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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

FÉ , CORAGEM E A BICICLETA!

 

 

"O grande sonho de estar presente ao maior Evento Regional de A.A. aliado à fé, à perseverança e à coragem, o levou a dar um grande exemplo de participar e conviver com irmãos."

A. J. é de Bananeiras, Paraíba, hoje tem 61 anos de idade e reside em Natal, Rio Grande do Norte, há 30 anos.

Está acostumado a se deslocar para eventos de A.A., dentro do estado, usando a sua bicicleta. Desse modo, dizia a seus companheiros que iria ao XVII Seminário de A.A. da Região Nordeste, em João Pessoa, utilizando o seu meio de transporte. Os seus companheiros não acreditaram muito, mas se surpreenderam quando o viram em João Pessoa, no dia 25 de novembro. É que A.J. é vendedor ambulante e, ganhando pouco, só poderia mesmo ter chegado de bicicleta, e não deu outra. A. havia saído às cinco da manhã de Natal e chegado a João Pessoa às duas da tarde. Havia pedalado por onze horas e feito pequenas paradas para comer alguns cajus, retirados diretamente dos pés, à beira da estrada. Fizera um pequeno lanche em Mamanguape, já na Paraíba, quando eram duas da tarde. Para beber água havia parado duas vezes, sendo uma na cidade de Goianinha e chegou ao destino apenas com a virilha queimada, conforme o seu dizer, e mais nada, após percorrer mais de 200 km. Disse que gosta de andar de bicicleta e a prefere ao cavalo ou burro porque não sacode e que, para fazer a viagem, foi suficiente usar óculos escuros para se proteger do sol intenso. O resto foi contar com a sua forma física e com a fé que tem em Deus.

Durante a viagem, teve duas situações de perigo. Uma delas ocorreu quando passou por ele uma carreta. Na passagem em si, tudo bem, mas depois que passou a carreta o "sugou" e ele se sentiu sendo arrastado. Foi surpreendido e teve medo de tombar. É que A.J. sentira o efeito que os corredores de automóvel tanto apreciam, que é o vácuo, que os levam para velocidades maiores, independentemente do motor. Amaro gostou da coisa, mas inesperada que foi, o assustou e deu medo. A outra situação de risco ocorreu quando derrapou nas pedrinhas de um acostamento em declive e a bicicleta tombou, mas ele conseguiu sair do tombo e ficou de pé. Aí os cortadores de cana que estavam próximo gritaram e o chamaram de "velho rápido".

Relatou também que se a bicicleta sofresse alguma avaria, a idéia era ir empurrando a máquina até a próxima cidade, o que pareceu simples para ele mas isso seria um grande desafio para qualquer um de nós, com esta idade.

Acresce ainda que eram poucas as cidades existentes no caminho, apenas seis pequenas cidades: Parnamirim, São José do Mipibu, Goianinha e Canguaretana, todas no Rio Grande do Norte; Mamanguape, onde na descida de uma pequena serra levou o susto do vácuo da carreta e Bayeux, essas últimas na Paraíba. Para situações de avaria na bicicleta, contava apenas com umas poucas ferramentas.

O grande sonho de estar presente ao maior evento regional de A.A., que é o Seminário, e de desfrutar da companhia dos companheiros e amigos, aliado à fé, à perseverança e à coragem, o levou a dar um grande exemplo do desejo de participar, de conviver com irmãos.

Seu padrinho M. diz que ele hoje é um ser humano renovado pelo despertar espiritual e que, apesar de A. o chamar de "padrinhão", ele se sente estimulado pelos exemplos de recuperação que o A.J. lhe dá, de tal forma que M. considera que A.J. é que é o seu padrinho, realmente.

Mas A. não ficou só nisso. Tendo dado um exemplo de fé e de coragem na ida para o Seminário, deu outro exemplo, o de humildade, ao aceitar que os companheiros de Natal o levassem de volta de ônibus, incluindo a bicicleta. Não lhe ocorreu a idéia de se exibir fazendo a volta de bicicleta e de exibir um ego que poderia ter sido exaltado pela proeza que havia realizado.

Humildemente, aceitou voltar com os companheiros e, desse modo, ofereceu mais um exemplo, mostrou mais um aspecto da boa qualidade da sua recuperação.

Laís/Rio de Janeiro/RJ            Colaboração, Grupo Carmo Sion de AA

domingo, 5 de agosto de 2012

O Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos na visão de um Profissional

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imageDra. Sandra Lúcia de Oliveira Rodrigues da Silva

Psicóloga

Custódia Não-Alcoólica – Presidente da JUNAAB

A cooperação com a Comunidade Profissional é um dos objetivos de Alcoólicos Anônimos desde os primeiros tempos da Irmandade.

“Uma das maneiras pelas quais os co-fundadores de Alcoólicos Anônimos conseguiram manter a sobriedade foi levando a mensagem de A.A. aos alcoólicos internados em hospitais.”

A Irmandade dos Alcoólicos Anônimos nasceu holística (do grego holos: o todo, inteiro, integro, completo). Antes do surgimento do tratamento de Alcoólicos Anônimos eram principalmente os médicos, os psicólogos e os clérigos que tentavam ajudar os alcoólicos a alcançar a sobriedade.

Bill W. e o Dr. Bob, co-fundadores, fizeram com que o eficiente tratamento de Alcoólicos Anônimos fosse um trabalho inclusivo; souberam sintetizar o que havia de melhor nos tratamento médicos, psicológicos e espirituais da época, acrescentando a eles a ajuda da empatia e compreensão que um alcoólico sente pelo outro, o conhecimento que têm do alcoolismo, de seus sintomas e consequências e da ajuda mútua que podem se dar.

Em “Três Palestras às Sociedades Médicas” por Bill W., co-fundador da Irmandade, Bill nos mostra como conseguiu ter uma compreensão profunda do essencial do trabalho feito na época com os alcoólicos e como esse essencial hoje faz parte do tratamento de Alcoólicos Anônimos.

Exemplo: Sobre o tratamento do médico e psicanalista Dr. Carl Gustav Jung. “Poucas pessoas sabem que as primeiras raízes de A.A. encontraram solo fértil há 30 anos em seu consultório médico”.

“Essa deflação profunda (do ego) é atualmente a pedra angular dos princípios de A.A. Ali, no consultório do Dr. Jung, esse princípio foi aplicado pela primeira vez”.

Sobre o trabalho do psicólogo William James: “Ebby me trouxe um livro intitulado “Variedades da Experiência Religiosa” e o devorei. Eu tive a formação de engenheiro e a visão autorizada do psicólogo significou tudo para mim. Esse renomado cientista da mente veio confirmar tudo o que o Dr. Jung havia dito e ele havia documentado exaustivamente tudo o que havia afirmado. Desse modo, William James confirmou os fundamentos pelos quais eu e muitos outros temos nos mantido sóbrios todos esses anos. Eu não tenho tomado nenhuma bebida alcoólica desde 1934”

Sobre a contribuição de seu médico, Dr. William D. Silkworth: após viver o estado de êxtase espiritual que deu início à sua sobriedade, Bill W. o contou ao Dr. Silkwort e sobre isso escreveu: - “Após interrogar-me cuidadosamente, assegurou-me de que eu não estava louco e que talvez tivesse tido uma experiência psíquica que poderia resolver o meu problema. Como um homem de ciência cético, que era até então, essa foi uma resposta compreensiva e sagaz. Se tivesse dito “alucinação”, eu poderia agora estar morto. A ele dedico minha eterna gratidão.

“Nessa conjuntura a primavera de 1935, o Dr. Silkwort advertiu-me de que eu havia esquecido tudo a respeito da deflação profunda do ego. Havia-me transformado em um pregador. E me disse: - “Por que você não coloca a dura realidade da medicina a estas pessoas antes de mais nada? Esqueceu o que disse William James sobre a profunda deflação do ego? Dá-lhes o fato médico, com toda clareza. Não lhes conte do “clarão”. Enumere extensivamente os seus sintomas, a fim de estabelecer uma profunda identificação. Se você agir desta forma, os seus candidatos poderão vir a adotar os singelos princípios morais que você vem tentando ensinar a eles. Aqui estava a contribuição vital para síntese. E uma vez mais foi feita por um médico”.

Sobre o grupo Oxford, diz Bill W.: O paciente, Sr, Roland escolheu o grupo Oxford da época como sua instituição religiosa. Terrivelmente castigado e quase sem esperança, entrou em grande atividade no grupo. Para suja alegria e assombro, prontamente cessou sua obsessão por bebida”.

Conclui Bill W.: “Porque nos entendemos e precisamos um do outro (Bill W. e Dr. Bob) estabeleceu-se uma reciprocidade pela primeira vez. Esse encontro marcou o fim da minha postura de pregador. Essa ideia da necessidade mútua, acrescida ao ingrediente final da síntese da medicina, religião e da experiência do alcoólico constitui agora Alcoólicos Anônimos”.

“Alcoólicos Anônimos funciona principalmente através de reuniões locais, onde os alcoólicos ajudam-se mutuamente a usar o programa de recuperação de A.A.”

“Este programa é centrado principalmente nos Doze Passos, princípios baseados nas experiências de recuperação dos primeiros membros. Os Passos não são apenas uma maneira de se permanecer sóbrio, mas um programa de vida sugerido”.

Os Doze Passos de A.A. são um programa de vida tão bem sucedido que hoje mais de 150 tipos de grupos dedicados a doentes crônicos trabalham alicerçados pelos mesmos Doze Passos (Fumantes Anônimos, Neuróticos Anônimos, Comedores Compulsivo Anônimos, Narcóticos Anônimos, Diabéticos Anônimos, etc.). Extremamente inteligente Bill W. soube captar de profissionais e grupos os mais especiais da época a essência do que realmente ajudava em cada método de tratamento. Soube encadear o tratamento em uma ordem gradativa, crescente, convincente, curativa e irretocável. E foi iluminado ao perceber o alcance da ajuda mútua e o poder curativo do serviço que cada membro da Irmandade presta ao outro.

“Os profissionais que trabalham com alcoólicos compartilham um trabalho comum com A.A.: ajudar o alcoólico a deixar de beber e a levar uma vida produtiva e saudável”.

Como profissional da psicologia, observo em meu trabalho diário com clientes, drogadictos ou não, que a essência do atendimento psicológico tem pressupostos muito semelhantes ao trabalho de recuperação de A.A.

Observo que Alcoólicos Anônimos tem dois pontos básicos comuns com o grupo terapêutico: ambos são semi-fechados, os participantes podem interromper o tratamento a qualquer momento e novos membros podem vir a fazer parte, tanto de um grupo terapêutico como de um grupo de A.A., mas de um grupo terapêutico só participará o cliente que for selecionado pelo terapeuta e do grupo de A.A. só participará o doente alcoólico que deseja parar de beber.

Além disso, é pressuposto básico e essencial dos dois tipos de grupo a regra do sigilo: o que for ouvido em um grupo terapêutico ou em um grupo de A.A. deve morrer ali.

Tenho observado, em relação aos Doze Passos, que:

Primeiro Passo: A maioria dos clientes fez múltiplas tentativas de sozinhos reorganizar e re-orientar suas vidas em novas bases mais satisfatórias, antes de verificar que não o conseguiriam e enfim se considerar impotentes frente à transformação pretendida e buscar a terapia...; da mesma forma, também muitos alcoólicos tentaram inúmeras vezes aprender a beber contidamente ou parar de beber sozinhos antes de procurar a Irmandade, onde as vezes chegaram já no fundo do poço.

Segundo Passo: Quando se vê impotente para transformar sozinho a sua vida como gostaria, o cliente procura o psicólogo confiante de que este poderá ajudá-lo; da mesma forma, quando se vê impotente frente ao álcool e encontra à sua volta, em A.A., muitos alcoólicos sóbrios e felizes, o alcoólico recém-ingressado se dispõe a acreditar – hesitante ou resolutamente que há um Poder Superior que poderá ajudá-lo a se manter sóbrio mesmo que este poder seja o de seu grupo de Alcoólicos Anônimos.

Terceiro Passo: Aí o cliente finalmente procura o terapeuta que escolheu, pede que ele o atenda, aceita que o atendimento seja feito em determinado horário, paga pelo atendimento o combinado e se dispõe a seguir as regras que norteiam o atendimento individual e as de grupo terapêutico; da mesma forma, o alcoólico que ingressou em Alcoólicos Anônimos se entrega finalmente ao Poder Superior, na forma em que ele O concebe e aceita as regras de funcionamento de Alcoólicos Anônimos.

Quarto Passo: Em cada sessão individual ou de grupo o cliente foca basicamente sua vida passada e presente, seus conflitos, dificuldades e seus desejos e receios futuros; a terapia só evolui quando o cliente abandona a posição de vítima e assume a responsabilidade pela sua vida; da mesma forma, o membro de Alcoólicos se dispõe a, por escrito, fazer um minucioso e destemido inventário moral dele mesmo assumindo a responsabilidade por seus atos e escolhas.

Quinto Passo: Na sessão terapêutica o cliente explicita muitas conquistas e alegrias, mas também muitos receios, mágoas, falhas, limites e dificuldades. É muito importante que o cliente de psicologia procure para ouvi-lo, um profissional competente e com experiência no tratamento a que se propõe; da mesma forma, o quinto passo de quem segue o programa de vida de A.A. consiste em admitir perante Deus, perante ele mesmo e perante outro ser humano que pode ser, por exemplo, um companheiro, um terapeuta ou um clérigo a natureza exata de suas falhas.

“Esta pessoa poderá estar inteiramente desligada de Alcoólicos Anônimos, por exemplo, seu preceptor religioso ou seu médico. Para alguns de nós, uma pessoa totalmente estranha poderá ser a melhor escolha”. (De: os Doze Passos e as Doze Tradições).

Sexto Passo: Há um momento na terapia em que o cliente começa a admitir abrir mão de alguns “problemas de estimação” que insistia em conservar; da mesma forma, o membro de A.A. começa a se prontificar a deixar que Deus remova todos os seus defeitos de caráter.

Sétimo Passo: Há um momento na terapia em que o cliente quer se aprofundar em assuntos que negava ou de que fugia; de forma semelhante, o praticante dos Doze Passos se desapega de suas falhas e roga humildemente ao Poder Superior pedindo que o livre de duas imperfeições.

Oitavo Passo: Ao focar seu passado, presente e futuro, o cliente de terapia, com frequência, percebe que causou danos de diversas espécies, se arrepende disto, tenta reparar o mal que causou e se dispõe a tentar a não repetir aquele tipo de ação ou de atitude; da mesma forma, o membro de A.A. relaciona as pessoas às quais prejudicou e se dispõe a reparar os danos a elas causados.

Nono Passo: O cliente de terapia com frequência percebe que não pode fazer reparações diretas a todos as pessoas a quem prejudicou, há situações em que seu arrependimento só será ouvido pelo terapeuta , mas suas ações, com certeza, se transformarão; da mesma forma, o membro de A.A. fará reparações diretas por danos causados a outros, sempre que possível.

Décimo Passo: A investigação própria e permanente torna-se um hábito regular para o cliente de terapia; o mesmo acontece com o membro de A.A. que passa a admitir, aceitar e tentar corrigir, pacientemente, os defeitos no seu cotidiano.

Décimo Primeiro Passo: O cliente de terapia torna-se melhor companhia para si mesmo: há momentos em que busca a serenidade através da introspecção, do silêncio e de um melhor contato consigo mesmo; passa a aceitar melhor a dificuldade e a tentar lidar melhor com elas; o membro de A.A. pratica a meditação e a oração como vias para um Poder Superior, recebe melhor e lida melhor com as dificuldades da vida.

Décimo Segundo Passo: O cliente que persiste no tratamento terapêutico transforma a sua vida cotidiana, transmite uma mensagem positiva através do exemplo e passa a convencer mais pelo exemplo que pelas palavras; aumenta sua necessidade de viver uma vida mais útil para a sociedade e a ajudar pessoas que sofrem; de forma semelhante, o membro de A.A. que pratica este Passo vê a resposta para seus problemas e tenta praticar os princípios de alcoólicos Anônimos em todas as suas atividades; ajudar a quem precisa passa a ser seu maior prazer.

Conclusão: Fico maravilhada ao ver a abençoada eficácia alcançada pelos primeiros AAs: o método de recuperação que criaram, a partir de seu amor pelo outro, sua inteligência, sua experiência e, sem dúvida, da graça advinda do Poder Superior, fez com que esta fraternidade pouco tenha mudado nos seus abençoados anos de vida.

Em 1935, a fraternidade Alcoólicos Anônimos começava com o auxílio mútuo que Bill W. e Dr. Bob S. se prestavam. Esse auxílio transbordou para milhares de outros alcoólicos que se tornaram sóbrios e garantiu a sobriedade dos membros de A.A., os Alcoólicos Anônimos não têm governantes, só tem membros servidores. E conseguiram tudo isto ancorados:

· Nos singelos Doze Passos, essência do Programa de Vida sugerido por A.A., princípios baseados nas experiências de recuperação dos primeiros membros.

· Nas Doze Tradições, princípios de conduta sugeridos que garantem a sobrevivência e o crescimento de A.A. como um todo.

· Nos Doze Conceitos, uma interpretação da estrutura de Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos.

Parabéns, Alcoólicos Anônimos, nestes anos de vida profícua e abençoada. E parabéns para nós, amigos de A.A. e seu programa de vida. Que muito trabalho nos espere!

Bibliografia: Livros: Alcoólicos Anônimos, Os Doze Passos e as Doze Tradições, livretos e publicações diversas de A.A., especialmente “Três Palestras às Sociedades Médicas”, Se Você For um Profissional, Falando em reuniões de não-alcoólicos e Alcoólicos Anônimos em Instituições de Tratamento.

Revista Vivência - Edição nº 123 - pág. 52

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Reunião CORUJÃO





ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
GRUPO ARAÇÁS
Rua Caracas, 103 - Araçás - Vila Velha - ES - CEP: 29103-540
Reuniões: Segunda, terça, quarta e sexta 19:30h.
(Próximo ao Maderauto Material de Construção)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

BILL W. E A PRECE

"Coloquei-me sob SUA proteção sem reservas"BillW

"Deus propõe e o homem dispõe".

William Griffith Wilson, certa vez, andava às apalpadelas na escuridão até que Deus o tocou e ele, por sua vez, tocou a outros. Ele descreveu a sua experiência, dizendo: "De repente o quarto se iluminou de uma enorme luz branca. Fui envolvido por um êxtase que não há palavras que possam descrevê-lo. Parecia, na visão de minha mente, que eu estava numa montanha e que um vento, não de ar, mas de espírito, estava soprando".

Apesar de a Igreja jamais ter aplicado oficialmente o nome de "profeta" a alguém que não estivesse assim titulado nas "Escrituras", não há dúvidas de que Deus falou ao Seu povo através de vozes como São Francisco de Assis, São Vicente Ferrer e, nos tempos recentes, através de Bill.

Bill prezou muito o que recebeu e acreditou que era bom para os outros, dizendo: "Humildemente ofereci-me a Deus, como o concebia, para que ELE fizesse de mim como ELE queria". Bill disse: "Coloquei-me sob SUA proteção sem reservas. Admiti pela primeira vez que dependendo de mim eu nada era; que sem ELE eu estava perdido. Enfrentei sem medo os meus pecados e preparei-me para que meus novos amigos os arrancassem, raízes e galhos. Nãobe bi mais desde então".

Veio a acreditar que, conforme suas necessidades, esta seria a sua força; que quanto mais a vontade de desistir lutasse consigo, mais o seu Deus lhe daria a força necessária para vencê-la. Em sua vida, Bill mostrou a todos nós que jamais deveríamos exigir tanto de Deus além do que ELE sempre nos tem dado. É ELE que nos quer dar e nós que recusamos receber. É Deus que está rezando pelos homens cujas orações não são ouvidas por eles. Jamais podemos pedir-LHE algo sem perceber que ELE já não nos tenha oferecido. A verdade de Bill é isto: Deus propõe e o homem dispõe".

Foi preciso que um corretor de Wall Street viesse nos lembrar que Deus é nosso Pai, aquele que respeita a nossa liberdade, que não nos obriga em nenhuma circunstância a aceitar Suas dádivas; que a oração é um inventário, um levantamento de tudo o que Deus tem feito por nós; que a palavra de Deus nos faz pobres por revelar quão ricos somos de fato; que nenhuma atividade pode ser frutífera se não for concebida numa retração da vontade pessoal e numa atitude de atenção e aceitação da vontade de Deus. Através de sua visão, ele nos ensinou que devemos aceitar um Poder Superiora nós mesmos, pelas demandas que Ele faz de nós.

Quando Bill Wilson foi chamado para trabalhar no vinhedo que Deus lhe destinou, ele tinha que começar por experimentar a realidade de que ele não era nada. Deus o reduziu a nada. Antes de encontrar-se consigo mesmo, ele tentara subir a um pedestal, mas Deus mostrou-lhe que Ele gosta de procurar SEUS amigos na sarjeta. Por tê-los tirado da sarjeta, Deus assegurou-se de que a pessoa que Ele escolheu jamais reivindicaria algum mérito para si, o que Bill jamais fez.

Apesar do fato de que os "Doze Passos" de A.A. são uma escalada íngreme e difícil, o alcoólico tem a segurança de que existem dois corrimões para ajudá-lo: Deus e a Irmandade de A.A.

Há um poder de comunhão que transforma, amadurece e instrui o alcoólico que sofre.

Uma das vozes do passado, São Francisco de Assis, orou:

"Deus, faze de mim um instrumento de Tua paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver
desespero, que eu leve a esperança; onde houver erros, que eu leve a verdade; onde houver dúvidas, que eu leve a fé; onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver trevas, que eu leve a luz; onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Ó Divino Mestre, conceda-me que eu possa ser menos consolado do que consolar; compreendido do que compreender; amado do que amar; porquanto, é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado; é morrendo que se vive para a vida eterna."

Obrigado, Bill Wilson, por nos lembrar de tudo isto!

Artigo escrito por Peter Geiger, no "Akron Beacon Journal",
sábado, 13 de março de 1971.

"O alcoólico tem a segurança de que existem dois corrimões para ajudá-lo: Deus e a Irmandade de A.A."

Vivência n° 98 Nov./Dez. 2005           "O impossível é questão de tempo."            Tradução: Aluízio R

terça-feira, 19 de junho de 2012

AOS PROFISSIONAIS - ENCONTRO DE AA NO ES.



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ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
GRUPO ARAÇÁS
Rua Caracas, 103 - Araçás - Vila Velha - ES - CEP: 29103-540
Reuniões: Segunda, terça, quarta e sexta 19:30h.
(Próximo ao Maderauto Material de Construção)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

TEMÁTICA COM VIDEO-DEBATE



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ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
GRUPO ARAÇÁS
Rua Caracas, 103 - Araçás - Vila Velha - ES - CEP: 29103-540
Reuniões: Segunda, terça, quarta e sexta 19:30h.
(Próximo ao Maderauto Material de Construção)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Alcoólicos Anônimos – 77 anos.

Dom, 10 de Junho de 2012  - Matéria publicada no site: http://www.aguasdepontal.com.br/artigos/418-alcoolicos-anonimos-77-anos.html


No dia 10 de junho de 1935, na cidade de Akron, Estado de Ohio, nos Estados Unidos da América do Norte, começa ser escrita a história de Alcoólicos Anônimos.

Com singela grandeza, exuberante beleza, salvando e restaurando vidas, chega aos setenta e sete anos. É dela que fazem parte homens e mulheres um dia condenados ao desterro, destruídos moral, material, emocional e espiritualmente. Hoje, revigorados, ressuscitados para a vida, amantes da paz, fazedores do bem, servos de um Poder Superior, escolhido a gosto de cada um – para a maioria um Deus Amantíssimo – que os ampara um dia de cada vez, transformando a vida, apesar das dificuldades, num espetáculo fascinante e imperdível.
Com reuniões grupais estão presentes em quase todos os países do nosso planeta. Virtualmente, através da internet, em todo o mundo.
O anonimato é patrimônio de cada membro. Não se revelam publicamente ou na mídia, em respeito as suas tradições. Elas recomendam os princípios em detrimento às personalidades. O importante é o que se faz e não quem faz.

Nós de A.A. somos homens e mulheres que descobrimos e admitimos ser incapazes de controlar o álcool. Precisamos viver sem ele, a fim de evitar a ruína para nós mesmos e para os que nos são preciosos.
Nosso único e fundamental propósito é mantermo-nos sóbrios e atender àqueles que procuram nosso auxílio, ajudando-os a alcançar a sobriedade.
Não somos reformadores nem estamos ligados a qualquer grupo, causa ou filiação religiosa. Não temos desejo algum de tornar o mundo abstêmio. Não recrutamos membros. Evitamos impor nossos pontos de vista e só nos pronunciamos sobre eles quando solicitados.
Une-nos um problema comum: o álcool. Encontrando-nos, trocando ideias, ou ajudando outros alcoólatras, podemos, de algum modo, permanecer sóbrios e eliminar a compulsão pela bebida que outrora foi a força dominante em nossa vida.
Conquanto não haja uma “definição de A.A.” formal do alcoolismo, concordamos, na maioria, tratar-se de uma compulsão física aliada a uma obsessão mental. Com isso queremos dizer que tínhamos um desejo físico, bem distinto, de consumir álcool além do que podíamos controlar e em desafio a todas as regras do bom senso. Tínhamos não só um desejo anormal pelo álcool, como ainda frequentemente sucumbíamos a ele nas piores ocasiões. Não sabíamos quando (ou como) parar de beber. Muitas vezes não tínhamos sensatez bastante para saber quando não começar.
Hoje admitimos que o alcoolismo, ao menos pelo que nos tange, é uma doença progressiva, que jamais pode ser “curada”, mas que, como outras enfermidades, pode ser estacionada. Concordamos que não há nada vergonhoso em estar-se doente, desde que se encare o problema com honestidade e procure solucioná-lo.
Compreendemos agora que, uma vez que uma pessoa cruze a invisível fronteira entre um forte hábito de beber e o alcoolismo compulsivo, será sempre um alcoólatra. Pelo que sabemos, nunca mais poderá voltar ao hábito social (normal) de beber. “Uma vez alcoólatra, sempre alcoólatra”. É um simples fato com o qual temos que conviver.
Nossa experiência em A.A. ensinou-nos duas coisas importantes. Primeira: os problemas básicos que os alcoólatras enfrentam são os mesmos, tanto para os que esmolam para beber uma pinga quanto para os que exercem elevadas funções em grandes empresas. Segunda: agora compreendemos que o programa de A.A. de recuperação funciona para quase todo o alcoólatra, se este honestamente quer que funcione, não importa qual o seu nível social ou sua experiência com a bebida.
Também começamos a nos perguntar o que seria necessário fazer para permanecermos sóbrios, quanto custaria ser membro de A.A., quem “dirigia” a sociedade no plano local e internacional. Logo descobrimos que não há imposições, que ninguém é obrigado a seguir qualquer ritual ou padrão de conduta. Aprendemos também que não são cobradas taxas ou mensalidades de espécie alguma. As despesas com as salas de reuniões, com o café e com outros gastos são cobertas por meio de coleta que não é obrigatória.
Percebemos que Alcoólicos Anônimos não tem dirigentes, apenas servidores que cuidam de assuntos essenciais à unidade da Irmandade e que se revezam periodicamente, não existindo “chefes”.

Parte do depoimento de um participante da Irmandade de Alcoólicos Anônimos, gravado, com autorização, em reunião de grupo:
Ouvi falar sobre Alcoólicos Anônimos no manicômio onde me internei em 1983. Achava que só um “louco” poderia ser protagonista da vida que levava. Nos dois anos seguintes, ainda bebendo, nunca mais consegui fazê-lo "sossegado". Parecia que alguém me observava e aí começou a fase em que parti para o submundo da periferia, onde ninguém me conhecia e em qualquer boteco eu era o "rei".
Ainda tinha dinheiro, pagava a bebedeira de "todo mundo" e era insolente. Não dormi na rua, na calçada, na sarjeta, porque, ou entrava no carro ou me jogavam lá dentro.
Foi assim que em 27 de junho de 1985 fui encontrado pela minha filha, às 10h00 (da manhã), dormindo. Bem próximo havia um "orelhão". Liguei e pedi socorro. Na minha carteira, num pequeno papel, constava o número do telefone da pessoa que me socorreu e que dois anos antes me abordara, pois, conhecia minha saga desde o internamento em 1983.
Naquele mesmo dia, às 19h30, fui levado por aquela pessoa a uma sala de reuniões dos AAs. Ela fazia parte da Irmandade.
Depois de várias reuniões entendi que a minha dependência física e a obsessão mental pelo álcool eram tamanhas, que não haveria solução só com a minha vontade e que somente um ato da "Providência" poderia me salvar. Não se tratava mais de parar de beber. Era preciso acontecer o milagre da "ressurreição". Acreditei no milagre.
Comecei a distinguir o dia da noite, comecei a segurar uma xícara na mão, consegui escrever e a caligrafia voltou a ser bonita. Reaprendi que o ano tem quatro estações, que o sabiá canta de outubro a janeiro. Nas ruas me deparava com novos modelos de carros, que não sabia que existiam. Voltei a sentir frio e calor e o cafezinho era saboroso. Aliás, em poucas semanas assumi a cozinha do grupo, fazia e servia café e todos diziam que nunca haviam tomado café tão bom.
Entendi mais tarde que nasci alcoólatra, ou possível portador da doença do alcoolismo. Já aos 13 anos bebia quatro a cinco doses de vodka com refrigerante, enquanto meus amigos (meninos como eu) mal conseguiam tomar uma dose.
Embora tenha constituído família, construído uma carreira brilhante, meu "norte" sempre foi o álcool, ou seja, tinha que estar sempre presente no dia-a-dia e sutilmente evoluiu ao longo de 25 anos até a derrota total.
Não confundo espiritualidade com religião, nem religiosidade. Sei que absorvi espiritualidade. Não sei a intensidade. Só sei que quando ouço, falo, escrevo sobre Alcoólicos Anônimos e convivo com os AAs. sinto leveza no coração e paz nunca dantes vivida. Está dentro de mim. É difícil descrever, porém, é maravilhoso.
No balanço da vida, entre erros e acertos, sobras e perdas, no embate direto materialista, não há dúvida, saio perdendo, embora tenha nascido sob a aura do bem e procurado praticar o bem.
Tenho, porém, uma verdade inquestionável: minha vida adquiriu sentido a partir de Alcoólicos Anônimos. Não existe nenhum fanatismo, é puro amor, por uma filosofia, uma causa, um objetivo, enfim. . . acho que só eu entendo, sem pretender, jamais, ser melhor do que ninguém.
No dia 10 de junho próximo, Alcoólicos Anônimos, completa 77 anos de existência. Quero dizer algumas palavras mais especiais para agradecer.
“Quero fazer da vida um gesto de querer bem, que se prolongue através do espaço e do tempo. Quero fazer da vida uma esperança para os que perderam as forças, uma luz para os que tropeçam na noite, uma sombra para os que se arrastam ao sol, um aceno do alto para os que procuram o caminho, um encontro para os que vivem na solidão.”
Agradecer porque tenho bons amigos, que me ouvem, abrem os braços, dizem coisas que há muito ignorei;
Agradecer porque sou depositário de boas novas, desejos plausíveis, sonhos quase reais;
Porque sinto que o imaginário perdeu o encanto, que a realidade, mesmo que, às vezes cruel, incentiva-me a lutar pela fuga da insanidade;
Porque vivo momentos intensos e sublimes de credulidade e fé;
Porque sei que os valores morais foram reconquistados, que a sabedoria perdida vai chegando e, de repente, vejo que sou capaz;
Porque a mansidão e a ternura têm substituído com folga, a raiva e o ódio;
Meus passos não são mais medrosos;
Minha fé abre as alas da escuridão. Há luz. Muita luz;
Não sou mais aquela folha seca jogada e abandonada pela brisa. Encontrei o meu descanso. Estou no meu lugar;
Escapei da morte. Deixei de beber.
________________________________________________________________
Notas do editor: http://www.aguasdepontal.com.br/artigos/418-alcoolicos-anonimos-77-anos.html
Contatos de Alcoólicos Anônimos (entre outros)
www.alcoolicosanonimos-pr.org.br
www.alcoolicosanonimos.org.br
www.aa.org
www.aasobriedade.org
www.aabr.com.br
As partes deste artigo destacadas em fonte itálica foram extraídas da literatura oficial de A.A.
O membro da Irmandade, que relatou parte de sua história pessoal, destacada em negrito, é amigo particular do editor.