VENHA E TRAGA MAIS UM.
CURTIR
terça-feira, 7 de agosto de 2012
CONVITE REUNIÃO DE NOVOS
VENHA E TRAGA MAIS UM.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Enfrentando nossos temores
Às vezes, ser grato com responsabilidade significa ser a voz minoritária.
Quando cheguei em A.A. encontrei à minha volta bons exemplos que me ensinaram os princípios os quais devemos pôr em pratica para modificar nossas vidas. O homem que seria meu padrinho estava dizendo um dia, durante o café, que havia estudado as Doze Tradições e que aprendeu a colocá-las em prática no seu dia-a-dia. Interessei-me e comecei a prestar atenção no que ele tinha a dizer, embora pensasse que, na verdade, as Doze Tradições não teriam nenhuma aplicação pratica na vida pessoal e que certamente eram para pessoas que contavam com mais anos de sobriedade. Eu disse para mim mesmo que talvez algum dia chegaria “ao nível” das Tradições depois de “conhecer a fundo” os Doze Passos.
Esse homem me disse que colocava o bem-estar comum de sua família acima de suas necessidades e desejos pessoais, e o bem-estar da empresa, do seu chefe e de sua equipe acima de seus desejos egoístas de obter êxito pessoal. Explicou o conceito da auto-suficiência de uma forma como eu nunca havia escutado antes, ao descrever o princípio espiritual de que nós, alcoólicos em recuperação, tínhamos que custear nossos próprios gastos na Irmandade.
Quanto mais ele falava, mais eu me interessava. Comecei a falar com esse homem sobre tais princípios na medida em que começamos a estudar os Passos. Uma das coisas que ele me disse a respeito da Décima Segunda Tradição foi que, algum dia, uma das coisas mais difíceis que eu deveria fazer seria quando tivesse de mostrar esses princípios e carinhosamente colocá-los acima das personalidades de todo o grupo, mostrando que seus pensamentos estavam equivocados. Disse-me que algum dia eu seria a voz da minoria e teria de vencer o medo que me atormentasse porque ninguém faria isso por mim.
Com efeito, esse dia chegou durante uma das reuniões dos sábados à noite, das quais eu gostava tanto. Estava cheia de veteranos e companheiros de A.A., cuja sobriedade eu respeitava muito.
Durante as leituras e os outros procedimentos usados para iniciar uma reunião, a sacola é passada. Então, o coordenador anunciou que passaria uma segunda sacola, destinada a recolher fundos para a festa de natal das crianças do Centro da Rua dos Robles. Como eu estava sentado na primeira fila, ele me passou uma das sacolas e deu a outra para alguém da mesma fila. Então presumia-se que passaríamos a sacola por toda a sala, até chegar a ultima fila. No instante em que peguei a sacola, senti uma ansiedade profunda e olhei para as Doze Tradições colocadas na parede. Pareceu-me que a Sexta Tradição era a que mais brilhava entre as outras. Tratava-se de uma causa nobre: as crianças no natal. Também se tratava de nossos filhos, porque o Centro era um clube onde se celebram as reuniões de A.A. Tentei, por isso, pensar que não era um empreendimento de fora, mas o coração dizia que sim. O clube era um estabelecimento semelhante, mas as crianças não eram membros de A.A. Passei a sacola à pessoa que estava a meu lado e disse: “Não posso participar disso”.
A ansiedade aumentou quando senti que tinha de fazer algo a respeito. Mas o que eu poderia fazer? Sou uma pessoa que gosta de agradar aos outros. Se dissesse mais alguma coisa, temia que as pessoas achassem que eu estava passando dos limites e me colocasse de lado. A situação não preocupou a mais ninguém, já que vi muitos colocando dinheiro na sacola, satisfeitos.
Enquanto eu quebrava a cabeça para tentar resolver este dilema, a reunião começou e continuou como de costume. Porém, Deus havia concebido um plano para mim nesta noite e fui chamado a falar. Ao levantar, minhas mãos começaram a suar porque eu sabia o que tinha de fazer. Teria que me colocar em pé de frente ao salão repleto de pessoas que haviam permanecido sóbrias por muito tempo, a quem eu respeitava muito, e seria eu quem teria de dizer a eles que aquilo não era correto. Fiz uma oração rápida a caminho da tribuna. Quando cheguei lá, respirei fundo e falei. Não me lembro com exatidão o que disse, mas eles receberam bem... até chegar o intervalo. Vários membros então me cercaram tentando “me ensinar” dizendo que eu estava equivocado, e começaram a compartilhar comigo o que eles concebiam como o que era certo em todo esse assunto.
Apesar de toda sabedoria que esses veteranos, bem intencionados, generosamente me ofereciam, não mudei meu voto e nem a minha maneira de pensar. O que realmente aconteceu foi que abri as portas para um diálogo sobre esse problema e a consciência do grupo decidiu que não passaria outra sacola para causas externas.
Vários princípios espirituais fizeram-se presentes nessa situação, mas devo a Deus todo o resultado. Ele preparou-me ajudando a me familiarizar com a Sexta Tradição e com a forma que esses princípios funcionam para o nosso bem e o de toda a Irmandade. Se não fosse pelos Doze Passos, não teria tido a fé para enfrentar meus temores e ser uma voz minoritária.
Ainda não estava inteirado dos Doze Conceitos como princípios espirituais, mas comecei a aprender a importância da voz da minoria para o bem de A.A. antes de saber que este era um principio espiritual. Todos os nossos Legados se sustentam mutuamente. Nunca é cedo para começar a aprender e praticar todos esses princípios “em todas as nossas atividades”.
(Grapevine, março de 2000) VIVENCIA N° 80 NOV/DEZ / 2002 Colaboração, Grupo Carmo Sion de AA
domingo, 5 de agosto de 2012
CONVITE PARA REUNIÃO DE SEGUNDA FEIRA DIA 06 DE AGOSTO
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O Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos na visão de um Profissional
Dra. Sandra Lúcia de Oliveira Rodrigues da Silva
Psicóloga
Custódia Não-Alcoólica – Presidente da JUNAAB
A cooperação com a Comunidade Profissional é um dos objetivos de Alcoólicos Anônimos desde os primeiros tempos da Irmandade.
“Uma das maneiras pelas quais os co-fundadores de Alcoólicos Anônimos conseguiram manter a sobriedade foi levando a mensagem de A.A. aos alcoólicos internados em hospitais.”
A Irmandade dos Alcoólicos Anônimos nasceu holística (do grego holos: o todo, inteiro, integro, completo). Antes do surgimento do tratamento de Alcoólicos Anônimos eram principalmente os médicos, os psicólogos e os clérigos que tentavam ajudar os alcoólicos a alcançar a sobriedade.
Bill W. e o Dr. Bob, co-fundadores, fizeram com que o eficiente tratamento de Alcoólicos Anônimos fosse um trabalho inclusivo; souberam sintetizar o que havia de melhor nos tratamento médicos, psicológicos e espirituais da época, acrescentando a eles a ajuda da empatia e compreensão que um alcoólico sente pelo outro, o conhecimento que têm do alcoolismo, de seus sintomas e consequências e da ajuda mútua que podem se dar.
Em “Três Palestras às Sociedades Médicas” por Bill W., co-fundador da Irmandade, Bill nos mostra como conseguiu ter uma compreensão profunda do essencial do trabalho feito na época com os alcoólicos e como esse essencial hoje faz parte do tratamento de Alcoólicos Anônimos.
Exemplo: Sobre o tratamento do médico e psicanalista Dr. Carl Gustav Jung. “Poucas pessoas sabem que as primeiras raízes de A.A. encontraram solo fértil há 30 anos em seu consultório médico”.
“Essa deflação profunda (do ego) é atualmente a pedra angular dos princípios de A.A. Ali, no consultório do Dr. Jung, esse princípio foi aplicado pela primeira vez”.
Sobre o trabalho do psicólogo William James: “Ebby me trouxe um livro intitulado “Variedades da Experiência Religiosa” e o devorei. Eu tive a formação de engenheiro e a visão autorizada do psicólogo significou tudo para mim. Esse renomado cientista da mente veio confirmar tudo o que o Dr. Jung havia dito e ele havia documentado exaustivamente tudo o que havia afirmado. Desse modo, William James confirmou os fundamentos pelos quais eu e muitos outros temos nos mantido sóbrios todos esses anos. Eu não tenho tomado nenhuma bebida alcoólica desde 1934”
Sobre a contribuição de seu médico, Dr. William D. Silkworth: após viver o estado de êxtase espiritual que deu início à sua sobriedade, Bill W. o contou ao Dr. Silkwort e sobre isso escreveu: - “Após interrogar-me cuidadosamente, assegurou-me de que eu não estava louco e que talvez tivesse tido uma experiência psíquica que poderia resolver o meu problema. Como um homem de ciência cético, que era até então, essa foi uma resposta compreensiva e sagaz. Se tivesse dito “alucinação”, eu poderia agora estar morto. A ele dedico minha eterna gratidão.
“Nessa conjuntura a primavera de 1935, o Dr. Silkwort advertiu-me de que eu havia esquecido tudo a respeito da deflação profunda do ego. Havia-me transformado em um pregador. E me disse: - “Por que você não coloca a dura realidade da medicina a estas pessoas antes de mais nada? Esqueceu o que disse William James sobre a profunda deflação do ego? Dá-lhes o fato médico, com toda clareza. Não lhes conte do “clarão”. Enumere extensivamente os seus sintomas, a fim de estabelecer uma profunda identificação. Se você agir desta forma, os seus candidatos poderão vir a adotar os singelos princípios morais que você vem tentando ensinar a eles. Aqui estava a contribuição vital para síntese. E uma vez mais foi feita por um médico”.
Sobre o grupo Oxford, diz Bill W.: O paciente, Sr, Roland escolheu o grupo Oxford da época como sua instituição religiosa. Terrivelmente castigado e quase sem esperança, entrou em grande atividade no grupo. Para suja alegria e assombro, prontamente cessou sua obsessão por bebida”.
Conclui Bill W.: “Porque nos entendemos e precisamos um do outro (Bill W. e Dr. Bob) estabeleceu-se uma reciprocidade pela primeira vez. Esse encontro marcou o fim da minha postura de pregador. Essa ideia da necessidade mútua, acrescida ao ingrediente final da síntese da medicina, religião e da experiência do alcoólico constitui agora Alcoólicos Anônimos”.
“Alcoólicos Anônimos funciona principalmente através de reuniões locais, onde os alcoólicos ajudam-se mutuamente a usar o programa de recuperação de A.A.”
“Este programa é centrado principalmente nos Doze Passos, princípios baseados nas experiências de recuperação dos primeiros membros. Os Passos não são apenas uma maneira de se permanecer sóbrio, mas um programa de vida sugerido”.
Os Doze Passos de A.A. são um programa de vida tão bem sucedido que hoje mais de 150 tipos de grupos dedicados a doentes crônicos trabalham alicerçados pelos mesmos Doze Passos (Fumantes Anônimos, Neuróticos Anônimos, Comedores Compulsivo Anônimos, Narcóticos Anônimos, Diabéticos Anônimos, etc.). Extremamente inteligente Bill W. soube captar de profissionais e grupos os mais especiais da época a essência do que realmente ajudava em cada método de tratamento. Soube encadear o tratamento em uma ordem gradativa, crescente, convincente, curativa e irretocável. E foi iluminado ao perceber o alcance da ajuda mútua e o poder curativo do serviço que cada membro da Irmandade presta ao outro.
“Os profissionais que trabalham com alcoólicos compartilham um trabalho comum com A.A.: ajudar o alcoólico a deixar de beber e a levar uma vida produtiva e saudável”.
Como profissional da psicologia, observo em meu trabalho diário com clientes, drogadictos ou não, que a essência do atendimento psicológico tem pressupostos muito semelhantes ao trabalho de recuperação de A.A.
Observo que Alcoólicos Anônimos tem dois pontos básicos comuns com o grupo terapêutico: ambos são semi-fechados, os participantes podem interromper o tratamento a qualquer momento e novos membros podem vir a fazer parte, tanto de um grupo terapêutico como de um grupo de A.A., mas de um grupo terapêutico só participará o cliente que for selecionado pelo terapeuta e do grupo de A.A. só participará o doente alcoólico que deseja parar de beber.
Além disso, é pressuposto básico e essencial dos dois tipos de grupo a regra do sigilo: o que for ouvido em um grupo terapêutico ou em um grupo de A.A. deve morrer ali.
Tenho observado, em relação aos Doze Passos, que:
Primeiro Passo: A maioria dos clientes fez múltiplas tentativas de sozinhos reorganizar e re-orientar suas vidas em novas bases mais satisfatórias, antes de verificar que não o conseguiriam e enfim se considerar impotentes frente à transformação pretendida e buscar a terapia...; da mesma forma, também muitos alcoólicos tentaram inúmeras vezes aprender a beber contidamente ou parar de beber sozinhos antes de procurar a Irmandade, onde as vezes chegaram já no fundo do poço.
Segundo Passo: Quando se vê impotente para transformar sozinho a sua vida como gostaria, o cliente procura o psicólogo confiante de que este poderá ajudá-lo; da mesma forma, quando se vê impotente frente ao álcool e encontra à sua volta, em A.A., muitos alcoólicos sóbrios e felizes, o alcoólico recém-ingressado se dispõe a acreditar – hesitante ou resolutamente que há um Poder Superior que poderá ajudá-lo a se manter sóbrio mesmo que este poder seja o de seu grupo de Alcoólicos Anônimos.
Terceiro Passo: Aí o cliente finalmente procura o terapeuta que escolheu, pede que ele o atenda, aceita que o atendimento seja feito em determinado horário, paga pelo atendimento o combinado e se dispõe a seguir as regras que norteiam o atendimento individual e as de grupo terapêutico; da mesma forma, o alcoólico que ingressou em Alcoólicos Anônimos se entrega finalmente ao Poder Superior, na forma em que ele O concebe e aceita as regras de funcionamento de Alcoólicos Anônimos.
Quarto Passo: Em cada sessão individual ou de grupo o cliente foca basicamente sua vida passada e presente, seus conflitos, dificuldades e seus desejos e receios futuros; a terapia só evolui quando o cliente abandona a posição de vítima e assume a responsabilidade pela sua vida; da mesma forma, o membro de Alcoólicos se dispõe a, por escrito, fazer um minucioso e destemido inventário moral dele mesmo assumindo a responsabilidade por seus atos e escolhas.
Quinto Passo: Na sessão terapêutica o cliente explicita muitas conquistas e alegrias, mas também muitos receios, mágoas, falhas, limites e dificuldades. É muito importante que o cliente de psicologia procure para ouvi-lo, um profissional competente e com experiência no tratamento a que se propõe; da mesma forma, o quinto passo de quem segue o programa de vida de A.A. consiste em admitir perante Deus, perante ele mesmo e perante outro ser humano que pode ser, por exemplo, um companheiro, um terapeuta ou um clérigo a natureza exata de suas falhas.
“Esta pessoa poderá estar inteiramente desligada de Alcoólicos Anônimos, por exemplo, seu preceptor religioso ou seu médico. Para alguns de nós, uma pessoa totalmente estranha poderá ser a melhor escolha”. (De: os Doze Passos e as Doze Tradições).
Sexto Passo: Há um momento na terapia em que o cliente começa a admitir abrir mão de alguns “problemas de estimação” que insistia em conservar; da mesma forma, o membro de A.A. começa a se prontificar a deixar que Deus remova todos os seus defeitos de caráter.
Sétimo Passo: Há um momento na terapia em que o cliente quer se aprofundar em assuntos que negava ou de que fugia; de forma semelhante, o praticante dos Doze Passos se desapega de suas falhas e roga humildemente ao Poder Superior pedindo que o livre de duas imperfeições.
Oitavo Passo: Ao focar seu passado, presente e futuro, o cliente de terapia, com frequência, percebe que causou danos de diversas espécies, se arrepende disto, tenta reparar o mal que causou e se dispõe a tentar a não repetir aquele tipo de ação ou de atitude; da mesma forma, o membro de A.A. relaciona as pessoas às quais prejudicou e se dispõe a reparar os danos a elas causados.
Nono Passo: O cliente de terapia com frequência percebe que não pode fazer reparações diretas a todos as pessoas a quem prejudicou, há situações em que seu arrependimento só será ouvido pelo terapeuta , mas suas ações, com certeza, se transformarão; da mesma forma, o membro de A.A. fará reparações diretas por danos causados a outros, sempre que possível.
Décimo Passo: A investigação própria e permanente torna-se um hábito regular para o cliente de terapia; o mesmo acontece com o membro de A.A. que passa a admitir, aceitar e tentar corrigir, pacientemente, os defeitos no seu cotidiano.
Décimo Primeiro Passo: O cliente de terapia torna-se melhor companhia para si mesmo: há momentos em que busca a serenidade através da introspecção, do silêncio e de um melhor contato consigo mesmo; passa a aceitar melhor a dificuldade e a tentar lidar melhor com elas; o membro de A.A. pratica a meditação e a oração como vias para um Poder Superior, recebe melhor e lida melhor com as dificuldades da vida.
Décimo Segundo Passo: O cliente que persiste no tratamento terapêutico transforma a sua vida cotidiana, transmite uma mensagem positiva através do exemplo e passa a convencer mais pelo exemplo que pelas palavras; aumenta sua necessidade de viver uma vida mais útil para a sociedade e a ajudar pessoas que sofrem; de forma semelhante, o membro de A.A. que pratica este Passo vê a resposta para seus problemas e tenta praticar os princípios de alcoólicos Anônimos em todas as suas atividades; ajudar a quem precisa passa a ser seu maior prazer.
Conclusão: Fico maravilhada ao ver a abençoada eficácia alcançada pelos primeiros AAs: o método de recuperação que criaram, a partir de seu amor pelo outro, sua inteligência, sua experiência e, sem dúvida, da graça advinda do Poder Superior, fez com que esta fraternidade pouco tenha mudado nos seus abençoados anos de vida.
Em 1935, a fraternidade Alcoólicos Anônimos começava com o auxílio mútuo que Bill W. e Dr. Bob S. se prestavam. Esse auxílio transbordou para milhares de outros alcoólicos que se tornaram sóbrios e garantiu a sobriedade dos membros de A.A., os Alcoólicos Anônimos não têm governantes, só tem membros servidores. E conseguiram tudo isto ancorados:
· Nos singelos Doze Passos, essência do Programa de Vida sugerido por A.A., princípios baseados nas experiências de recuperação dos primeiros membros.
· Nas Doze Tradições, princípios de conduta sugeridos que garantem a sobrevivência e o crescimento de A.A. como um todo.
· Nos Doze Conceitos, uma interpretação da estrutura de Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos.
Parabéns, Alcoólicos Anônimos, nestes anos de vida profícua e abençoada. E parabéns para nós, amigos de A.A. e seu programa de vida. Que muito trabalho nos espere!
Bibliografia: Livros: Alcoólicos Anônimos, Os Doze Passos e as Doze Tradições, livretos e publicações diversas de A.A., especialmente “Três Palestras às Sociedades Médicas”, Se Você For um Profissional, Falando em reuniões de não-alcoólicos e Alcoólicos Anônimos em Instituições de Tratamento.
Revista Vivência - Edição nº 123 - pág. 52
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Reunião CORUJÃO
Reunião de Informação ao Público
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Vá com calma
Vá com calma. Um dia por vez, a passo miúdo.
Quando cheguei em Alcoólicos Anônimos não alcancei de imediato o significado das palavras "primeiro as primeiras coisas". E essa atitude acarretou grande sofrimento em meus primeiros dois anos de A.A.
Entrei num processo de recaída emocional e permiti que meus nervos ficassem á flor da pele. Passei a ser vista pelos meus companheiros como a "companheira dos repentes", ou seja: uma hora me portava em cabeceira-de-mesa como uma tempestade, avassalando tudo e todos com críticas e palavras duras; outra, me portava como um anjo murmurando palavras piegas e amorosas.
Esse conflito íntimo perdurou até o dia em que um bom veterano, de nenhuma leitura por ser analfabeto, mas de muita vivência por saber escutar, passou em cabeceira de mesa uma mensagem que calou fundo em meu coração. Na sua simplicidade esse companheiro me apontou o caminho e percebi que estava sendo muito dura comigo mesma e mais ainda com os outros. E com que direito? Fiz um inventário sobre esses dois anos de abstinência alcoólica e pude verificar que continuava autoritária, intransigente, perfeccionista, rancorosa, crítica e egocêntrica. Desse modo, quem poderia me amar ou compreender, se eu mesma não me amava e nem me compreendia? Quem poderia se aproximar de mim, se eu havia me fechado? Quem me aceitaria, se eu não conseguia aceitar ninguém do jeito que era, pois tinha que ser como eu queria que fosse?
Após refletir profundamente sobre essas atitudes, determinei mudar meu comportamento. E, ao fazer essa análise de mim, pude ver também que até no que dizia respeito à minha família, eu estava dificultando as coisas. Meu relacionamento com minhas filhas, minha mãe e meus irmãos era frágil. Minhas atitudes intempestivas conseguiam afastá-los de mim tanto quanto na época em que eu me embriagava. Eu vinha me isolando novamente e esse estado de coisas era extremamente perigoso para minha permanência em A.A. Eu estava a um passo do primeiro gole! Parei e dei uma boa olhada no Terceiro Passo e daí por diante passei a me pôr limites. Em cabeceira-de-mesa falava apenas de mim, das minhas 24 horas, mas com amor e prudência; no que concernia aos outros, limitei-me a ouvir, sem criticar ou torcer o nariz. Quem era eu para mudar alguém? Só tenho a obrigação de mudar a mim! Com isso, comecei a ganhar espaço nos grupos que freqüentava e tornei-me
servidora em meu grupo de origem. E mesmo como RSG venho buscando passar as coisas com tolerância e amor, a fim de evitar qualquer constrangimento ou mal-estar entre membros. Aprendi a ouvir com atenção e a ponderar com serenidade. É claro que as coisas não se encaixaram da noite para o dia. Foi a passo miúdo, um dia por vez, pois é muito mais fácil destruir do que reconstruir. Mas valeu a pena. Hoje sou feliz, me sinto amada, respeitada e útil. Vi que problemas existirão sempre e que cabe a mim fazer "uma boa e açucarada limonada com esses limões azedos", pois somente assim poderei viver e deixar viver.
Quanto aos problemas e intempéries da vida, é preciso que eu os aceite com tranqüilidade, lembrando sempre que, aquilo que não tem solução, solucionado já está. Lembrei-me de que o sofrimento é opcional, mas que a dor é necessária ao crescimento e desenvolvimento espiritual. Veio-me à mente que, para se sentir o perfume da rosa e a maciez de sua textura, algumas vezes sujeita-se ao incômodo dos espinhos. Mas pela beleza do momento, vale a pena!
E por que atropelar a ordem das coisas? Vivendo um dia de cada vez, resolvendo um problema por vez, me permito um melhor equilibrio emocional e uma melhor compreensão do que é a vida. E se tenho fé, por que temer? Por que rugir como um leão, quando é tão mais fácil sorrir?! Lembrei-me de uma frase dita por um bom e velho bispo da minha comunidade com o qual fiz o meu Quinto Passo: "Ninguém precisa acender uma lamparina para ver a luz do sol... Tudo é simples e perfeito, nós é que complicamos as coisas..."
Hoje sou uma mulher bem resolvida e em paz. Não me apavoro com nada. Caminho colocando um pé após o outro, sem passadas largas, mas comedidas e pensadas. Não me atropelo e nem a ninguém. Mudo o que posso mudar, faço o que posso fazer e o que não posso, aceito como algo que me impulsiona a crescer enquanto pessoa. Estou cultivando a flor da paciência. E essa paz está me fazendo muito bem, pois hoje conheço o valor do sorriso e a emoção do abraço carinhoso e amigo. Confesso que fiquei mais bonita e remoçada. Nem pareço que estou a caminho dos 51 anos. Meu coração é de criança e minha alegria de viver é genuína.
E querem saber? Todas essas maravilhas de ensinamentos estão nas literaturas de A.A. e nas experiências dos bons e queridos companheiros. É preciso apenas que tenhamos a boa vontade de escutar com ouvidos de ouvir ou ler com o coração e pôr em prática, todos os dias um pouquinho...
Por todas essas coisas sou um ser gratificado e rico de fé, de paz, de esperança e sobretudo de amor, muito amor.
Desejo sinceramente que essa experiência possa servir para ajudar alguém. Os repentes são perigosos. É preciso estar atento.
A todos meu carinhoso abraço e o desejo sincero de infinitas e serenas 24 horas!
(Graças, Nova Iguaçu/RJ) (Vivência nº 74) Grupo Carmo Sion de AA

