se" alguma coisa ou outra tivesse acontecido ou que não teríamos problemas com a bebida "se"ao menos..."
(*) Alguns de nós do A.A. referimo-nos a nós mesmos como "bêbados", não importa há quanto tempo não bebamos. Outros preferem o termo "alcoólicos". Existem bons motivos para ambos. "Bêbado" é sempre alegre, tende a desinflar o ego, relembra-nos de nossa tendência para a bebida. "Alcoólico" é igualmente honesto, embora mais significante e mais adequado à noção atualmente bastante difundida e aceita que alcoolismo é uma enfermidade perfeitamente respeitável e não um desregramento intencional.
Todos nós acrescentávamos ao "se" as nossas próprias explicações (desculpas?) para nossas bebedeiras. Cada um de nós pensava: eu não estaria bebendo assim...
Se não fosse minha mulher (marido, namorada ou namorado)... se tivesse mais dinheiro e menos dívidas.., se não fossem todos esses problemas de família..., se eu não estivesse sob tanta pressão..., se tivesse um emprego melhor ou uma casa melhor para morar..., se as pessoas me compreendessem..., se este mundo não fosse tão nojento..., se todo mundo não esperasse que eu bebesse..., se não fosse a guerra (qualquer guerra)..., e assim por diante, indefinidamente.
Recapitulando esse modo de pensar e o comportamento daí resultante, verificamos, agora, que estávamos deixando que circunstâncias alheias a nós controlassem muito de nossas vidas.
Quando paramos de beber, muitas dessas circunstâncias retornam aos devidos lugares em nossas mentes. A nível pessoal, muitas delas realmente se tornam claras tão logo nos iniciemos na sobriedade; e, algum dia, começamos a ver o que podemos fazer com as outras. Enquanto isso nossa vida fica muito, mas muito melhor mesmo, na sobriedade, não importa o que possa acontecer.
Mas, então, depois de certo tempo da sobriedade, chega, para alguns de nós, um belo dia em que a nova descoberta nos dá um verdadeiro tapa na cara. O mesmo modo de pensar, cheio de "se" dos nossos tempos de bêbados, sem que os sintamos, penetrou em nossa vida de abstenção. Inconscientemente, colocamos condições á nossa sobriedade. Começamos a pensar que a sobriedade é ótima, "se" tudo for bem, "se" nada der errado.
Com efeito, estamos ignorando a natureza bioquímica imutável de nossa enfermidade. O alcoolismo não respeita "se" nenhum. Ele não se afasta nem por uma semana, por um dia, por uma hora sequer, deixando-nos não-alcoólicos e capacitados a beber outra vez em alguma ocasião especial ou por um motivo extraordinário nem mesmo por uma única comemoração em toda a vida ou se estivermos presos de enorme dor; nem se chover canivetes ou se as estrelas caírem. O alcoolismo para nós é incondicional, não admitindo a dispensa por preço nenhum.
Pode levar um pouco de tempo fazer penetrar essa convicção até a medula de nossos ossos. E, ás vezes, não reconhecemos as condições que, inconscientemente, vinculamos à nossa recuperação até algo sair errado, sem culpa intencional de nossa parte. E então, de súbito, eis a coisa. Não estávamos contando com "este" acontecimento.
A vontade de beber é natural em face de um desapontamento chocante. Se não conseguimos o aumento, a promoção ou emprego com que estávamos contando; se nossa vida amorosa anda atrapalhada; se alguém nos trata mal..., aí podemos ver que, durante todo o tempo, estivemos confiando em que as circunstâncias nos ajudariam a querer permanecer sóbrios.
Em algum lugar, escondida num remoto cantinho de nossa massa cinzenta conservamos uma pequenina restrição à condição para nossa sobriedade. E ela só estava esperando para atacar. Nós íamos todos felizes, pensando: "Sim, a sobriedade é uma beleza, e tenciono conservá-la". Nem sequer ouvíamos a sussurrada restrição: "Isto é, se tudo correr como eu quero."
Esses "se" estão além de nosso controle. Temos de permanecer sóbrios, não importa como a vida nos trata, não importa... se os não-alcoólicos apreciem a nossa sobriedade a despeito de tudo o mais, não dependente de pessoa alguma, nem sujeita a quaisquer circunstâncias ou condições.
Freqüentemente, temos verificado que não podemos ficar sóbrios por tempo suficiente só por causa da mulher, do marido, dos filhos, do namorado (ou namorada), dos pais, dos outros parentes, de um amigo; nem por causa de um emprego; nem para agradar o patrão (ou o juiz, o médico, o credor); nem por causa de ninguém mais, a não ser nós mesmos.
Vincular nossa sobriedade a qualquer pessoa (mesmo a outro alcoólico recuperado) ou a qualquer circunstância é insensato e perigoso. Quando pensamos: "Ficarei sóbrio "se"..." ou "Não beberei por causa de..." (preencha com qualquer motivação diferente de nosso próprio desejo de recuperar-nos e de gozar de boa saúde), involuntariamente começamos a beber tão logo a condição ou a pessoa mude. E qualquer uma delas pode variar a qualquer momento. Independente, não-afiliada a qualquer outra coisa, nossa sobriedade pode crescer bastante para nos capacitar a enfrentar as circunstâncias e as pessoas. E, como você verá, começaremos a gostar também dessa sensação.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
TEMÁTICA SEGUNDO PASSO
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Venha nos visitar e compartilhar conosco...
domingo, 27 de janeiro de 2013
Apresentações 2012 – Grupo Araçás
http://www.youblisher.com/p/542004-Grupo-de-Alcoolicos-Anonimos-em-Aracas-Vila-Velha-ES/
PARA VER AS APRESENTAÇÕES, CLICK NO LINK ACIMA. QUE ABRIRÁ EM OUTRA PÁGINA.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Uma aula de espiritualidade

REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS - Nº 65 - MAI/JUN 2000
Uma aula de espiritualidade
Foi como se eu tivesse realmente "pronto" - no quarto ano de A.A. - para ler o texto do filósofo norte-americano William James, considerado o "pai da moderna psicologia". Li Variedades da Experiência Religiosa como quem estuda: com cuidadosa atenção e anotando passagens importantes num bloco de papel. Como não encontrei uma edição em português, recorri a um volume em espanhol, numa biblioteca pública, e isso por si só tornou minha leitura ainda mais atenta.
Foram muitas e gratíssimas as surpresas. A experiência foi notável, não só por confirmar para mim aspectos da espiritualidade que eu já havia percebido, por meio da prática do programa de A.A. - a exemplo da consideração do autor de que "Deus é real desde o momento em que produz efeitos reais", mas também porque me abriu novas e valiosas perspectivas de crescimento espiritual, ao esclarecer sensações que já tinham me assaltado mas que não conseguia identificar com clareza. Caso desta passagem:
"A prece ou a comunhão íntima com o espírito transcendental - seja 'Deus' ou 'lei' - constitui um processo onde o fim se cumpre realmente, e a energia espiritual emerge e produz resultados precisos, psicológicos ou materiais, no mundo fenomenológico.".
Ao final da leitura sobrou para mim uma certeza: a de que o crescimento espiritual constante poderá me conduzir a um estado em que minhas preces deixem de ser meramente súplicas (como foram até agora e acredito que assim continuarão por tempo indeterminado) e assem a representar um estado mais elevado, em que eu possa louvar e amar a Deus como Ele merece ser louvado e amado - para que a semente de Sua presença dentro de meu próprio espírito possa se tornar plenamente efetivada.
Confesso que, de início, não achava que fosse ler o livro inteiro, mas apenas dois dos 20 capítulos, os que tratam da conversão (que eu entendo como despertar espiritual). Findos os dois capítulos (cada capítulo corresponde a cada uma das 20 conferências realizadas por James na Universidade de Edimburgo, na Inglaterra, entre 1901 e 1902), compreendi que tinha aberto uma arca de tesouro, passando a devorar tudo.
Há no livro um aspecto que, logo de saída, me fisgou: a generosidade do mestre, que não dá um passo sem relatar detalhadamente casos verídicos (alguns envolvendo alcoólicos), além de citar bastante outros autores e pesquisadores - como é o caso destas palavras , creditadas ao professor Leuba, contemporâneo seu e também precurssor da psicologia da religião:
"Deus não é conhecido, não é compreendido, é simplesmente utilizado, às vezes como provedor material, às vezes como suporte moral, às vezes como amigo, às vezes como objeto de amor. Se demonstrar sua utilidade, a consciência espiritual não exige mais nada.
Existe Deus realmente?
O que é?, são perguntas irrelevantes.
Não é a Deus que encontramos na análise última dos fins da espiritualidade, mas sim a vida, maior quantidade de vida, uma vida mais ampla, mais rica, mais satisfatória. O amor à vida, em qualquer e em cada um de seus níveis de desenvolvimento, é o impulso religioso".
Outra citação, creditada pelo autor a Frederic Myers: "Se perguntarmos a quem dirigir a prece, a resposta (curiosamente, é certo...) há de ser isso não tem demasiada importância; a prece não é uma coisa puramente subjetiva, significa um incremento real da intensidade de absorção de poder espiritual - ou graça -, mas não sabemos suficientemente o que ocorre no mundo espiritual, para saber como atua a prece, quem toma conhecimento dela, ou por que tipo de canal é outorgada a graça".
James também afirma que "o ponto religioso fundamental é que na prece e energia espiritual - em outros momentos adormecida - torna-se ativa e realmente se efetua uma obra espiritual de algum gênero". Ele constatou, em suas extensas pesquisas sobre homens e mulheres que conseguiram despertar seu íntimo espiritual , que "o novo ardor que acende o peito dessas pessoas consome, com seu fulgor,as inibições inferiores que antes as perseguiam e imuniza-as da porção vil de suas naturezas. A magnanimidade, antes impossível, agora parece fácil; os convencionalismos insignificantes e os vis incentivos, antes tirânicos, agora não mais as subjugam".
Muito antes da fundação de A.A., James já utilizava palavras muito familiares a todos nós, membros da Irmandade: "O despertar espiritual pode advir por um crescimento gradual ou abruptamente (por crisis), mas em qualquer desses casos parece ter chegado 'para ficar'...". Citando Starbuck, outro contemporâneo seu, James comenta que o efeito do despertar espiritual consiste em proporcionar "uma mudança de atitudes com relação à vida, que é constante e permanente, ainda que os sentimentos flutuem...".
Essa singela colocação, "ainda que os sentimentos flutuem", produziu em mim um efeito balsâmico. É que durante um bom período de minha recuperação pessoal, vivia com medo de que minhas oscilações emocionais constituíssem um grande risco. É certo que preciso continuar muito atento a meus altos e baixos emocionais, mas o fato é que tal reflexão veio confirmar o que eu já vinha percebendo há algum tempo. Ou seja, que, como ser humano, estou sujeito a uma certa gangorra de sentimentos, que nem sempre, contudo, leva a uma recaída alcoólica.
Um pouco mais de esclarecimento, sobre os meus temores de recaída, chegou-me com essa reflexão: "Enquanto a nova influência emocional não alcançar um tom de eficácia determinante, as mudanças que produz são inconstantes e volúveis e o homem volta a recair em sua atividade original.
Mas quando uma emoção nova consegue uma certa intensidade, atravessa-se um ponto crítico, conseguindo-se uma revolução irreversível equivalente à produção de um novo estado natural".
E é muito significativo que, 35 anos antes da fundação de A.A., William James, confrontando o "santo" (para o autor, santa é toda pessoa com faculdades espirituais fortes e desenvolvidas) e o "homem forte" (refere-se ao conceito de super-homem, de Nietzche), tenha escrito: "(...) No entanto, é possível conceber uma sociedade imaginária na qual não caiba a agressividade mas sim apenas a simpatia e a justiça - qualquer pequena comunidade de verdadeiros amigos conduz a essa sociedade. Quando consideramos abstratamente esta sociedade, ela seria, em grande escala, o paraíso, já que cada coisa boa se produziria sem nenhum desgaste. O santo se adaptaria perfeitamente a essa sociedade.
Suas maneiras pacíficas seriam positivas para seus companheiros e não haveria ninguém que se aproveitasse de sua passividade. Portanto, o santo é, abstratamente, um tipo de homem superior ao 'homem forte', porque se adapta a essa sociedade mais elevada concebível, sem depender para nada o fato desta sociedade vir a se concretizar ou não jamais". Impossível não fazer uma analogia com A.A.
Nessa altura de minha programação pessoal, estou amplamente convencido de que a vasta literatura de A.A. é mais do que suficiente para minha recuperação constante - só por hoje.
Lendo o livro de William James , pude sentir uma enorme satisfação também pelo fato de estar bebendo das águas de um dos regatos dos quais Bill W. se serviu. E uma grande necessidade de compartilhar minha experiência com os leitores da revista.
Vinte e quatro horas a todos.
Juan, São Paulo/SP
Vivência nº 65 - maio/junho 2000
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
TEMÁTICA 25/01/2013 - CÉREBRO x MENTE
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Convite para Temática
--
domingo, 13 de janeiro de 2013
JANEIRO É TEMPO DE DAR O PRIMEIRO PASSO
” PRIMEIRO PASSO “
Por B.L, Manhattam, N.Y.(Publicado na Revista Grapevine)
“Admitimos que éramos impotentes perante o álcool; que tínhamos perdido o domínio de nossas vidas”.
Antes de meu ingresso em A.A, eu tinha dado o Primeiro Passo lentamente através de um período de vários anos. Não foram as pessoas de A.A. as que me ajudaram nisto; foram todos aqueles não-alcoólicos que nunca compreenderam nem souberam tratar a mim e a minha enfermidade. Hoje, fazendo um retrospecto, estou agradecido pela sua rudeza, porque me forçaram a conhecer A.A, já lá se vai vinte e cinco anos.
Esse vacilante passo inicial que dei para a recuperação em A.A. não se encontrava anotado realmente na Primeira das Doze pegadas que os membros pioneiros de A.A. haviam deixado para guiar-nos. Porém, antes de minha chegada a A.A., eu havia começado a dar-me conta de que minha maneira de beber estava me ocasionando problemas. Isto, certamente, era difícil de crer; conhecia muita gente bebedora que não se metia em problemas. É verdade que minha vida era desastrosa seqüência de dificuldades, mas argumentava comigo mesmo que a causa de tudo aquilo não podia ser a bebida. O destino, simplesmente, me havia tratado mal e por isto havia deteriorado minha família, minha vida amorosa, meu trabalho e as relações com meus chefes, minhas angústias econômicas, meus amigos, minha insônia, meu nervosismo.
Não obstante, continuava buscando desesperadamente provar que a bebida não era um problema para mim. Se eu era um fracasso com a bebida e não um êxito, não era por falta de intentos! Olhando para trás não se fazia tão difícil entender porque eu não podia (como outros não têm podido) aceitar minha incapacidade para beber, para a qual (a incapacidade) a adicção farmacológica é uma explicação simples. As recompensas, prazeres e gratificações da bebida eram tão extraordinárias! Beber era muito fácil. Sua ação era quase instantânea, anestesiando como por arte de magia, qualquer sensação de descontentamento. Era aceito socialmente. Toda minha vida social, todas as atividades que eu considerava divertidas, estavam acompanhadas invariavelmente pelo álcool.
A idéia de não beber era aterradora por ser desconhecida. Imaginava-me numa existência desprovida de graça, alegria e encanto. Deixar de beber significaria ter que me converter em um desses tipos rígidos, intolerantes e puritanos.
Para mim é muito importante recordar agora que toda minha vida estava comprometida, não somente os benefícios aparentes do álcool. O mentir aos outros e o permanecer submerso na autocomiseração eram hábitos que não me produziam temor porque os conhecia muitíssimo bem. Com eles me sentia mais cômodo e, em certos aspectos, até os considerava divertidos. Ademais, tinha permanentemente uma desculpa maravilhosa para justificar-me por meus feitos insanos: “Estava bêbado”.
Deixar de beber, então, parecia-me uma proposição desagradável e insuportável. E, além de tudo, talvez não fosse necessário fazê-lo, se conseguisse que as pessoas mudassem sua atitude para comigo, verdade?
Mas não. As pessoas não mudavam e, antes pelo contrário, pioravam. Minha família, em seu descontentamento, enfatizou que a fonte de todos os meus males era a bebida. Os amigos que expressaram preocupação e os chefes que me despediram ajudaram a conformar esta verdade. Pessoas desconhecidas e donos de bares que procuravam ajudar-me, diziam: “Você não deveria beber”. Um policial que me prendeu por desordem e embriaguez, um médico que me repreendeu pela minha maneira exagerada de beber, um dono de mercearia que me cobrou o que eu lhe devia, um operário que me retirou aos empurrões de uma taberna, todos eles ajudaram no ensino da lição.
Os reiterados fracassos em meu esforço solitário para “fazê-lo melhor”, foram criando um desespero interior que acabou por, finalmente, quebrantar meu falso raciocínio e meu orgulho. Alçado à borda da loucura, encontrei um artigo jornalístico sobre A.A.
Assim, ao primeiro dia em que telefonei para A.A., minha luta já não era tão intensa contra a enorme evidência de que o álcool era a causa do caos em que minha vida se encontrava. Eu havia admitido também, muito a contragosto, que não podia manejar a bebida.
É claro que minhas conclusões não eram necessariamente equivalentes a um diagnóstico científico do alcoolismo. Quaisquer médicos, conselheiros ou profissionais desta área que conheça a lista de sintomas do alcoolismo, elaborada pelo Dr. Jellinek, pode determinar corretamente se um determinado bebedor apresenta ou não os sintomas. Mas um diagnóstico efetuado por outra pessoa não constitui um passo para a recuperação do bebedor, a menos que ele mesmo dê o Primeiro Passo de A.A. Eu o dei cegamente ao início, e embora não o tenha feito da melhor forma, qualquer modo de começar é melhor do que nenhum. Nos anos subseqüentes dentro de A.A. encontrei através de meu esforço consciente e sistemático o caminho para entender e praticar todos os Passos, e eles reiteradamente adquirem em mim valores novos e surpreendentes.
Para mim, a parte mais árdua do Primeiro Passo está na implicação do fato de que minha vida havia se tornado ingovernável. Tendo os efeitos de minha vida alcoólica apenas superados, pude ver mais claramente que nunca o grau de desordem em que me encontrava, o prolixo trabalho de recuperação que me esperava, e compreendi que para permanecer sóbrio, teria que investir numa gigantesca tarefa de reabilitação pessoal em muitos aspectos que, pelo menos aparentemente, não estavam ligados ao álcool.
Em síntese, o praticar apenas um passo desde o tenebroso abismo do alcoolismo até a claridade da vida sóbria não me levaria muito longe. Seria suficiente para mim o vaguear por perigosos caminhos estreitos e atalhos, em vez de transitar pela ampla avenida do programa de A.A? Ou deveria escolher o caminho traçado pelas pegadas de todos os A.As. que me haviam precedido? A escolha era exclusivamente minha. Poderia seguir qualquer caminho, mas era necessário que me orientasse pelo caminho exato se, de fato, desejava chegar ao lugar onde se encontravam meus companheiros de AA. Posto que já havia praticado o Primeiro Passo, podia perfeitamente estacionar ali. Podia simplesmente deixar de beber, e ponto final. Podia contentar-me em apenas sobreviver, e aquietar-me como uma uva seca pelo resto de minha vida.
Transitar pelo caminho do programa pareceu-me muito difícil, até que alguém me disse:
“Caminha passo a passo”. De sorte que tomei a rota marcada pelas pegadas da esperança, a resolução e a ação. As pessoas que encontrava em minha volta eram sóbrias e alegres por estarem trilhando este mesmo caminho. Escutando atentamente suas histórias, ouvi algumas mais horripilantes que a minha; outras não eram tanto. Se me tornou evidente que todos aqueles alcoólicos haviam sentido em alguma oportunidade a mesma desesperança, os mesmos medos, dores e angústias que eu havia experimentado.
Também era óbvio que as pessoas com problemas alcoólicos similares aos meus, puderam sobrepor-se a eles e, ainda que parecesse inacreditável, rirem-se deles. Por outro lado, era evidente que aquelas pessoas tinham muito mais conhecimento acerca do alcoolismo do que eu. Eles sabiam que se tratava de uma enfermidade que podia enganar suas vítimas, e que o maior perigo residia no primeiro gole.
Eles tinham alguma informação, ou magia, ou segredo, ou poder dos quais eu carecia, mas que se os utilizasse poderia seguir adiante. Tinha que crer naquilo que via: que algum poder mais sábio, mais forte e maior que o meu poderia devolver-me à sanidade. Logo cheguei a uma decisão que sequer notei quando ocorreu: Tratar de praticar esse plano de A.A., ainda que em princípio não o compreendesse. Alguém disse que nesta atitude mostrava-se a ação de Deus. Como vi que outros incrédulos como eu também estavam se beneficiando, disse para mim mesmo que não perderia nada se tentasse.
Havendo começado com o Primeiro Passo, tenho dito que os demais Passos além de corretos são altamente benévolos. E ainda não conheço outras sugestões que sejam mais efetivas como programa de recuperação.
B.L., Manhattan, N.Y Tradução: Edson H. Colaboração, blog do Grupo Rosa Mística de AA
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Recair a seco e recair ativo
O adicto recai antes de recaír. Quando se diz que recaíu, já há algum tempo que a recaída se tinha efetivado mesmo que "a sêco".
Recaí-se numa atitude mental. Recai-se numa forma de viver. Recai-se no continuar mergulhado no mesmo ambiente de sempre. E isso tudo é a recaída. A retomada da dita adicção ativa, seja beber, seja internet a mais, seja jogo, ou sexo predatório ou manipulador... essa retoma é um detalhe.
A recaída acontece porque a adicção, qualquer adicção, é uma doença do âmago, do centro, em torno da qual a personalidade tendeu a desenvolver-se. Os valores, aquilo a que se dá importância, o tipo de pessoas que nos habituámos a validar... os nossos modelos, os pressupostos pelos quais guiámos toda a nossa vida, levaram-nos até ali. Até à perda de controle e à ingovernabilidade que fazem do adicto um adicto.
E é tudo isso que o prende à recaída. Não é o álcool. Não é a droga. O desmame químico faz-se relativamente rápido. A recaída não resulta da química apenas. É um conjunto coerente entre a química, a personalidade e o meio. E com estes três iguais, como podia o resultado ser diferente?
Prevenção de recaída é muito mais do que evitar o álcool. Evitar o computador ou o maço de cigarros.
Evitar é um eufemismo.
Prevenção de recaída é um exercício de auto-consciência que assusta o adicto de morte!! Alienar-se dessa auto-consciência foi tudo o que o adicto tentou fazer todo o tempo em que andou em adicção ativa. Esse entrar em contato com o espectro de emoções para um adicto não é como possa imaginar-se, não é um mero exercício de ponderação.
A constante exposição à alienação foi retirando a camada protetora que todos os humanos saudáveis desenvolvem através do contato consigo mesmo perante as muitas situações da vida. O adicto não tem essa camada protetora porque a descalibrou à força de tanto evitar.
Então é como um exame de consciência em carne viva. É um ato de coragem heróico.
Quando um adicto aceita ver-se com honestidade este faz mais do que a sociedade inteira costuma conseguir fazer, porque é um olhar sem proteção, é como uma alma despida.
É por isso que não se pode expôr toda esta enorme ferida ao ambiente corrosivo que começou por provocá-la.
É por isso que os grupos de 12 passos precisam ser sobretudo nutrivos e acalentadores. O adicto que aceita iniciar este processo está a escolher entre ter ou não anestesia para a maior aventura da sua vida. Só quem passa por isso pode ajudar, entender, validar e dar esperança e caminhos de consciência.
Só a consciência tem consciênca e essa é a consciência de grupo. Essa é a comunidade de que o adicto em recuperação precisa de se fazer rodear, sendo apadrinhado e tendo apoio 24h sobre 24h no início. Cada minuto doi, porque parece que é assim para a vida toda e ninguém aguentaría isso.
Então "só por hoje". Só hoje, é necessário manter alerta um exercício de observação sincero.
Só por hoje re-avaliar valores. Só por hoje pôr em causa aqueles que um dia pareciam ter valor mesmo enquanto íamos sendo destruídos por essas metas, esses referenciais.
Novos amigos, novos lugares, novas experiências, sem euforia, sem novas alienações alternativas. Sem fugir para adicção seguinte ou a seguinte a essa. Sem facilitismos perigosos, sem querer estar curado do dia para a noite.
Prevenção de recaída é para toda a vida.
Mas felizmente aprendemos juntos, que a vida toda, é só por hoje.
E hoje dá para aguentar. Pelo menos agora dá.
Colaboração Grupo Carmo Sion BH MG



















