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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Informação sobre o AA - Simbolo e logo corretos
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Boletim Passe Adiante Área 33 - Completo
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Matéria Boletim Passe Adiante Área 33 MG
1) Aplico os Passos em todas as minhas atividades?
2) Tenho mais facilidade em perdoar um membro de A.A. ou um familiar?
3) Reconheço minhas falhas para qualquer grupo social que faço parte?
4) Falo dos princípios da Irmandade sempre que tenho oportunidade?
5) Confio nos companheiros do meu Grupo-base?
6) Procuro trocar experiências com o meu padrinho, no meu dia a dia?
7) Consigo aplicar as Tradições na minha família?
8) Procuro ser servidor de confiança em todos os lugares?
9) Respeito a autonomia do familiar, salvo em assunto que diga respeito à família como um todo?
10) Sei que o bem-estar familiar deve vir em primeiro lugar?
11) Aceito que na família a responsabilidade final também é do grupo?
12) Procuro, na família, delegar tarefas ou sou centralizador?
O bem-estar que conseguimos com a prática dos princípios de A.A. pode ser estendido para todos os grupos sociais dos quais participamos.
Experimente e viverá momentos maravilhosos.
24 horas
Extraído do boletim
Passe Adiante
da Área 33 MG
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Aniversário Grupo em Araçás - Vila Velha - ES
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Endereço dos Grupos de AA da Grande Vitória
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Parar de beber é fácil: DIFÍCIL É NÃO VOLTAR A BEBER
" PARAR DE BEBER É FÁCIL "
Dr. Eduardo Mascarenhas (Psicanalista )
Parar de beber é tão fácil que não há alcoólatra no mundo que não tenha parado de beber dezenas de vezes. Algumas delas - é verdade - duram não mais que uma tarde ou uma noite. Nesse período, contudo, o alcoólatra jurou a si próprio que jamais voltaria a beber.
Geralmente essas decisões solenes de se manter afastado do copo vêm pela manhã seguinte de algum imenso pileque. A cabeça ainda está zonza, dói tanto que parece que há um martelo batendo no crânio; a boca está amarga e seca, o estômago em brasa, o corpo todo intoxicado. Nesse estado típico de uma "ressaca", vão reaparecendo, aos poucos, as lembranças da noite anterior: os vexames, as inconveniências, os despautérios. Acrescenta-se à ressaca física, a ressaca moral. Isso quando ressurgem as lembranças, pois muitas vezes o alcoólatra enfrenta a terrível angústia de não se lembrar de nada do que fez - o famoso "branco".
De tantas ressacas e vexames, o alcoólatra pára de beber por meses e até por anos. Que alívio! parece que não padece mais daquela terrível compulsão. Nem sente mais vontade de beber: vai às festas e nem se liga no garçom. Sinceramente, não sente mesmo mais falta da bebida. Nem sonha mais com ela...
Ora, com justa razão imagina-se curado. Não é mais alcoólatra. É uma pessoa como outra qualquer.
DIFÍCIL É NÃO VOLTAR A BEBER
Embalado nessa crença, estabelece a taxativa distinção: "beber é uma coisa, ser alcoólatra, outra".
Por via das dúvidas, contudo, não convém arriscar. Nada de whisky, vodca, conhaque ou cachaça. Ele já sofreu demais e respeita o álcool. Agora, um chopinho gelado - só um - ou um gole de vinho branco, também geladinho, não há de fazer mal a ninguém;
De fato, nada acontece. Naquele dia. Naquele dia seguinte, porém. à mesma hora, ele se lembra do dia anterior. E, pela primeira vez, volta a sentir uma vontadezinha de beber. Tenta se controlar. Aí vem aquelas ideias que até parecem sopradas por Satanás: "Mais um golinho não vai fazer mal! Hoje só. Amanhã você pára de vez. Só para matar a saudade!"
Talvez tome mais uma bebidinha, talvez não tome, mas recomeça a tortura: a vontade de beber volta e a luta contra ela leva-o à exaustão; até nos sonhos ele está bebendo ou louco para beber e já acorda pensando nisso. Sua vida se reduz a isso.
Nesse estado, a mente lhe propões um pacto: "Volte a beber, mas só à noite. Com moderação. E só bebidas fraquinhas, ou bebidas fortes com muito gelo e soda, em dose bem diluída, para render e não dar pileque". Ás vezes ele tolera esse pacto por alguns dias. Mas a vontade de beber não se modera nem se sacia. Manifesta-se cada vez com mais força. Aí ele volta a beber com a mesma fúria de antes. Talvez até com fúria maior, para ir à forra de todo aquele período em que não bebeu. Bebe tudo que bebia antes, mais tudo que deixou de beber.
Procura médicos e hospitaliza-se. Toma todo o tipo de remédio. Desintoxica-se, descansa a cabeça. Se tem dinheiro, vai ao psicanalista.
Mas nada resolve. Novamente pára um tempo de beber, para depois voltar ao álcool com voracidade redobrada.
Dr. Eduardo Mascarenhas ( Psicanalista )
Que o PS conceda-nos infinitas 24 Hs. SÓ POR HOJE!
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Fugir da armadilha do "SE"
Fugir da armadilha do "SE" - Cap.25 Viver sóbrio
Complicações emocionais com pessoas não são a única maneira de vincular perigosamente a nossa sobriedade a algo estranho. Alguns de nós temos a tendência de colocar outras condições à nossa sobriedade, mesmo sem intenção.
Um membro de A.A. diz: "Nós, bêbados (*)", somos gente muito cheia de "se". Quando bebíamos, usávamos uma porção de "se" como usávamos de bebidas alcoólicas. Mitos de nossos devaneios começavam assim: "Se ao menos..." e estávamos sempre dizendo que não nos teríamos embriagado "se" alguma coisa ou outra tivesse acontecido ou que não teríamos problemas com a bebida "se"ao menos..."
(*) Alguns de nós do A.A. referimo-nos a nós mesmos como "bêbados", não importa há quanto tempo não bebamos. Outros preferem o termo "alcoólicos". Existem bons motivos para ambos. "Bêbado" é sempre alegre, tende a desinflar o ego, relembra-nos de nossa tendência para a bebida. "Alcoólico" é igualmente honesto, embora mais significante e mais adequado à noção atualmente bastante difundida e aceita que alcoolismo é uma enfermidade perfeitamente respeitável e não um desregramento intencional.
Todos nós acrescentávamos ao "se" as nossas próprias explicações (desculpas?) para nossas bebedeiras. Cada um de nós pensava: eu não estaria bebendo assim...
Se não fosse minha mulher (marido, namorada ou namorado)... se tivesse mais dinheiro e menos dívidas.., se não fossem todos esses problemas de família..., se eu não estivesse sob tanta pressão..., se tivesse um emprego melhor ou uma casa melhor para morar..., se as pessoas me compreendessem..., se este mundo não fosse tão nojento..., se todo mundo não esperasse que eu bebesse..., se não fosse a guerra (qualquer guerra)..., e assim por diante, indefinidamente.
Recapitulando esse modo de pensar e o comportamento daí resultante, verificamos, agora, que estávamos deixando que circunstâncias alheias a nós controlassem muito de nossas vidas.
Quando paramos de beber, muitas dessas circunstâncias retornam aos devidos lugares em nossas mentes. A nível pessoal, muitas delas realmente se tornam claras tão logo nos iniciemos na sobriedade; e, algum dia, começamos a ver o que podemos fazer com as outras. Enquanto isso nossa vida fica muito, mas muito melhor mesmo, na sobriedade, não importa o que possa acontecer.
Mas, então, depois de certo tempo da sobriedade, chega, para alguns de nós, um belo dia em que a nova descoberta nos dá um verdadeiro tapa na cara. O mesmo modo de pensar, cheio de "se" dos nossos tempos de bêbados, sem que os sintamos, penetrou em nossa vida de abstenção. Inconscientemente, colocamos condições á nossa sobriedade. Começamos a pensar que a sobriedade é ótima, "se" tudo for bem, "se" nada der errado.
Com efeito, estamos ignorando a natureza bioquímica imutável de nossa enfermidade. O alcoolismo não respeita "se" nenhum. Ele não se afasta nem por uma semana, por um dia, por uma hora sequer, deixando-nos não-alcoólicos e capacitados a beber outra vez em alguma ocasião especial ou por um motivo extraordinário nem mesmo por uma única comemoração em toda a vida ou se estivermos presos de enorme dor; nem se chover canivetes ou se as estrelas caírem. O alcoolismo para nós é incondicional, não admitindo a dispensa por preço nenhum.
Pode levar um pouco de tempo fazer penetrar essa convicção até a medula de nossos ossos. E, ás vezes, não reconhecemos as condições que, inconscientemente, vinculamos à nossa recuperação até algo sair errado, sem culpa intencional de nossa parte. E então, de súbito, eis a coisa. Não estávamos contando com "este" acontecimento.
A vontade de beber é natural em face de um desapontamento chocante. Se não conseguimos o aumento, a promoção ou emprego com que estávamos contando; se nossa vida amorosa anda atrapalhada; se alguém nos trata mal..., aí podemos ver que, durante todo o tempo, estivemos confiando em que as circunstâncias nos ajudariam a querer permanecer sóbrios.
Em algum lugar, escondida num remoto cantinho de nossa massa cinzenta conservamos uma pequenina restrição à condição para nossa sobriedade. E ela só estava esperando para atacar. Nós íamos todos felizes, pensando: "Sim, a sobriedade é uma beleza, e tenciono conservá-la". Nem sequer ouvíamos a sussurrada restrição: "Isto é, se tudo correr como eu quero."
Esses "se" estão além de nosso controle. Temos de permanecer sóbrios, não importa como a vida nos trata, não importa... se os não-alcoólicos apreciem a nossa sobriedade a despeito de tudo o mais, não dependente de pessoa alguma, nem sujeita a quaisquer circunstâncias ou condições.
Freqüentemente, temos verificado que não podemos ficar sóbrios por tempo suficiente só por causa da mulher, do marido, dos filhos, do namorado (ou namorada), dos pais, dos outros parentes, de um amigo; nem por causa de um emprego; nem para agradar o patrão (ou o juiz, o médico, o credor); nem por causa de ninguém mais, a não ser nós mesmos.
Vincular nossa sobriedade a qualquer pessoa (mesmo a outro alcoólico recuperado) ou a qualquer circunstância é insensato e perigoso. Quando pensamos: "Ficarei sóbrio "se"..." ou "Não beberei por causa de..." (preencha com qualquer motivação diferente de nosso próprio desejo de recuperar-nos e de gozar de boa saúde), involuntariamente começamos a beber tão logo a condição ou a pessoa mude. E qualquer uma delas pode variar a qualquer momento. Independente, não-afiliada a qualquer outra coisa, nossa sobriedade pode crescer bastante para nos capacitar a enfrentar as circunstâncias e as pessoas. E, como você verá, começaremos a gostar também dessa sensação.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
CAMINHANDO E CONVIVENDO
sábado, 2 de fevereiro de 2013
NOVOS NUMEROS DO PLANTÃO AL-ANON ES.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Venha nos visitar e compartilhar conosco...
terça-feira, 18 de setembro de 2012
ENTRANDO EM AÇÃO
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Do copo ao sorvete
Não deixe de ler a história de uma recaída.
Aparentemente estava tudo bem, mas ele voltou a beber.
Muitas vinte e quatro horas de sobriedade já haviam se passado. Sentia-me bem comigo mesmo, feliz da vida, sem compulsões, tranqüilo, sereno com a minha família e também junto aos que me são caros, principalmente junto ao meu grupo, onde desfrutava prazerosamente do convívio, do carinho, da amizade e do respeito de todos os companheiros indistintamente. Eram meus amigos, meus psicólogos, meus psiquiatras, meus confessores e mais do que tudo isso, eram meus irmãos e eu os amava. Freqüentava regularmente as reuniões, e dentro de minhas limitações procurava participar de tudo o que pudesse enriquecer e valorizar a minha recuperação.
Porém, a minha autoconfiança e auto-suficiência começaram a perturbar o meu sono, meus sonhos, a inquietar-me, a sugerir-me coisas que paulatinamente eu ia aceitando, contestando às vezes, porém, sem muita convicção. Foi então que o orgulho e a prepotência falaram mais alto. Essa minha volta ao copo não aconteceu em um momento impensado ou de fraqueza, levado por circunstâncias muito fortes ou situações imprevisíveis que proporcionassem uma justificativa, mesmo que covarde, para voltar ao primeiro gole. Nada disso. Simplesmente a mente doentia e calculista de um alcoólico achava que todo aquele tempo de "vivida" sobriedade fora suficientemente longo para reeducar-se, para auto-administrar sua "suposta" força de vontade e entender que: "Agora sim, posso voltar a beber socialmente". E assim, infelizmente, aconteceu. A doença é progressiva e por isso mesmo a cada dia mais aumentavam as doses que alimentavam a minha embriaguez constante, que se estendia diuturnamente.
Desnecessário seria relatar as terríveis conseqüências morais, físicas e espirituais oriundas de uma recaída. O abandono completo à sala. Não mais ouvir dos companheiros palavras de fé, esperança, relatando vitórias, conquistas, paz, serenidade e agradecimento a Deus. A vergonha e o orgulho fizeram com que eu simplesmente me escondesse dos companheiros. Vivia tenso, temeroso na expectativa de que, de um momento para o outro , poderia encontrar-me com alguns deles.
Lembro-me muito bem. Meio-dia de sábado. A mercearia servia bebidas no balcão. Eu estava talvez no terceiro copo. O vendedor de produtos adentra à loja aproximando-se do balcão para a entrega da mercadoria vendida. "Oi, cara, como vai? Tudo bem contigo?" "Tudo bem", respondi, já com a voz rouca e murmurante. "Até mais ver", e saí apressadamente, deixando para trás copo cheio, garrafas, salgadinhos e uma conta para pendurar. Minha face enrubesceu tanto que parecia queimar. Minhas pernas, estas eu não mais as sentia. Queria morrer naquele momento, pois na minha frente estava o meu amigo, o meu companheiro de grupo que devido ao anonimato vou chamá-lo de Luiz. Era a primeira vez que eu via o Luiz fora da nossa sala de A.A.
Mais dias. Mais meses se passaram, muitos copos, muita bebida, muito álcool. Sofrimentos, angústias, autopiedade, fraqueza, tudo somava e se agigantava em meu cérebro doentio de alcoólico, fazendo-me beber cada vez mais. Foi numa daquelas manhãs que eu ainda não tinha bebido o primeiro gole antes do café, que tudo aconteceu. O interfone tocou. Disseram-me que alguém me chamava da entrada do prédio. Lá encontrei o Luiz juntamente com outro companheiro, que pelo mesmo anonimato eu o chamo de Doreli.
Fiquei cara a cara com os dois amigos, que sutil, humilde e sabiamente exerciam a abordagem, inspirados pelo Décimo Segundo Passo. Ouvi tudo, calado, sem rancores ou justificativas, mágoas ou irritações. Ao se despedirem, emocionado eu agradeci. Porém, novamente o orgulho e a vergonha de retornar à sala impediram temporariamente o meu reingresso, que aconteceu somente muito tempo depois, numa pequena cidade do Espírito Santo, onde passei as férias.
Hoje estou novamente integrado de corpo e alma ao meu grupo de origem, junto aos amigos que tanto prezo e aos quais agradeço a minha recuperação diária. Antes das reuniões, nós nos divertimos muito. Contamos piadas, resolvemos todos os problemas sociais, políticos, econômicos e futebolísticos. Algum tempo atrás, pouco antes do meio-dia, sol escaldante, eu estava na calçada em frente a uma máquina de fazer sorvetes, degustando um desses sorvetes enormes, misto de creme e chocolate. Eis que vejo um companheiro caminhando apressadamente, trazendo debaixo do braço uma daquelas pastas de executivo.
"Oi cara!", falei. "Vai um sorvete aí?" "Não, obrigado", respondeu, "estou com muita pressa. Fica pra outra vez". Era a terceira vez que eu via esse companheiro fora de nossa sala de A.A. Era o Luiz...
(Renato, Balneário Camboriú/SC) (Vivência - Maio/Junho 2002) Colaboração, Grupo Carmo Sion de AA
terça-feira, 7 de agosto de 2012
domingo, 5 de agosto de 2012
O Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos na visão de um Profissional
Dra. Sandra Lúcia de Oliveira Rodrigues da Silva
Psicóloga
Custódia Não-Alcoólica – Presidente da JUNAAB
A cooperação com a Comunidade Profissional é um dos objetivos de Alcoólicos Anônimos desde os primeiros tempos da Irmandade.
“Uma das maneiras pelas quais os co-fundadores de Alcoólicos Anônimos conseguiram manter a sobriedade foi levando a mensagem de A.A. aos alcoólicos internados em hospitais.”
A Irmandade dos Alcoólicos Anônimos nasceu holística (do grego holos: o todo, inteiro, integro, completo). Antes do surgimento do tratamento de Alcoólicos Anônimos eram principalmente os médicos, os psicólogos e os clérigos que tentavam ajudar os alcoólicos a alcançar a sobriedade.
Bill W. e o Dr. Bob, co-fundadores, fizeram com que o eficiente tratamento de Alcoólicos Anônimos fosse um trabalho inclusivo; souberam sintetizar o que havia de melhor nos tratamento médicos, psicológicos e espirituais da época, acrescentando a eles a ajuda da empatia e compreensão que um alcoólico sente pelo outro, o conhecimento que têm do alcoolismo, de seus sintomas e consequências e da ajuda mútua que podem se dar.
Em “Três Palestras às Sociedades Médicas” por Bill W., co-fundador da Irmandade, Bill nos mostra como conseguiu ter uma compreensão profunda do essencial do trabalho feito na época com os alcoólicos e como esse essencial hoje faz parte do tratamento de Alcoólicos Anônimos.
Exemplo: Sobre o tratamento do médico e psicanalista Dr. Carl Gustav Jung. “Poucas pessoas sabem que as primeiras raízes de A.A. encontraram solo fértil há 30 anos em seu consultório médico”.
“Essa deflação profunda (do ego) é atualmente a pedra angular dos princípios de A.A. Ali, no consultório do Dr. Jung, esse princípio foi aplicado pela primeira vez”.
Sobre o trabalho do psicólogo William James: “Ebby me trouxe um livro intitulado “Variedades da Experiência Religiosa” e o devorei. Eu tive a formação de engenheiro e a visão autorizada do psicólogo significou tudo para mim. Esse renomado cientista da mente veio confirmar tudo o que o Dr. Jung havia dito e ele havia documentado exaustivamente tudo o que havia afirmado. Desse modo, William James confirmou os fundamentos pelos quais eu e muitos outros temos nos mantido sóbrios todos esses anos. Eu não tenho tomado nenhuma bebida alcoólica desde 1934”
Sobre a contribuição de seu médico, Dr. William D. Silkworth: após viver o estado de êxtase espiritual que deu início à sua sobriedade, Bill W. o contou ao Dr. Silkwort e sobre isso escreveu: - “Após interrogar-me cuidadosamente, assegurou-me de que eu não estava louco e que talvez tivesse tido uma experiência psíquica que poderia resolver o meu problema. Como um homem de ciência cético, que era até então, essa foi uma resposta compreensiva e sagaz. Se tivesse dito “alucinação”, eu poderia agora estar morto. A ele dedico minha eterna gratidão.
“Nessa conjuntura a primavera de 1935, o Dr. Silkwort advertiu-me de que eu havia esquecido tudo a respeito da deflação profunda do ego. Havia-me transformado em um pregador. E me disse: - “Por que você não coloca a dura realidade da medicina a estas pessoas antes de mais nada? Esqueceu o que disse William James sobre a profunda deflação do ego? Dá-lhes o fato médico, com toda clareza. Não lhes conte do “clarão”. Enumere extensivamente os seus sintomas, a fim de estabelecer uma profunda identificação. Se você agir desta forma, os seus candidatos poderão vir a adotar os singelos princípios morais que você vem tentando ensinar a eles. Aqui estava a contribuição vital para síntese. E uma vez mais foi feita por um médico”.
Sobre o grupo Oxford, diz Bill W.: O paciente, Sr, Roland escolheu o grupo Oxford da época como sua instituição religiosa. Terrivelmente castigado e quase sem esperança, entrou em grande atividade no grupo. Para suja alegria e assombro, prontamente cessou sua obsessão por bebida”.
Conclui Bill W.: “Porque nos entendemos e precisamos um do outro (Bill W. e Dr. Bob) estabeleceu-se uma reciprocidade pela primeira vez. Esse encontro marcou o fim da minha postura de pregador. Essa ideia da necessidade mútua, acrescida ao ingrediente final da síntese da medicina, religião e da experiência do alcoólico constitui agora Alcoólicos Anônimos”.
“Alcoólicos Anônimos funciona principalmente através de reuniões locais, onde os alcoólicos ajudam-se mutuamente a usar o programa de recuperação de A.A.”
“Este programa é centrado principalmente nos Doze Passos, princípios baseados nas experiências de recuperação dos primeiros membros. Os Passos não são apenas uma maneira de se permanecer sóbrio, mas um programa de vida sugerido”.
Os Doze Passos de A.A. são um programa de vida tão bem sucedido que hoje mais de 150 tipos de grupos dedicados a doentes crônicos trabalham alicerçados pelos mesmos Doze Passos (Fumantes Anônimos, Neuróticos Anônimos, Comedores Compulsivo Anônimos, Narcóticos Anônimos, Diabéticos Anônimos, etc.). Extremamente inteligente Bill W. soube captar de profissionais e grupos os mais especiais da época a essência do que realmente ajudava em cada método de tratamento. Soube encadear o tratamento em uma ordem gradativa, crescente, convincente, curativa e irretocável. E foi iluminado ao perceber o alcance da ajuda mútua e o poder curativo do serviço que cada membro da Irmandade presta ao outro.
“Os profissionais que trabalham com alcoólicos compartilham um trabalho comum com A.A.: ajudar o alcoólico a deixar de beber e a levar uma vida produtiva e saudável”.
Como profissional da psicologia, observo em meu trabalho diário com clientes, drogadictos ou não, que a essência do atendimento psicológico tem pressupostos muito semelhantes ao trabalho de recuperação de A.A.
Observo que Alcoólicos Anônimos tem dois pontos básicos comuns com o grupo terapêutico: ambos são semi-fechados, os participantes podem interromper o tratamento a qualquer momento e novos membros podem vir a fazer parte, tanto de um grupo terapêutico como de um grupo de A.A., mas de um grupo terapêutico só participará o cliente que for selecionado pelo terapeuta e do grupo de A.A. só participará o doente alcoólico que deseja parar de beber.
Além disso, é pressuposto básico e essencial dos dois tipos de grupo a regra do sigilo: o que for ouvido em um grupo terapêutico ou em um grupo de A.A. deve morrer ali.
Tenho observado, em relação aos Doze Passos, que:
Primeiro Passo: A maioria dos clientes fez múltiplas tentativas de sozinhos reorganizar e re-orientar suas vidas em novas bases mais satisfatórias, antes de verificar que não o conseguiriam e enfim se considerar impotentes frente à transformação pretendida e buscar a terapia...; da mesma forma, também muitos alcoólicos tentaram inúmeras vezes aprender a beber contidamente ou parar de beber sozinhos antes de procurar a Irmandade, onde as vezes chegaram já no fundo do poço.
Segundo Passo: Quando se vê impotente para transformar sozinho a sua vida como gostaria, o cliente procura o psicólogo confiante de que este poderá ajudá-lo; da mesma forma, quando se vê impotente frente ao álcool e encontra à sua volta, em A.A., muitos alcoólicos sóbrios e felizes, o alcoólico recém-ingressado se dispõe a acreditar – hesitante ou resolutamente que há um Poder Superior que poderá ajudá-lo a se manter sóbrio mesmo que este poder seja o de seu grupo de Alcoólicos Anônimos.
Terceiro Passo: Aí o cliente finalmente procura o terapeuta que escolheu, pede que ele o atenda, aceita que o atendimento seja feito em determinado horário, paga pelo atendimento o combinado e se dispõe a seguir as regras que norteiam o atendimento individual e as de grupo terapêutico; da mesma forma, o alcoólico que ingressou em Alcoólicos Anônimos se entrega finalmente ao Poder Superior, na forma em que ele O concebe e aceita as regras de funcionamento de Alcoólicos Anônimos.
Quarto Passo: Em cada sessão individual ou de grupo o cliente foca basicamente sua vida passada e presente, seus conflitos, dificuldades e seus desejos e receios futuros; a terapia só evolui quando o cliente abandona a posição de vítima e assume a responsabilidade pela sua vida; da mesma forma, o membro de Alcoólicos se dispõe a, por escrito, fazer um minucioso e destemido inventário moral dele mesmo assumindo a responsabilidade por seus atos e escolhas.
Quinto Passo: Na sessão terapêutica o cliente explicita muitas conquistas e alegrias, mas também muitos receios, mágoas, falhas, limites e dificuldades. É muito importante que o cliente de psicologia procure para ouvi-lo, um profissional competente e com experiência no tratamento a que se propõe; da mesma forma, o quinto passo de quem segue o programa de vida de A.A. consiste em admitir perante Deus, perante ele mesmo e perante outro ser humano que pode ser, por exemplo, um companheiro, um terapeuta ou um clérigo a natureza exata de suas falhas.
“Esta pessoa poderá estar inteiramente desligada de Alcoólicos Anônimos, por exemplo, seu preceptor religioso ou seu médico. Para alguns de nós, uma pessoa totalmente estranha poderá ser a melhor escolha”. (De: os Doze Passos e as Doze Tradições).
Sexto Passo: Há um momento na terapia em que o cliente começa a admitir abrir mão de alguns “problemas de estimação” que insistia em conservar; da mesma forma, o membro de A.A. começa a se prontificar a deixar que Deus remova todos os seus defeitos de caráter.
Sétimo Passo: Há um momento na terapia em que o cliente quer se aprofundar em assuntos que negava ou de que fugia; de forma semelhante, o praticante dos Doze Passos se desapega de suas falhas e roga humildemente ao Poder Superior pedindo que o livre de duas imperfeições.
Oitavo Passo: Ao focar seu passado, presente e futuro, o cliente de terapia, com frequência, percebe que causou danos de diversas espécies, se arrepende disto, tenta reparar o mal que causou e se dispõe a tentar a não repetir aquele tipo de ação ou de atitude; da mesma forma, o membro de A.A. relaciona as pessoas às quais prejudicou e se dispõe a reparar os danos a elas causados.
Nono Passo: O cliente de terapia com frequência percebe que não pode fazer reparações diretas a todos as pessoas a quem prejudicou, há situações em que seu arrependimento só será ouvido pelo terapeuta , mas suas ações, com certeza, se transformarão; da mesma forma, o membro de A.A. fará reparações diretas por danos causados a outros, sempre que possível.
Décimo Passo: A investigação própria e permanente torna-se um hábito regular para o cliente de terapia; o mesmo acontece com o membro de A.A. que passa a admitir, aceitar e tentar corrigir, pacientemente, os defeitos no seu cotidiano.
Décimo Primeiro Passo: O cliente de terapia torna-se melhor companhia para si mesmo: há momentos em que busca a serenidade através da introspecção, do silêncio e de um melhor contato consigo mesmo; passa a aceitar melhor a dificuldade e a tentar lidar melhor com elas; o membro de A.A. pratica a meditação e a oração como vias para um Poder Superior, recebe melhor e lida melhor com as dificuldades da vida.
Décimo Segundo Passo: O cliente que persiste no tratamento terapêutico transforma a sua vida cotidiana, transmite uma mensagem positiva através do exemplo e passa a convencer mais pelo exemplo que pelas palavras; aumenta sua necessidade de viver uma vida mais útil para a sociedade e a ajudar pessoas que sofrem; de forma semelhante, o membro de A.A. que pratica este Passo vê a resposta para seus problemas e tenta praticar os princípios de alcoólicos Anônimos em todas as suas atividades; ajudar a quem precisa passa a ser seu maior prazer.
Conclusão: Fico maravilhada ao ver a abençoada eficácia alcançada pelos primeiros AAs: o método de recuperação que criaram, a partir de seu amor pelo outro, sua inteligência, sua experiência e, sem dúvida, da graça advinda do Poder Superior, fez com que esta fraternidade pouco tenha mudado nos seus abençoados anos de vida.
Em 1935, a fraternidade Alcoólicos Anônimos começava com o auxílio mútuo que Bill W. e Dr. Bob S. se prestavam. Esse auxílio transbordou para milhares de outros alcoólicos que se tornaram sóbrios e garantiu a sobriedade dos membros de A.A., os Alcoólicos Anônimos não têm governantes, só tem membros servidores. E conseguiram tudo isto ancorados:
· Nos singelos Doze Passos, essência do Programa de Vida sugerido por A.A., princípios baseados nas experiências de recuperação dos primeiros membros.
· Nas Doze Tradições, princípios de conduta sugeridos que garantem a sobrevivência e o crescimento de A.A. como um todo.
· Nos Doze Conceitos, uma interpretação da estrutura de Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos.
Parabéns, Alcoólicos Anônimos, nestes anos de vida profícua e abençoada. E parabéns para nós, amigos de A.A. e seu programa de vida. Que muito trabalho nos espere!
Bibliografia: Livros: Alcoólicos Anônimos, Os Doze Passos e as Doze Tradições, livretos e publicações diversas de A.A., especialmente “Três Palestras às Sociedades Médicas”, Se Você For um Profissional, Falando em reuniões de não-alcoólicos e Alcoólicos Anônimos em Instituições de Tratamento.
Revista Vivência - Edição nº 123 - pág. 52
domingo, 22 de julho de 2012
Convite–Reunião no Grupo Novo Sorriso
quarta-feira, 18 de julho de 2012
BILL W. E A PRECE
"Coloquei-me sob SUA proteção sem reservas"
"Deus propõe e o homem dispõe".
William Griffith Wilson, certa vez, andava às apalpadelas na escuridão até que Deus o tocou e ele, por sua vez, tocou a outros. Ele descreveu a sua experiência, dizendo: "De repente o quarto se iluminou de uma enorme luz branca. Fui envolvido por um êxtase que não há palavras que possam descrevê-lo. Parecia, na visão de minha mente, que eu estava numa montanha e que um vento, não de ar, mas de espírito, estava soprando".
Apesar de a Igreja jamais ter aplicado oficialmente o nome de "profeta" a alguém que não estivesse assim titulado nas "Escrituras", não há dúvidas de que Deus falou ao Seu povo através de vozes como São Francisco de Assis, São Vicente Ferrer e, nos tempos recentes, através de Bill.
Bill prezou muito o que recebeu e acreditou que era bom para os outros, dizendo: "Humildemente ofereci-me a Deus, como o concebia, para que ELE fizesse de mim como ELE queria". Bill disse: "Coloquei-me sob SUA proteção sem reservas. Admiti pela primeira vez que dependendo de mim eu nada era; que sem ELE eu estava perdido. Enfrentei sem medo os meus pecados e preparei-me para que meus novos amigos os arrancassem, raízes e galhos. Nãobe bi mais desde então".
Veio a acreditar que, conforme suas necessidades, esta seria a sua força; que quanto mais a vontade de desistir lutasse consigo, mais o seu Deus lhe daria a força necessária para vencê-la. Em sua vida, Bill mostrou a todos nós que jamais deveríamos exigir tanto de Deus além do que ELE sempre nos tem dado. É ELE que nos quer dar e nós que recusamos receber. É Deus que está rezando pelos homens cujas orações não são ouvidas por eles. Jamais podemos pedir-LHE algo sem perceber que ELE já não nos tenha oferecido. A verdade de Bill é isto: Deus propõe e o homem dispõe".
Foi preciso que um corretor de Wall Street viesse nos lembrar que Deus é nosso Pai, aquele que respeita a nossa liberdade, que não nos obriga em nenhuma circunstância a aceitar Suas dádivas; que a oração é um inventário, um levantamento de tudo o que Deus tem feito por nós; que a palavra de Deus nos faz pobres por revelar quão ricos somos de fato; que nenhuma atividade pode ser frutífera se não for concebida numa retração da vontade pessoal e numa atitude de atenção e aceitação da vontade de Deus. Através de sua visão, ele nos ensinou que devemos aceitar um Poder Superiora nós mesmos, pelas demandas que Ele faz de nós.
Quando Bill Wilson foi chamado para trabalhar no vinhedo que Deus lhe destinou, ele tinha que começar por experimentar a realidade de que ele não era nada. Deus o reduziu a nada. Antes de encontrar-se consigo mesmo, ele tentara subir a um pedestal, mas Deus mostrou-lhe que Ele gosta de procurar SEUS amigos na sarjeta. Por tê-los tirado da sarjeta, Deus assegurou-se de que a pessoa que Ele escolheu jamais reivindicaria algum mérito para si, o que Bill jamais fez.
Apesar do fato de que os "Doze Passos" de A.A. são uma escalada íngreme e difícil, o alcoólico tem a segurança de que existem dois corrimões para ajudá-lo: Deus e a Irmandade de A.A.
Há um poder de comunhão que transforma, amadurece e instrui o alcoólico que sofre.
Uma das vozes do passado, São Francisco de Assis, orou:
"Deus, faze de mim um instrumento de Tua paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver
desespero, que eu leve a esperança; onde houver erros, que eu leve a verdade; onde houver dúvidas, que eu leve a fé; onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver trevas, que eu leve a luz; onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Ó Divino Mestre, conceda-me que eu possa ser menos consolado do que consolar; compreendido do que compreender; amado do que amar; porquanto, é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado; é morrendo que se vive para a vida eterna."
Obrigado, Bill Wilson, por nos lembrar de tudo isto!
Artigo escrito por Peter Geiger, no "Akron Beacon Journal",
sábado, 13 de março de 1971.
"O alcoólico tem a segurança de que existem dois corrimões para ajudá-lo: Deus e a Irmandade de A.A."
Vivência n° 98 Nov./Dez. 2005 "O impossível é questão de tempo." Tradução: Aluízio R
A SOBRIEDADE ESTÁ AO ALCANCE DE TODOS:VALE A PENA TENTAR
Prestes a completar um ano que ingressei na Irmandade de Alcoólicos Anônimos é natural, quase imperativa a realização de um pequeno inventário, buscando assim avaliar o que A.A. tem feito comigo; que mudanças aconteceram, quais os caminhos ainda por trilhar; cresci? Está valendo a pena?
Ao chegar numa sala de A.A., em março de 2004, levado por uma sobrinha a meu pedido, não estava bêbado nem de ressaca; não vinha de sanatório, clínica de reabilitação, hospital ou delegacia, mas estava preso; preso ao domínio da vergonha, do desespero, da solidão, da insensatez, da doença do alcoolismo.
Também não havia perdido minha profissão, aposentado há seis anos; nem bens materiais, nem o amor de minha família, mesmo já cansada; estava perdendo meus conceitos de moralidade, de caráter, que caracterizam os chamados homens de bem.
Buscava e não encontrava aquele Roberto que aos 16 anos ingressou na vida militar, galgou até o penúltimo posto e se aposentou com honras.
Aquele que queria e conseguiu ser exemplo aos seus comandados; aquele que era dócil numa profissão dura, pois não enxergava incompatibilidade, e estava certo.
Quando cheguei em A.A. não era o mesmo homem; o álcool, em seis anos, tomou-me amargurado, solitário, desesperado, cansado, exemplo sim, de vergonha.
Hoje sei que estava perdido; cada dia me aprofundava mais no meu poço; se cheguei ao fundo não sei, mas conheci o suficiente para querer sair.
Eu sabia que deveria sair; conselhos e lágrimas dos que verdadeiramente me amam não faltaram; trabalhos no candomblé e passes no espiritismo também não. Pai Nosso e Ave Maria, fizeram por muito tempo parte do cotidiano das minhas ressacas, até que aos poucos, o ceticismo foi também se instalando. Minhas preces tomaram-se apenas o lamento de um pobre coitado.
Numa das últimas bebedeiras, de ressaca, ao lado de minha mãe e de uma prima querida, fiz uma novena e minha última promessa, desta feita não por acaso, ao padroeiro das causas impossíveis, São Judas Tadeu; na verdade até ajudou, pois consegui não beber durante mais de um ano. Contudo, a partir do terceiro mês, o álcool não me saía da cabeça e o medo de decepcionar particularmente minha mãe era o que me segurava; a solidão era a mesma da época em que bebia e, ao completar um ano, comecei a me programar para beber, o que aconteceu logo depois.
O álcool venceu mais uma vez. Aí sem dúvida reside toda a diferença: eu estava sem beber mas não atingira a sobriedade que vim encontrar no Programa de Alcoólicos Anônimos.
Ao contrário daquele período, hoje A.A., além de me permitir o “fechar da garrafa", mostra-me a necessidade, seja através das reuniões de recuperação ou da literatura, de aprender a viver sóbrio, e que a sobriedade está ao alcance de todos.
A Sobriedade chega a mim através de um passeio rumo à espiritualidade contida nos Doze Passos, que aos poucos vou tentando seguir. É verdade que às vezes paro, descanso; penso não conseguir, pois sair de um processo de auto-destruição para o de auto-crescimento não é muito fácil, mas vou caminhando.
Interessante é que o "remédio" tem se mostrado cada vez mais doce; exceto pelo medo de ser feliz se justifica a relutância em tomá-lo.
Ao término desse ano como membro de A.A., descubro-me feliz. Não aquela felicidade a que já me referi em outros escritos, contida nos primeiros copos, aquela ilusão fornecida pelo inimigo álcool para me fragilizar nas incontáveis "saideiras". Esta é fruto da sobriedade, é uma felicidade tranqüila, sem pressa, incorporada ao cotidiano de uma caminhada na orla; no despertar consciente da véspera e no adormecer em paz no meu sítio, onde leio um bom livro, cuido de um canteiro, observo um passarinho, converso com Deus, que é o meu Poder Superior.
É a felicidade do haver retornado a uma sala de aula, onde, aos meus 51 anos e convivendo com a garotada mais jovem, descubro que o álcool me poupou alguns neurônios, que me permitem ainda aprender o Francês e o melhor, com prazer.
É constatar que a minha vida não acabou quando parei de beber, tornou-se mais interessante, mais rica, mais bela.
A.A. tem me ajudado a descobrir a cada dia esse Deus maravilhoso que está em todas as coisas, inclusive dentro de mim.
Hoje, graças à Irmandade, sou menos religioso e mais espiritual; ganhei uma fé, à qual atribuo o principal esteio da minha eterna recuperação.
Li em algum lugar: "felizes aqueles doentes que precisam do Poder Superior para a sua recuperação"; nada mais verdadeiro. Não dependemos de cirurgia ou medicamentos, dependemos apenas de Deus.
Assim vou prosseguindo, conectando-me diariamente com esse Poder que me recupera; agradecendo e descobrindo que o caminho é longo, estou apenas começando.
As feridas do ontem podem fechar, mas as cicatrizes devem permanecer; elas sempre me ajudarão a planejar o meu amanhã.
Se Deus e eu quisermos, serão mais vinte e quatro horas de sobriedade. E eu quero, pois está valendo a pena!
Roberto Salvador/BA Vivência n° 96 Jul./Ago. 2005 Colaboração Grupo Carmo Sion de AA

















